Gasolina com mais etanol pode danificar seu carro — entenda o risco
A partir de agosto, gasolina comum terá 32% de etanol. Carros não flex podem sofrer com peças danificadas. Veja se o seu é vulnerável.

A gasolina comum vendida no Brasil passa a ter 32% de etanol a partir de 1º de agosto. A mudança, anunciada pelo Conselho Nacional de Política Energética, soa como mais uma coisa do governo — mas tem uma pegadinha que pode mexer no seu bolso se você dirigir um carro que não é flex.
O problema é mais sério que parece
Nem todo carro consegue rodar com essa concentração de etanol. Veículos não flex foram projetados para funcionar com até 25% de etanol na mistura. Sete pontos percentuais a mais pode parecer pouco, mas é o suficiente para danificar peças internas do motor. Borrachas, vedações, componentes de combustível — tudo isso envelhece mais rápido quando em contato com concentrações maiores de etanol. A corrosão acelera, o desgaste aumenta.
Se você dirige um carro antigo ou importado não preparado para essa mistura, o risco é real. E diferente de uma multa de trânsito ou uma mudança de taxa de juros, esse problema não aparece de repente — vai roendo lentamente.
Quem está exposto ao risco
- ✓Carros importados que nunca foram comercializados no Brasil com essa especificação
- ✓Veículos não flex mais antigos, de meados dos anos 2000 pra trás
- ✓Qualquer carro que o manual diz expressamente para usar apenas até 25% de etanol
- ✓Carros clássicos e colecionismo, onde o desgaste compromete o valor histórico
Os carros flex foram desenhados justamente pra lidar com etanol em concentrações altas. Mas se o seu carro não tem esse sistema, essa mudança de política energética vira um problema silencioso — aquele que não dói agora, mas custa caro depois.
O que você deveria fazer agora
Se não tem certeza se seu carro é flex, verifique no manual do proprietário ou procure a concessionária. Muita gente nem sabe o que tem na garagem. Alguns precisarão trocar de combustível (procurar gasolina com menor teor de etanol, se conseguir) ou pensar em dar um jeito no carro em breve. Outros vão ignorar e rezar pra não dar problema nos próximos anos.
O governo diz que a mudança é pra aumentar a oferta de etanol — combustível renovável e mais barato. Do ponto de vista macroeconômico e ambiental, faz sentido. Do ponto de vista de quem dirige um carro que não está preparado, é uma cilada camuflada de boa intenção.
O que vem depois
A tendência é essa concentração ficar como padrão. Se você está pensando em trocar de carro, talvez tenha mais um motivo pra preferir um flex — ou simplesmente aceitar que sua máquina vai envelhecer um pouco mais rápido. E se você está segurando um carro antigo que não é flex esperando pelo melhor momento pra vender, talvez esse momento seja logo.
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