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educação financeira·por Leonam Alves·08 de outubro de 2026·5 min

Endividamento cai no país, mas inadimplência sobe entre rendas mais altas

Endividamento das famílias registra primeira queda no ano, mas inadimplência avança nas faixas de renda mais alta e recua entre os mais pobres.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 08 de out. de 2026, 15:30
Endividamento cai no país, mas inadimplência sobe entre rendas mais altas
Foto: Foto: G1 Economia · Unsplash
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O endividamento das famílias brasileiras registrou a primeira queda do ano, interrompendo uma sequência de altas acumulada desde o encerramento do ano anterior. O dado mais curioso do levantamento divulgado pelo G1 Economia, no entanto, tá escondido na divisão por classes sociais: enquanto a inadimplência finalmente deu trégua pra quem ganha menos, o atraso no pagamento de contas disparou justamente entre as famílias de maior poder aquisitivo.

A matemática invertida do orçamento familiar

O senso comum leva a crer que juros altos sufocam primeiro quem tem o orçamento mais apertado. Só que, desta vez, os números mostram o caminho inverso. As famílias de renda mais baixa reduziram a fatia de contas atrasadas depois de encarar meses de renegociações duras e pisar no freio antes de assumir novos compromissos.

No topo da pirâmide financeira, a história foi outra. As famílias mais ricas viram a inadimplência avançar porque tentaram manter padrões de vida caros enquanto linhas de crédito tidas como inofensivas foram ficando salgadas. Quem tem limite gordo no cartão e crédito pré-aprovado no aplicativo do banco demorou muito mais pra sentir o peso dos juros acumulados e só percebeu o tamanho da conta quando ela já tinha estourado.

As armadilhas que pegaram as rendas mais altas

Dá pra resumir essa virada de comportamento em três tropeços bem específicos:

  • ✓Uso excessivo do crédito consignado pra cobrir despesas do dia a dia, travando uma fatia fixa do salário ou da aposentadoria antes mesmo de o dinheiro cair na conta.
  • ✓Rolamento de faturas de cartão de crédito e uso frequente do cheque especial com valores muito superiores à média nacional.
  • ✓Dificuldade prática em cortar gastos ligados ao padrão de vida, como mensalidades de escolas particulares caras, viagens frequentes e parcelamentos longos de bens de alto valor.

Quando a fatura do cartão passa dos cinco dígitos, a taxa Selic (a taxa básica de juros definida pelo Banco Central pra controlar a inflação) cobrada no rotativo vira uma bola de neve difícil de segurar. Bastam dois ou três meses pagando apenas o mínimo pra desandar até mesmo as contas de quem parecia viver com bastante folga.

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O que o recuo geral do endividamento realmente indica

Mesmo com a melhora no índice geral, o alívio ainda é tímido. A queda nas dívidas reflete muito mais o freio que os próprios bancos puxaram na hora de liberar dinheiro novo do que um salto no salário do trabalhador.

As instituições financeiras fecharam a torneira das linhas sem garantia e cortaram o acesso ao crédito de quem já operava no limite da renda. No fim das contas, boa parte dos consumidores só parou de se endividar porque as opções na praça secaram, e não porque de repente adotou uma planilha perfeita de controle financeiro.

O que observar nos próximos meses

O cenário daqui pra frente vai mostrar se essa melhora nas faixas de menor renda se sustenta no dia a dia ou se foi apenas um respiro passageiro no calendário.

Já pra quem tá no topo ou na classe média alta, o alerta segue ligado: salário alto sem controle rigoroso de caixa gera buracos tão fundos quanto a escassez crônica de dinheiro. Afinal, juros compostos cobram o preço integral sem fazer distinção de contracheque.

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