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notícias·por Equipe Endinheirados·25 de julho de 2026·7 min

Trump abre nova frente contra a UE enquanto Brasil enfrenta tarifas cumulativas

Após multar o Google, presidente dos EUA anuncia investigação comercial na Europa. Itamaraty avalia que tarifas americanas sobre produtos brasileiros serão cumu

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 25 de jul. de 2026, 20:30
Trump abre nova frente contra a UE enquanto Brasil enfrenta tarifas cumulativas
Foto: Foto: G1 Economia · Unsplash

Donald Trump abriu uma nova frente de tensão comercial nesta sexta-feira (24). Após aplicar multas contra o Google por atividades internas ilegais, o presidente dos Estados Unidos anunciou que vai investigar a União Europeia sob leis comerciais americanas e ameaça aplicar novas tarifas. A movimentação amplia a onda de protecionismo que já atinge o Brasil de forma desproporcional.

Google na mira: o começo da escalada

Um funcionário do Google foi acusado de usar dados internos da empresa pra lucrar aproximadamente um milhão de dólares. A descoberta provocou a reação de Trump, que usou o caso como pretexto pra sinalizações maiores contra a big tech e, agora, contra blocos comerciais inteiros. A punição ao Google foi apenas o primeiro movimento de uma semana de pressão crescente.

Brasil já sente o peso de decisões de Washington

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil chegou a uma conclusão preocupante após analisar o novo pacote de tarifas anunciado na quinta-feira (23): as alíquotas americanas serão cumulativas sobre produtos brasileiros. Isso significa que o país num consegue escapar das novas cobranças ao contornar outras restrições — elas vão se somar.

O impacto é direto nos números. O governo federal estima que 47,3% de todas as exportações brasileiras são atingidas pelas tarifas dos EUA quando se somam a alíquota de 12,5% anunciada recentemente com as de 25% aplicadas na semana anterior. Pra ter ideia, isso representa quase metade de tudo que o Brasil vende pro exterior.

A resposta brasileira segue um roteiro político

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, classificou a tarifa de 12,5% como indevida e baseada em fatos que não são reais. O governo prepara uma possível resposta via Lei da Reciprocidade, que permitiria cobrar tarifas compensatórias sobre produtos americanos. Integrantes da diplomacia avaliam também um eventual recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC), embora vejam tal ação como mais simbólica e uma forma de marcar posição do que como uma solução prática.

A estratégia revela certa aceitação de que as negociações com Trump seguem um roteiro menos de acordo e mais de confronto institucionalizado. Um avaliador do Itamaraty resumiu a percepção: as conversas foram pra cumprir tabela, não pra resolver.

O efeito cascata na economia real

Enquanto diplomatas e ministros negoceiam, o mercado financeiro já repercute o cenário. Nesta sexta-feira (24), o dólar fechou em queda de 0,06%, cotado a 5,0809 reais, e o Ibovespa também recuou. A volatilidade reflete incerteza: investidores tentam precificar um cenário onde tarifas cumulativas deixam produtos brasileiros menos competitivos no exterior e aumentam a pressão sobre setores exportadores.

Setores como agronegócio, minério e manufaturas intermediárias, historicamente dependentes de demanda externa, podem enfrentar pressão sobre margens. Empresas que contam com importação de componentes dos EUA também enfrentarão custos maiores.

O que vem a seguir

Trump sinalizou que a investigação contra a União Europeia é apenas o começo. Analistas de mercado observam que, se as alíquotas aumentarem também pra Europa, o efeito protecionista pode ficar global, com outros blocos respondendo com suas próprias barreiras. O Brasil, nesse cenário, fica espremido entre duas das maiores economias em conflito.

A próxima semana deve trazer a resposta oficial do governo brasileiro. Se optar pela Lei da Reciprocidade, o Brasil cobrará tarifas sobre importações americanas, movimento que pode escalar a tensão. Se escolher apenas o caminho da OMC, sinalizará que aceita negociar dentro dos marcos institucionais, mas sem margem real de avanço. Nos bastidores, diplomatas já avaliam qual resposta machuca menos o bolso do brasileiro comum.

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