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notícias·por Leonam Alves·05 de setembro de 2026·7 min

Brasil tem 2ª maior reserva de terras raras do mundo, mas quem manda no mercado é a China; entenda o que está em jogo

Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás da China, e quer reforçar controle sobre o mineral estratégico na disputa entre EUA e China.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 05 de set. de 2026, 11:30· Atualizado em 05 de set. de 2026, 19:36
Close-up of a businessman reading a newspaper indoors, focusing on business headlines.
Foto: Foto: nappy via Pexels · Unsplash
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Por que terras raras viraram o centro da briga EUA-China

Terras raras não são um mineral único: é uma família de 17 elementos químicos com propriedades magnéticas e condutoras difíceis de replicar. Eles estão em coisas do dia a dia que pouca gente associa com mineração: fones de ouvido sem fio, ímãs de alto-falantes, motores de carro elétrico, turbinas eólicas, mísseis guiáveis e semicondutores avançados. Sem eles, muita tecnologia que o brasileiro usa nem existiria.

O problema é que a China controla entre 60% e 70% da mineração global e mais de 85% do processamento (quando o minério bruto é refinado até virar material utilizável pela indústria). Isso dá a Pequim uma espécie de poder de barganha: quem quer comprar em quantidade precisa, em algum grau, passar pelo país asiático. Os EUA tentam há anos reduzir essa dependência, e o Brasil entrou no mapa como uma das alternativas mais viáveis por causa do tamanho da sua jazida.

O que o Brasil tá fazendo, na prática

O governo brasileiro quer reforçar o controle sobre as terras raras, o que pode incluir desde exigências ambientais e tributárias até regras mais rígidas de exportação. A ideia é evitar dois movimentos: o envio de minério bruto (que vale pouco) sem que o Brasil agregue valor internamente, e a venda indiscriminada que comprometa reservas sem retorno estratégico pro país.

  • ✓Monitoramento mais rígido sobre quem tá prospectando e minerando terras raras no território nacional.
    - Possível criação de regras específicas pra exportação de óxidos e concentrados (os estágios do minério antes de virar peça industrial).
    - Estímulo pra que empresas processem o material aqui, em vez de exportar rocha bruta.
    - Articulação diplomática com EUA, Europa e parceiros asiáticos que querem diversificar a cadeia.

O que muda pro brasileiro comum

Ninguém vai comprar ímã de geladeira mais barato por causa disso no curto prazo. Mas a discussão importa porque entra direto na conta de energia, no preço de eletrônicos e até na política industrial. Se o Brasil conseguir entrar na cadeia de processamento (em vez de exportar só matéria-prima), pode atrair fábricas de ímãs, baterias e componentes eletrônicos. Isso significa emprego qualificado, royalties (a compensação financeira que empresas pagam ao governo pra explorar recursos naturais) e arrecadação de impostos.

Por outro lado, endurecer regras sem atrair investimento pode travar projetos que já tão em andamento. O desafio do governo é equilibrar soberania (o direito do país de decidir como usa seus recursos naturais) com atratividade pra quem tem tecnologia e capital.

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Um passo atrás: por que isso não saiu do papel antes

O Brasil conhece suas reservas há décadas, mas a exploração sempre esbarrou em dois obstáculos: custo e tecnologia. Separar terras raras exige água, energia e processos químicos caros, além de know-how (conhecimento técnico acumulado) que poucas empresas dominam fora da China. Com a tensão geopolítica atual, o cálculo mudou: países como EUA, Japão e Coreia do Sul tão dispostos a financiar projetos alternativos pra reduzir a dependência chinesa, mesmo que o custo seja maior.

Esse é o pano de fundo que torna o movimento de agora diferente. Não é a primeira vez que o Brasil fala em terras raras, mas é a primeira vez em que existe fila de países dispostos a pagar mais caro pra comprar de fora da China.

O que observar nos próximos meses

Fica de olho em três frentes: anúncios de novas licenças de pesquisa mineral, editais de financiamento pra processamento interno e eventuais parcerias com empresas estrangeiras interessadas em joint ventures (sociedades entre empresas de países diferentes pra dividir risco e lucro) no Brasil. Qualquer um desses movimentos vai indicar se o país tá entrando de verdade na cadeia ou só fazendo barulho diplomático.

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