💰
Endinheirados
notícias·por Leonam Alves·18 de julho de 2026·7 min

Trump ameaça dobrar tarifa no Brasil: de 25% para 37,5% até fim de julho

Governo brasileiro reconhece risco de tarifa adicional de 12,5% por falha em fiscalizar trabalho forçado. Negociações continuam, mas cenário piora.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 18 de jul. de 2026, 01:30
Trump ameaça dobrar tarifa no Brasil: de 25% para 37,5% até fim de julho
Foto: Foto: G1 Economia · Unsplash
Publicidade

O governo brasileiro reconhece que os Estados Unidos devem aplicar uma tarifa adicional de 12,5% por falha em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Isso significa que a sobretaxa sobre produtos brasileiros pode passar de 25% para 37,5% até o fim de julho, segundo avaliação do Planalto. É um golpe bem mais duro do que o anunciado.

De 25% para 37,5%: como os EUA chegam nesse número

A tarifa de 25% foi confirmada por Washington após investigação sobre propriedade intelectual e prioridades comerciais. Mas tem uma segunda investigação em andamento especificamente sobre trabalho forçado. Os EUA têm instrumentos de lei comercial que permitem combinar múltiplas penalidades quando o país importador não cumpre compromissos. A matemática funciona assim: a primeira investigação gerou os 25%, e a segunda pode adicionar 12,5%, chegando aos 37,5%.

O governo brasileiro reconhece publicamente que essa segunda investigação tá em curso. Não é especulação: é admissão de que o risco existe e é real.

Por que isso importa agora e não importava antes

A tarifa de 25% já afeta produtos importantes das exportações brasileiras. Segundo a G1, ela bate uma parcela grande dos 50 produtos brasileiros mais exportados pros EUA: soja, carnes, produtos têxteis e químicos. Um aumento pra 37,5% num seria só dobrar o impacto seria mais exponencial que isso. Quanto maior a tarifa, mais complicado fica pro importador americano justificar o preço pro consumidor final.

O que o Brasil tá tentando fazer

O Planalto não tá de braços cruzados. Logo após o anúncio das primeiras tarifas, o governo começou a analisar retaliações comerciais próprias. A estratégia inclui focar em setores que machucam os EUA: patentes farmacêuticas e setor audiovisual estão na mira. A ideia é criar pressão política interna nos Estados Unidos, fazendo com que empresas americanas que lucram no Brasil façam pressão no Congresso americano pra recuar.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Brasil vai preservar sua soberania financeira e geológica sem fazer concessões automáticas. Na prática, isso significa: negociamos, mas não aceitamos qualquer coisa.

A questão do trabalho forçado por trás das tarifas

Os EUA acusam o Brasil de não fiscalizar adequadamente mercadorias produzidas com trabalho forçado em suas cadeias de suprimento. É uma acusação séria que bate principalmente na cadeia de produção de têxteis, na agrícola e de transformação. O Brasil não pode simplesmente ignorar essa alegação porque ela tem base em lei comercial americana real: a Lei de Tarifa de 2010.

Publicidade

Pra evitar a segunda tarifa, o Brasil precisaria demonstrar ações concretas de fiscalização e compliance. Isso não é rápido nem fácil: envolve mudanças em como as empresas brasileiras auditam suas cadeias.

O timing: por que fim de julho assusta

As decisões costumam sair no meio de investigações, não no final. Mas dessa vez, o governo americano sinalizou que pode anunciar a segunda investigação com resultado até fim de julho. Isso daria três semanas de rodadas de negociação intensas. O Planalto aposta em fazer pressão comercial retaliatória antes dessa data, forçando os EUA a reconsiderar.

Ninguém sabe se vai funcionar. Mas é a aposta que o Brasil tá fazendo.

O que muda na prática pra quem compra produtos brasileiros

Se a tarifa chegar a 37,5%, importadores americanos vão repassar parte do custo ao consumidor final ou reduzir volume de compras. Soja, café e carnes brasileiras ficariam menos competitivas. No Brasil, isso significa menos demanda por produção, menos exportação, menos receita em dólar pras empresas. Alguns setores sofrem mais que outros: frigoríficos, produtores de commodities agrícolas e fabricantes de têxteis estão no radar.

Pra quem investe em ações brasileiras, especialmente em empresas exportadoras, esse risco já precisa estar precificado nas expectativas de lucro futuro.

A negociação continua. Mas o cenário piorou.

Leia também

EUA tarifam 25% de produtos brasileiros; WEG, frigoríficos e exportadores no radar

Tarifa de 25% dos EUA pode virar 37,5%: o cenário que assusta Brasília

PIX virou alvo de Trump; entenda por que os EUA acusam o Brasil

Fontes

Termômetro de imparcialidade

Compromisso editorial: notícia sem viés. Como você avalia a cobertura desta matéria?

Publicidade

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário

Sem cadastro. Comentários são moderados; respeite os outros leitores.