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notícias·por Leonam Alves·04 de setembro de 2026·6 min

Franquias no Brasil crescem, mas perdem fôlego no trimestre

Faturamento do setor avançou 9,3% no 2º trimestre de 2026, abaixo dos 10,1% do 1º trimestre. Lavanderias lideram expansão.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 04 de set. de 2026, 12:55
Franquias mantêm ritmo e crescem 2 dígitos no 1º tri de 2026
Foto: Foto: ABF · Unsplash
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O mercado de franquias brasileiro fechou o segundo trimestre de 2026 com faturamento de R$ 76,3 bilhões, alta de 9,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. O número, divulgado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), representa uma desaceleração em relação ao primeiro trimestre, quando o crescimento havia sido de 10,1%. No acumulado do semestre, o setor somou R$ 149 bilhões, com variação de 9,7%.

O ritmo caiu, mas o setor segue positivo

A desaceleração fica ainda mais evidente quando se olha pra trás. No segundo trimestre de 2025, o avanço tinha sido de 14,2%. Os dados são nominais, ou seja, não descontam a inflação, então parte desse freio pode refletir o comportamento geral dos preços e do consumo no país, e não necessariamente uma perda de tração real das franquias.

Mesmo assim, o setor segue crescendo, e o presidente da ABF, Tom Moreira Leite, atribui o resultado a uma mudança no perfil de gasto do consumidor. "Em um contexto de maior racionalidade nos gastos, continuam crescendo os negócios ligados à conveniência, bem-estar e necessidades recorrentes", afirmou.

Os segmentos que puxaram (e o que freou) o trimestre

Doze segmentos são pesquisados pela ABF, e só um deles recuou: comercialização e distribuição de alimentos, com queda de 3,8%. Entre os que cresceram acima da média do setor, três se destacaram.

  • ✓Limpeza e conservação: alta de 17,6% no faturamento, chegando a aproximadamente R$ 700 milhões. Foi o maior crescimento percentual do trimestre, puxado pelas lavanderias expressas e de autosserviço, onde o próprio cliente opera as máquinas, além dos serviços de limpeza profissional.
    - Saúde, beleza e bem-estar: avanço de 15,2%, com faturamento de R$ 21,1 bilhões, o maior valor absoluto entre todas as categorias pesquisadas. Cuidados pessoais, atividades físicas, odontologia, casas de repouso e serviços de cuidadores lideraram.
    - Serviços de alimentação: cresceu acima dos 9,3% da média, sustentado pela demanda por conveniência.

A ABF associa o bom desempenho das lavanderias à redução do tempo disponível pra tarefas domésticas e às mudanças nas moradias urbanas, como apartamentos menores e rotinas mais corridas. Já o segmento de saúde e bem-estar se beneficia do envelhecimento da população e da busca por praticidade no cuidado com idosos.

O que explica esse padrão de consumo

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O que une os segmentos que mais cresceram é um denominador comum, segundo a ABF: economizam tempo e simplificam a vida. Leite resume: "O consumidor moderno valoriza cada vez mais conveniência, proximidade e praticidade." Na prática, quando a família corta gastos supérfluos, ela tende a preservar serviços que resolvem um problema do dia a dia, como lavar roupa, limpar a casa ou cuidar da saúde.

Esse movimento não é exclusivo das franquias. Reflete um rearranjo maior do consumo brasileiro em 2026, num ambiente de juros ainda elevados, crédito mais restrito e endividamento das famílias em patamares altos. O cartão de crédito cheio e o orçamento apertado fazem o consumidor pensar duas vezes antes de gastar com o que pode ser adiado, mas pagar por algo que resolve uma dor imediata ainda faz sentido.

O que vem pela frente

A ABF mantém perspectiva positiva pra segunda metade do ano, apoiada em três pilares: demanda por serviços, digitalização das redes e expansão física das marcas. Ao mesmo tempo, a entidade reconhece os riscos do cenário macro, já que juros altos, crédito escasso e famílias endividadas pressionam o caixa das franqueadoras e exigem mais disciplina financeira na gestão.

Na prática, o segundo trimestre funcionou como um sinal: o setor continua crescendo, mas a velocidade depende do bolso do consumidor e das condições de crédito. Se a inflação seguir controlada e houver espaço pra queda de juros nos próximos meses, a tendência é o ritmo voltar a acelerar. Se o cenário apertar de novo, as franquias que vendem conveniência tendem a segurar melhor, enquanto segmentos mais sensíveis ao consumo discricionário podem sentir o peso.

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