💰
Endinheirados
educação financeira·por Leonam Alves·26 de outubro de 2026·5 min

Lula reeleito: dólar sobe 10% na madrugada e ações brasileiras desabam lá fora. O que muda no seu bolso

O dólar futuro foi a R$ 5,52 e o fundo de ações do Brasil em Tóquio caiu 15%. O que isso faz com juros, viagem e investimentos, e o que fazer agora.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 26 de out. de 2026, 12:20
Lula reeleito e a reação do mercado
Foto: Foto: InfoMoney · Unsplash
Publicidade

O Lula foi reeleito no domingo (25) e, antes de o governo tomar qualquer decisão, o mercado já tinha dado o recado. Na mesma noite, o dólar futuro negociado em Chicago subiu cerca de 10% e chegou perto de R$ 5,52. Na sexta, ele tinha fechado a R$ 4,99.

O resultado foi uma virada. Segundo o TSE, com 99,95% das urnas apuradas, Lula teve 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, em 4 de outubro, a ordem era a contrária: Flávio com 47,03% e Lula com 45,16%. "Nenhuma pesquisa estava dando vitória de Lula", disse Lais Costa, da Empiricus Research, ao Investing.com. Flávio não reconheceu o resultado e diz que vai pedir a anulação ao TSE.

O que aconteceu com o dinheiro na madrugada

Os primeiros números vieram de fora, porque a bolsa brasileira só abre às 10h:

  • ✓Dólar: o contrato futuro em Chicago subiu uns 10% no domingo à noite, para perto de R$ 5,52.
  • ✓Tóquio: o fundo de ações brasileiras negociado no Japão abriu caindo quase 13% e chegou a cair 15%, a maior perda num dia desde 2008. No primeiro turno, quando Flávio liderava, esse mesmo fundo tinha subido quase 8%.
  • ✓Nova York: o EWZ, principal fundo de ações brasileiras por lá, caía 26% no pré-mercado das 7h15. Pré-mercado tem pouco negócio e costuma exagerar o movimento, então esse número diz mais sobre o susto do que sobre o preço do dia.

Se o Ibovespa cair 10% na abertura, a B3 trava os negócios por 30 minutos. É o circuit breaker, que não acontecia desde o começo de 2020, na pandemia.

Por que o mercado reagiu assim

O medo não é com o nome do presidente, é com a conta do governo. A dívida pública já passa de 80% do PIB, e quem empresta dinheiro para o governo olha para o próximo mandato e se pergunta se o gasto vai continuar crescendo.

Pensa no governo como uma casa que já deve mais de 80% do que ganha num ano. Quem empresta para essa casa, quando acha que ela vai continuar gastando, cobra juro maior para correr o risco. E o dólar sobe porque parte desse dinheiro prefere ir embora.

"A taxa de juros é a febre, não é a infecção que causa a febre", resumiu Walter Maciel, CEO da AZ Quest, ao Money Times. Para ele, a infecção é o gasto público.

Publicidade

E daí pra você

Juros. A Selic está em 13,75% ao ano, e até sexta o mercado esperava um corte de 0,25 ponto em novembro. Com o susto, esse corte fica mais difícil. Juro alto por mais tempo pesa na prestação, no cartão e no financiamento, e ajuda quem tem dinheiro aplicado no pós-fixado.

Dólar. Uma viagem de mil dólares custava uns R$ 4.990 com o dólar de sexta. Com o dólar a R$ 5,52, vai para R$ 5.520, uns R$ 530 a mais (a conta é nossa, com os dois preços acima).

Investimentos. Aqui está o que mais confunde quem abre o extrato hoje:

  • ✓A reserva no Tesouro Selic ou num CDB de liquidez diária quase não balança num dia assim.
  • ✓Títulos prefixados e IPCA+ podem aparecer no vermelho. Isso se chama marcação a mercado: o preço do título muda com os juros do dia, mas só vira perda de verdade se você vender antes do vencimento.
  • ✓Ações e fundos de ações podem ter um dia bem ruim. Queda de um dia, de madrugada, ainda não é prejuízo.

O que fazer agora

  1. Não vender nada no susto. Quem vende no pior dia transforma uma oscilação em perda.
  2. Conferir onde está a reserva de emergência. Ela deve estar no pós-fixado, com resgate rápido, e não em ações ou prefixado.
  3. Se tem viagem ou conta em dólar pela frente, comprar aos poucos, em vez de correr atrás do pico de hoje.
  4. Fugir de decisão tomada pela manchete. O mercado ainda vai digerir o resultado nos próximos dias, e o primeiro preço depois de uma surpresa costuma ser o mais nervoso.

Fontes

Termômetro de imparcialidade

Compromisso editorial: notícia sem viés. Como você avalia a cobertura desta matéria?

Publicidade

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário

Sem cadastro. Comentários são moderados; respeite os outros leitores.