Trump avança com mais tarifas; Brasil vê 47% das exportações sob pressão
EUA aplicam tarifa adicional de 12,5% ao Brasil. Governo estima que quase metade das exportações brasileiras agora enfrenta tarifas americanas que podem chegar

Os Estados Unidos aplicaram uma tarifa adicional de 12,5% ao Brasil nesta quinta-feira (23), ampliando bastante o impacto das medidas protecionistas do governo Trump sobre as exportações brasileiras. De acordo com estimativa do governo federal, 47,3% de tudo que o Brasil exporta para os EUA agora tá atingido por tarifas — resultado da soma entre essa nova taxa de 12,5% e as tarifas de 25% que entraram em vigor na semana anterior. Em alguns produtos, a carga tributária total pode alcançar 37,5%.
O que mudou nos últimos dias
A tarifa de 12,5% foi anunciada como resultado de uma investigação americana sobre trabalho forçado em 60 países. O Brasil está na lista. A medida se soma às tarifas de 25% já em vigor desde quarta-feira passada, criando uma sobreposição de tributos que atinge especialmente setores como agricultura, alimentos processados e produtos manufaturados que dependem da exportação para os EUA.
O timing importa. As duas rodadas de tarifas vieram em sequência rápida, sugerindo que a administração Trump tá intensificando a pressão comercial contra diversos parceiros, não apenas o Brasil.
O Brasil em defesa
O governo brasileiro rechaçou a decisão e voltou a falar em reciprocidade. A diplomacia de Lula avalia um recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC), embora integrantes do governo acreditem que essa ação seria mais simbólica, pra marcar posição, do que efetiva em reverter a medida no curto prazo.
Tem um detalhe bem irônico nisso tudo: o Brasil é historicamente fonte de superávit recorde pra os EUA. O país acumula um déficit de 144 bilhões de dólares na balança comercial com os americanos, ou seja, vende muito menos pra lá do que compra. Mesmo assim, tá sendo alvo do tarifaço.
Quem sente na prática
Exportadores brasileiros de commodities, alimentos, têxteis e manufaturados veem suas margens comprimidas. Muitos podem repassar custos pro consumidor final, tanto aqui quanto no exterior. Dentro do Brasil, setores como agronegócio, indústria de alimentos e confecções tendem a sentir o impacto primeiro, seja reduzindo exportações, seja apertando as margens de lucro.
Pro consumidor brasileiro comum, o efeito não é imediato e óbvio. Mas exportações mais caras significam menos competitividade, potencialmente menos investimentos nesses setores e, no longo prazo, menos empregos. Além disso, se exportadores reduzem volumes, reduzem também demanda por insumos locais, criando um efeito em cascata que desce por toda a cadeia.
O cenário que vem adiante
A diplomacia brasileira sinaliza que pode recorrer à OMC, mas quem trabalha com comércio exterior avisa que processos internacionais são lentos. A retalição americana poderia escalar se o Brasil tomar medidas similares contra produtos americanos, criando uma espiral de protecionismo que afetaria ambos os lados.
O governo também tá atento ao que acontece com os outros 471 produtos brasileiros que conseguiram isenção da tarifa de 12,5%, tentando entender a lógica das escolhas americanas pra ampliar essa lista. É uma negociação que tende a dominar as conversas diplomáticas nos próximos meses.
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