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notícias·por Equipe Endinheirados·25 de julho de 2026·7 min

Brasil leva tarifa de Trump 2,7x maior que a média; entenda o cálculo

Enquanto União Europeia negocia alívio, Brasil vê tarifa efetiva saltar para 17,7%. Governo estima que quase metade das exportações está sob pressão.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 25 de jul. de 2026, 17:30
Brasil é o maior perdedor das tarifas adicionais de Trump, diz Financial  Times - BBC News Brasil
Foto: Foto: BBC · Unsplash

O Brasil está sendo penalizado de forma desproporcional nas guerras comerciais de Trump. A tarifa efetiva sobre produtos brasileiros chegou a 17,7%, o maior salto entre os parceiros comerciais dos EUA. Para comparar, a Europa — que também sofre com as medidas do presidente americano — conseguiu negociar um alívio. O Brasil, não.

Como chegamos a esse número

O cálculo que resulta nos 17,7% é combinado. Começou com a tarifa de 25% anunciada na semana anterior. Depois, nesta quinta-feira (23), Trump adicionou mais 12,5% especificamente ao Brasil, decorrente de uma investigação sobre trabalho forçado envolvendo 60 países. Na prática, essas camadas de tarifa se empilham — um produto brasileiro enfrenta a primeira taxa, depois a segunda, resultando nessa tarifa efetiva maior.

O governo federal estima que 47,3% das exportações brasileiras são atingidas por essas medidas. Quase metade do que o Brasil vende para os EUA agora sofre algum tipo de restrição tarifária. Setores inteiros como agronegócio, siderurgia e manufatura estão na mira.

Por que o Brasil saiu pior que a Europa

A disparidade é gritante e pouco acidental. Enquanto Trump anuncia investigação comercial contra a União Europeia — que ainda poderia gerar novas tarifas — a Europa já conseguiu sinalizar negociação em temas específicos. O Brasil não aparece na mesma mesa de conversas. Há duas explicações possíveis: a primeira é geopolítica (a Europa tem mais peso diplomático). A segunda é comercial (o Brasil vende mais commodities e menos bens de alto valor agregado, o que torna menos valioso pra Trump negociar).

Em termos históricos, essa é uma escalada sem precedentes recente. Tarifas dessa magnitude funcionam como um imposto indireto sobre importadores americanos que compram do Brasil e sobre consumidores americanos que pagam mais caro. Pro Brasil, o efeito é mais direto: menos demanda, preços menores, margens apertadas.

Quem paga a conta

Pequenos e médios exportadores brasileiros são particularmente vulneráveis. Eles não têm margem pra absorver uma redução de preços de 17,7% mantendo a lucratividade. Grandes multinacionais com capacidade de contração têm mais flexibilidade, mas ainda sofrem. Setores como café, suco de laranja, açúcar e carnes congeladas enfrentam demanda incerta.

No consumidor brasileiro, o efeito é mais indireto, mas real. Se as exportações caem, arrecadação fica menor, emprego no setor sente pressão, e a economia cresce menos. Num cenário de juros altos como o Brasil enfrenta atualmente, isso é uma pressão adicional que vem por cima.

O que acontece agora

O governo sinalizou que pode recorrer a organismos internacionais como a Organização Mundial do Comércio pra questionar as medidas. Mas processos na OMC demoram anos, e as tarifas valem agora. Existem também possibilidades de represálias comerciais brasileiras contra produtos americanos, embora o Brasil tenha menos poder de negociação nesse jogo.

O cenário mais provável nos próximos meses é volatilidade. Mercados financeiros já estão reprificando risco Brasil. A bolsa, o câmbio e os juros podem sofrer movimentos bruscos conforme novos anúncios saem de Washington. Investidores estrangeiros que fazem apostas no Brasil estão repensando suas posições.

O detalhe que poucos mencionam: enquanto isso acontece, o Brasil enfrenta dificuldades domésticas — juros altos, déficit fiscal — que deixam menos margem pra manobras. Não é apenas comércio exterior em xeque. É toda uma dinâmica econômica sob pressão simultânea.

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