💰
Endinheirados
educação financeira·por Leonam Alves·01 de agosto de 2026·7 min

Inadimplência bate recorde mesmo com programa de renegociação

Taxa de inadimplência bancária permanece em 4,7% em junho, máximo histórico, apesar do Desenrola 2.0 tentar renegociar dívidas.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 01 de ago. de 2026, 11:30
Mesmo com renegociação de dívidas, inadimplência bate recorde e preocupa  bancos no Brasil - NC News
Foto: Foto: NC News · Unsplash
Publicidade

A taxa de inadimplência bancária ficou em 4,7% em junho, mantendo o recorde histórico. O dado pode parecer um número isolado, mas revela algo contraditório: o governo está fazendo esforços para renegociar dívidas com o Desenrola 2.0, um programa que permite parcelar débitos em atraso, mas a inadimplência não cede. Segundo o Banco Central, a taxa permaneceu estável no patamar máximo desde que começou a ser medida.

O paradoxo do Desenrola 2.0

Lançado pra oferecer uma segunda chance a quem não consegue pagar suas contas, o Desenrola 2.0 permite que pessoas com dívidas em atraso as parcelassem em até 36 meses. A ideia era simples: destravar crédito congelado e dar respiro ao endividado. Na teoria, faz sentido. Na prática, os números mostram que a inadimplência seguiu em seu pico histórico mesmo com essa válvula de escape disponível.

O Banco Central registrou essa situação em junho, e a questão que fica é clara: por que um programa feito justamente pra reduzir inadimplência não conseguiu virar o jogo? Uma possibilidade é que muitos dos inadimplentes nem estejam renegociando — seja porque num sabem do programa, seja porque a parcela continua cara demais pra o orçamento real deles.

Quem está devendo

A inadimplência média de 4,7% significa que entre os créditos concedidos pelos bancos, uma parcela significativa não tá sendo paga no prazo. Pra colocar em perspectiva: há alguns anos, essa taxa era menor. A estabilidade nesse nível recorde sinaliza que o problema não é coisa de passar rápido.

Pessoas físicas e jurídicas contribuem pra esse número, mas o impacto concentra-se em quem pede empréstimo pessoal, financiamento de carro ou usa cartão de crédito rotativo. Se você tá no rol de devedores, fica mais caro conseguir crédito novo, as taxas de juros sobem, e as instituições financeiras ficam mais cautelosas na hora de aprovar.

Por que isso continua acontecendo

Alguns fatores explicam por que o Desenrola 2.0 não conseguiu reverter o quadro sozinho. Primeiro, o desemprego e a renda instável seguem como pano de fundo. Se a pessoa não tem dinheiro estável chegando todo mês, mesmo uma parcela menor de uma dívida renegociada vira problema. Segundo, o custo de vida continuou alto. A inflação dos alimentos, energia e aluguel deixa menos margem pra quem já tá na corda bamba.

Publicidade

Terceiro, há um fator comportamental: quem já tava inadimplente há meses pode nunca ter entrado na plataforma do Desenrola. Falta de divulgação, dificuldade de navegar sistemas digitais ou até desconfiança de programas governamentais deixam parte dos devedores fora do radar.

O que muda na prática pro brasileiro

Se você não tá inadimplente, essa taxa afeta seu acesso a crédito de forma indireta. Bancos ficam mais rigorosos quando a inadimplência tá alta: pedem mais documentos, cobram spread maior (a margem de lucro da instituição), e aprovam menos gente. Quem tem score bom ainda consegue, mas sai mais caro.

Se você tá devendo, o Desenrola 2.0 continua disponível, mas depende de você procurar. A renegociação pode viabilizar o pagamento se a situação financeira permitir, mas não é um passe livre — você segue devendo, só que em partes menores.

O que vem a seguir

O Banco Central continua acompanhando esses números. Se a inadimplência persistir ou subir, o regulador pode pressionar os bancos pra serem mais rígidos ou exigir que coloquem mais grana de lado como garantia. Isso, a longo prazo, encarece ainda mais o crédito. Enquanto isso, a inadimplência no seu maior patamar histórico é um sinal de que nem programas de renegociação conseguem resolver sozinhos um problema que é, no fundo, de renda e emprego.

Leia também

Por que você gasta mais do que ganha (nem sabe onde)

Criação de empregos formais cai 25% e atinge pior semestre em seis anos

Inadimplência bate recorde mesmo com Desenrola 2.0; entenda o paradoxo

Fontes

Termômetro de imparcialidade

Compromisso editorial: notícia sem viés. Como você avalia a cobertura desta matéria?

Publicidade

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário

Sem cadastro. Comentários são moderados; respeite os outros leitores.