💰
Endinheirados
educação financeira·por Leonam Alves·01 de agosto de 2026·7 min

Biscoito mais caro e com menos recheio: por que você não está errado

Sensação de que os biscoitos eram melhores antigamente não é nostalgia: inflação e novas receitas realmente mudaram o produto nos últimos anos.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 01 de ago. de 2026, 16:30
Biscoito mais caro e com menos recheio: por que você não está errado
Foto: Foto: G1 Economia · Unsplash
Publicidade

Aquela sensação de que os biscoitos de antigamente eram melhores não é só nostalgia. De acordo com a G1 Economia, a mudança é real: biscoitos custam mais caro e mudaram de receita — e a culpa é uma mistura de inflação com decisões de marketing das fabricantes.

A impressão tem base nos números

Quando um produto sobe de preço mas mantém a embalagem do mesmo tamanho, o consumidor não vê de imediato. Por isso muita gente continua pegando o biscoito na prateleira sem notar que pagou mais pelos mesmos 200 gramas de antes. O chamado fenômeno da 'shrinkflation' (quando a quantidade diminui mas o preço sobe) é tão comum que ganhou até nome em inglês. Aqui no Brasil, biscoitos não fugiram dessa tendência.

O que mudou nos últimos anos foi duplo: primeiro, a inflação pressionou o custo das matérias-primas — farinha, açúcar, gordura, recheio. Como as empresas não querem perder clientes elevando o preço demais, muitas optaram por reduzir a quantidade, mudar a fórmula ou usar ingredientes mais baratos. Segundo lugar, a concorrência entre marcas levou algumas a simplificar receitas pra manter a margem de lucro.

Resultado: você compra a mesma embalagem, mas leva menos produto ou um biscoito que não tem aquele gosto de antes.

O que realmente mudou no produto

  • ✓Quantidade de recheio reduzida ou ingredientes de menor custo substituindo os originais
  • ✓Proporção de açúcar e gordura alterada para baratear a produção
  • ✓Tamanho ou peso total da embalagem reduzido mantendo a aparência visual
  • ✓Mudanças na textura e no sabor decorrentes das novas fórmulas
Publicidade

A Embrapa publicou análises mostrando como as receitas evoluem conforme o contexto econômico. Quando a inflação aperta, empresas ajustam ingredientes pra segurar o preço final. Isso não é ilegal e é comum em toda a indústria de alimentos — não é específico de biscoito. Refrigerante ficou mais fraco, chocolate mais fino, sorvete com menos calda. O fenômeno afeta praticamente todo produto consumido no dia a dia.

Por que você realmente nota a diferença

O biscoito é um produto que você consome desde criança. A memória gustativa é forte: aquele biscoito da sua mãe, o da festa de aniversário, o daquele dia chuvoso. Quando algo familiar muda sutilmente, o cérebro capta — especialmente em alimentos. Não é alucinação, é percepção legítima. O problema é que a mudança é tão gradual que fica difícil fixar exatamente quando aconteceu.

Além disso, o preço subiu bem mais que a inflação geral. Enquanto a inflação acumulada dos últimos cinco anos foi de cerca de 30%, muitos biscoitos ficaram 50% a 80% mais caros. Isso porque o segmento tinha boas margens de lucro e as fabricantes aproveitaram pra apertar ainda mais.

O que você pode fazer na prática

A resposta mais óbvia é comparar marcas: muitas fabricantes menores mantêm receitas mais tradicionais, mesmo que cobrem preço parecido com as grandes. Ler a lista de ingredientes na embalagem ajuda a ver se houve mudança em relação ao que você lembra. E sim, cozinhar biscoito em casa voltou a fazer sentido economicamente — um lote caseiro sai mais barato que comprar em loja.

O biscoito é só um exemplo. A mesma lógica vale pra maioria dos alimentos ultraprocessados que você compra rotineiramente. Quando o custo sobe, a indústria ajusta fórmula, quantidade ou ambas. Você sente a diferença, mas de forma distribuída e gradual — por isso aquela sensação incômoda de estar pagando mais por algo que parece ter piorado.

Leia também

Tesouro Direto encerra app: como acessar seus investimentos a partir de agosto

Inadimplência bate recorde mesmo com programa de renegociação

Por que você gasta mais do que ganha (nem sabe onde)

Fontes

Termômetro de imparcialidade

Compromisso editorial: notícia sem viés. Como você avalia a cobertura desta matéria?

Publicidade

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário

Sem cadastro. Comentários são moderados; respeite os outros leitores.