💰
Endinheirados
notícias·por Leonam Alves·27 de julho de 2026·7 min

Trump tira o chão de exportadores: Brasil prepara resposta após tarifa de 37,5%

EUA tarifam 4 mil produtos brasileiros com alíquota de 37,5%. Governo discute ação na OMC enquanto Lula protesta no Washington Post.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 27 de jul. de 2026, 11:30
A vibrant collection of cargo containers stacked at a bustling shipping port.
Foto: Foto: Pankaj Mishra via Pexels · Unsplash
Publicidade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu publicamente neste fim de semana às novas tarifas de importação anunciadas pelos Estados Unidos. Em um artigo de opinião publicado no Washington Post, Lula classificou as medidas como injustas e um erro estratégico. A crítica veio depois que cerca de 4 mil produtos brasileiros foram atingidos por uma alíquota de 37,5% nas importações para o mercado americano, uma forma de pressão que afeta diretamente exportadores de setores como alimentos, calçados e manufaturados.

O que Trump fez (e quando isso impacta você)

As novas tarifas são parte da estratégia do governo americano de pressionar parceiros comerciais — China, México, Canadá e Brasil estão entre os primeiros na lista. O percentual de 37,5% é alto demais: significa que um exportador brasileiro precisará aumentar o preço de seus produtos em quase 40% pra manter a mesma margem de lucro, ou absorver essa diferença e vender mais barato. Quando tarifas desse tamanho entram em vigor, o efeito cascata aparece rápido. Empresas menores desistem de exportar, outras repassam o aumento pro consumidor americano, e o comércio bilateral encolhe.

Lula não deixou escapar na opinião publicada. Chamou as tarifas de injustas e afirmou que prejudicam não apenas o Brasil, mas a economia global. A postura é bem diferente de meses atrás, quando o Brasil tava negociando com os EUA. Agora a negociação deu lugar à contestação pública.

Como o Brasil vai reagir

O governo prepara uma ação formal junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), o fórum internacional que arbitra disputas comerciais. A estratégia é questionar se as tarifas americanas violam as regras do comércio global. Esses processos levam meses ou anos pra sair do forno, então num espera resolução rápida — é uma jogada de longo prazo.

Enquanto isso, tem também sinais de que o Brasil pode buscar aliança com a China. Lula conversou por telefone com o presidente Xi Jinping no fim de semana anterior, discutindo aprofundamento da cooperação bilateral e, segundo reportes, uma possível aceleração de acordo China-Mercosul. A confluência de eventos não é coincidência: ambos os países tão sob pressão americana de formas diferentes.

Quem sente o impacto agora

Publicidade

Empresas exportadoras de suco concentrado, carnes, café, calçados e máquinas são as mais expostas imediatamente. Muitas delas operam com margens finas e lucram muito com volume pro mercado americano. Com tarifa de 37,5%, algumas enfrentam um cenário onde a venda se torna menos viável. Pequenas e médias exportadoras podem simplesmente desistir do mercado americano por uns anos, esperando mudança política.

Pro consumidor brasileiro comum, o efeito não é imediato — as tarifas incidem na ponta de quem exporta. Mas se a guerra comercial se aprofundar e afetar a economia brasileira como um todo, pode impactar emprego, investimento estrangeiro e até inflação de alimentos e produtos manufaturados.

O jogo político por trás

A resposta pública de Lula é também uma mensagem doméstica: mostra que o governo tá reagindo e não aceitando a pressão em silêncio. Mas a realidade é que EUA e Brasil têm interesses econômicos complexos — comércio bilateral move dezenas de bilhões de dólares por ano. Uma guerra comercial total prejudica ambos os lados, que é por que as negociações privadas continuam acontecendo enquanto as críticas públicas seguem.

O próximo capítulo depende de como a administração americana responde à pressão internacional e de quantos outros países decidem contestar as tarifas na OMC. Se isso virar tendência global, o comércio internacional como um todo desacelera — e num mundo interconectado, o Brasil sente.

Leia também

Brasil prepara resposta na OMC contra tarifas dos EUA; diplomacia marca posição

Marcas de luxo perdem licença para destruir produtos; o que muda no preço

Soja avança e ameaça vinhedos do RS; entenda o conflito

Fontes

Termômetro de imparcialidade

Compromisso editorial: notícia sem viés. Como você avalia a cobertura desta matéria?

Publicidade

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário

Sem cadastro. Comentários são moderados; respeite os outros leitores.