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notícias·por Leonam Alves·18 de julho de 2026·7 min

Etanol de milho tira mercado dos EUA e dispara tarifa de Trump no Brasil

Mudança na produção de etanol brasileiro — passando de cana para milho — eliminou vantagem dos EUA e contribuiu para as tarifas de 25% anunciadas por Trump.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 18 de jul. de 2026, 10:30· Atualizado em 05 de set. de 2026, 19:37
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Foto: Foto: Pavel Danilyuk via Pexels · Unsplash
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O etanol brasileiro saiu da rota que mantinha os americanos competitivos no mercado local, e isso virou uma das justificativas de Trump pra tarifar 25% dos produtos do Brasil. A mudança é simples, mas muda tudo: em vez de produzir etanol só da cana-de-açúcar, o Centro-Oeste passou a usar milho também. Resultado: perdeu-se a vantagem logística que os EUA tinham.

Como o milho derrubou a supremacia americana

O etanol de cana sempre foi privilégio brasileiro. A cana cresce bem aqui, o processo é eficiente, e historicamente o Brasil abastecia até os EUA com a tecnologia. Mas quando começou a produção de etanol de milho no Centro-Oeste, o jogo mudou. A logística do milho é diferente: ele não precisa chegar ao litoral pra processar, não depende tanto da estrutura que sustentava o etanol de cana. Com isso, o etanol americano — que era a alternativa mais barata pela proximidade com os portos brasileiros — perdeu espaço.

Segundo a InvestNews, esse novo mapa do etanol brasileiro tirou exatamente a vantagem logística que sustentava o produto dos EUA no Brasil.

O que Trump viu nisso tudo

Quando o governo americano anunciou as tarifas de 25% em 15 de janeiro, alegou que o Brasil estava prejudicando indústrias americanas. O etanol foi um dos setores apontados — junto com WEG (eletrobombas), frigoríficos e outros. Mas a história do etanol é mais nuançada: não é que o Brasil esteja vendendo mais; é que o Brasil deixou de comprar. E quando você deixa de comprar de alguém que contava com essa receita, aquele alguém reclama.

O detalhe é que isso não é acaso. A produção de etanol de milho no Centro-Oeste cresceu porque faz sentido logístico e econômico pra cá. Num foi criada pra prejudicar os EUA especificamente — foi criada porque melhora a eficiência brasileira. Mas do ponto de vista americano, o resultado é o mesmo: perda de mercado.

A ironia que ninguém esperava

Aqui está a parte que desafia a intuição: o Brasil estava saindo de uma dependência (do etanol americano) sem nenhum confronto direto. Não é que o Brasil tenha aumentado exportações; é que o Brasil não precisava mais importar tanto. Parece bom pra gente, certo? Mas Trump interpretou como agressão econômica e respondeu com tarifas.

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O curioso é que a própria mudança tecnológica e logística que tornava o Brasil menos dependente dos EUA é agora catalogada como motivo de retaliação. É como se o país fosse punido por se organizar melhor.

Quem paga a conta agora

As tarifas de 25% (que Trump ameaçou dobrar pra 37,5% até o fim de julho) afetam exportações brasileiras em geral, não só etanol. Soja, minério de ferro, açúcar, frigoríficos — tudo na mira. Pro consumidor brasileiro, pode vir inflação (produtos importados ficam caros) e possível retaliação do Brasil contra produtos americanos.

O que torna essa história particular é o mecanismo invisível: não houve dumping de preços, não houve subsídios declarados, não houve disputa agressiva. Houve eficiência — e isso foi lido como ameaça.

O que vem pela frente

O Brasil deve revidar com a Lei da Reciprocidade, aumentando tarifas em produtos americanos. Enquanto isso, o mercado de etanol segue em tensão: produtores brasileiros e americanos disputam clientes globais, mas dessa vez com a política atravessando o caminho. A questão agora é se essa tarifa consegue frear a expansão do etanol de milho no Centro-Oeste ou se apenas encarecerá o comércio bilateral, sem voltar as coisas ao que eram antes.

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