Setor imobiliário vê 2026 forte, mas já avisa: 2027 é interrogação
Construtoras projetam novo ciclo de crescimento em 2026, mas alertam para riscos que podem frear o setor em 2027: Selic, funding, mão de obra e tributação.

O setor imobiliário acredita que 2026 será um ano de crescimento. Mas já deu o aviso: 2027 é um ponto de interrogação. Representantes da Caixa, CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), ABECIP (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) e ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) apresentaram essa visão durante o Construsummit, evento que reúne o setor.
Por que 2026 é otimista, mas 2027 não é tão certa
A construção passou por uma boa retração nos anos anteriores. Agora, com projetos sendo retomados e demanda aquecida, construtoras e financiadoras enxergam um novo ciclo começando este ano. O crédito pra compra de imóveis tá bem mais acessível do que era em 2024 e 2025, e os lançamentos de novas obras devem crescer.
Mas aí vem a questão que ninguém quer responder com certeza: e depois? O setor aponta quatro problemas que podem virar uma parede em 2027.
Os quatro riscos que o setor teme
- ✓**Selic (taxa básica de juros):** Quanto maior a Selic, mais caro fica o dinheiro. Quem financia imóvel paga mais juros. Se a Selic subir demais em 2027, compradores podem desistir ou adiar a compra.
- ✓**Funding:** Bancos e instituições financeiras precisam ter dinheiro em caixa pra emprestar. Se o funding ficar apertado, menos crédito sai dos bancos, mesmo que a Selic esteja baixa.
- ✓**Mão de obra:** Construção depende de trabalhadores especializados. Falta de pedreiros, encanadores, eletricistas qualificados encarece as obras e atrasa prazos.
- ✓**Tributação:** Impostos altos podem aumentar o custo do imóvel pronto, afastando compradores.
Um mercado que respira fundo entre um ciclo e outro
O que diferencia essa projeção é a honestidade dela. Construtoras e banqueiros não tão vendendo conto de fadas. Tão dizendo: temos confiança que 2026 será bom, mas as variáveis pra 2027 fogem ao nosso controle. Juros, disponibilidade de crédito, encargos legais e capacidade da indústria não dependem só do setor imobiliário.
Isso importa porque o brasileiro que quer comprar um imóvel tá observando exatamente isso. Um 2026 em alta significa mais ofertas, mais facilidade de financiamento e, em tese, até pressão pra que os preços não subam muito. Mas quem vai fechar a compra em dezembro de 2026 tá apostando que 2027 não vai virar um pesadelo de juros altos.
Pro leitor que tá nesse barco (planejando comprar ou já em negociação), a mensagem do setor é direta: se vai fazer, melhor fazer enquanto o clima tá favorável. Se a Selic subir em 2027 como alguns temem, a anuidade de um financiamento imobiliário sobe junto.
O que o mercado está esperando nos próximos meses
As próximas indicações do Banco Central sobre os rumos da Selic em 2027 podem virar a chave da situação. Se o BC sinalizar estabilidade ou queda, o setor respira aliviado. Se vier sinalização de alta, construtoras e bancos provavelmente ajustam suas projeções pra cima — e os preços dos imóveis podem começar a subir mais rápido já em meados de 2026, enquanto há janela de crédito mais barato.
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