Meta tentou comprar a Kalshi, maior plataforma de apostas de previsão
Zuckerberg propôs comprar a startup de mercado de previsões, mas negociação não avançou. Meta segue com seu próprio app chamado Arena.

Mark Zuckerberg tentou comprar a Kalshi, a maior plataforma de mercado de previsões do mundo, segundo três pessoas com conhecimento direto das conversas. O encontro entre o CEO do Meta e Tarek Mansour, fundador da Kalshi, aconteceu há cerca de um ano, quando a startup estava em seu auge de popularidade. Mas a negociação nunca saiu do papel.
Por que Meta quis entrar nesse mercado
Os mercados de previsão explodiram em tamanho nos últimos anos. Pra você entender rápido: são plataformas onde você faz apostas sobre o que vai acontecer no futuro. Eleições, resultados esportivos, se um país vai desenvolver arma nuclear. Basicamente, qualquer coisa que alguém queira chutar antes de acontecer. Em junho de 2025, Kalshi e Polymarket (seu maior concorrente) movimentavam cerca de 28 bilhões de reais por mês. Um ano depois, esse número saltou pra quase 220 bilhões mensais, segundo a The Block, empresa que rastreia dados do setor. O crescimento explica por que Zuckerberg, que tem histórico de comprar startups promissoras, teria desejo de entrar nesse jogo. A Meta vê movimento assim e não consegue ficar de fora.
O que minguou a negociação
Aqui fica confuso porque há versões concorrentes sobre o que aconteceu. Segundo uma pessoa com conhecimento direto da reunião, Mansour simplesmente não quis vender. Já outras fontes indicam que a Meta ficou assustada com a bagunça legal e ética que envolve a Kalshi. Não é pouco: você tá falando de uma plataforma que permite apostas reais em dinheiro sobre eventos futuros, e reguladores em vários países ainda estão decidindo se isso é legal. Nem Kalshi nem Meta confirmaram detalhes sobre o que explodiu a conversa.
Meta não desistiu: conhecem a Arena
Em vez de comprar, Zuckerberg botou um time pra criar a Arena, seu próprio app de mercado de previsões. Documentos internos revisados pela NPR mostram que o app será bem parecido com Kalshi e Polymarket, mas com uma diferença importante: em vez de apostar dinheiro real, os usuários usarão dinheiro de brincadeira. É isso mesmo. Você ganha ou perde pontos fictícios, não reais. A ideia é que inteligência artificial powered by Meta vai criar as perguntas e também definir os vencedores baseado no que realmente aconteça. Se não consegue comprar a coisa, faz a coisa sozinho.
A ironia que ninguém fala
Tim Wu, professor de direito da Universidade Columbia que assessorou a Casa Branca sobre política de tecnologia, resumiu bem o que está acontecendo: Meta "agarra em todo objeto brilhante que vê". Ele foi bem específico citando o metaverso (em que Meta investiu pesadamente e depois meio que abandonou) e o projeto de criptomoeda Libra (que morreu na praia). Um app de casino com dinheiro fake é a bola da vez. Wu não é exatamente otimista: "Não imagino que um app de casino com dinheiro falso vai ser muito emocionante", brincou. "Mas talvez meus filhos gostem. Não sei." A questão central é essa: Meta tenta entrar em todo mercado em alta, falha várias vezes, mas consegue absorver o prejuízo com a grana que tira de publicidade. Poucos players têm esse luxo.
O contexto regulatório que fez tudo isso explodir
Kalshi e Polymarket cresceram porque Washington deixou crescer. A regulação é permissiva nos EUA pra esse setor, diferente de muitos países que trancaram tudo pra dentro. Isso criou um vácuo onde essas plataformas ficaram gigantescas em pouquíssimo tempo. O salto de 28 bilhões pra 220 bilhões em um ano é porque esportes movem volume alucinante de apostas. Pessoas querendo chutar em cada jogo, cada play, cada resultado imaginável.
O que vem a seguir provavelmente envolve mais startups tentando pegar essa onda enquanto conseguem, e Meta testando sua versão com dinheiro fake até sentir se há apetite mesmo. Se houver tração real, aí sim a empresa pode pesar: compra alguma startup menor (já que Kalshi disse não), expande sua plataforma, integra com outras ferramentas do Meta. O cenário menos provável é Meta desistir. A empresa não desiste de mercados em alta. Ela apenas falha dentro deles.
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