Inadimplência bate recorde mesmo com Desenrola 2.0; entenda o paradoxo
Taxa de inadimplência bancária atinge 4,7% em junho, histórico máximo. Programa de renegociação não consegue frear endividamento crescente dos brasileiros.

A taxa de inadimplência bancária chegou a 4,7% em junho de 2026, o maior nível já registrado desde que o Banco Central começou a medir esse indicador. É um recorde que persiste apesar do Desenrola 2.0, o programa de renegociação de dívidas lançado pelo governo para aliviar o endividamento dos brasileiros. Enquanto a gente recebia essa chance de recomeço, a proporção de pessoas que não conseguiam pagar suas contas só aumentava.
O que significa esse número na prática
Quando você pega um empréstimo, financia um carro ou abre um cheque especial no banco, você entra naquela estatística do Banco Central. A inadimplência mede quantos desses empréstimos viram calote. Em junho, de cada 100 reais que os bancos tinham para receber, 4,7 reais não voltavam. Pode parecer pouco, mas é o pior resultado de toda a série histórica.
Isso quer dizer que mais brasileiros do que nunca estão simplesmente incapazes de honrar suas dívidas. Não é uma questão de escolha, é que a conta não fecha no fim do mês.
Por que o Desenrola não conseguiu frear isso
O programa permitia que pessoas com dívidas renegociassem com descontos e prazos maiores para pagar. Teoricamente, seria alívio. Na prática, chegou tarde demais: a inadimplência continuou subindo durante e depois do programa porque os problemas que causaram o endividamento não desapareceram.
O custo de vida seguiu alto. Os juros permaneceram elevados. E o mais importante: novas pessoas continuaram contraindo dívidas enquanto as antigas ainda estavam tentando sair do buraco. É como tentar esvaziar uma banheira aberta enquanto a torneira continua jorrando água.
Quem está por trás desses números
O Banco Central não especifica de onde exatamente vêm esses calotes, mas os dados históricos são bem claros: a inadimplência sobe quando o desemprego aumenta, quando a inflação corrói o poder de compra, ou quando as pessoas precisam lidar com gastos inesperados — saúde, consertos, educação. Tudo isso aconteceu nos últimos meses.
Pequenos negócios também entraram nessa estatística. Microempreendedores que pediram empréstimo pra girar o estoque viram a renda despencar quando o varejo esfriou. Agora, muitos desses créditos também tão virando calote.
O que vem a seguir
Quando a inadimplência sobe, os bancos fazem duas coisas: aumentam a taxa de juros para novos empréstimos (pra compensar o risco de perder dinheiro) e apertam a concessão de crédito (emprestam pra menos gente). Isso aconteceu em 2025 e pode acontecer ainda mais em 2026.
Isso afeta qualquer um que precise de dinheiro emprestado — desde quem quer renegociar uma dívida até empresas que precisam de capital de giro. O custo fica mais alto, a aprovação mais difícil. E, num paradoxo meio cruel, quanto pior a inadimplência, mais caro fica pedir dinheiro. Justamente quando as pessoas e empresas mais precisam dele.
O dado também sinaliza que o Brasil pode estar entrando num ciclo economicamente mais complicado, independente de quantos programas de renegociação o governo lance.
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