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notícias·por Equipe Endinheirados·18 de julho de 2026·7 min

Produtores do agro trocam EUA por novos mercados após tarifa de 25%

Com tarifação de 25% dos EUA, agricultores brasileiros já reposicionam exportações. Consultorias apontam impacto de até 36,5% no setor.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 18 de jul. de 2026, 12:30
Produtores do agro trocam EUA por novos mercados após tarifa de 25%
Foto: Foto: G1 Economia · Unsplash

Produtores de uva no Vale do São Francisco, soja no Centro-Oeste e outros agricultores brasileiros já estão mudando suas rotas de exportação. A cobrança de 25% de tarifa sobre produtos brasileiros anunciada pelos EUA nesta semana forçou uma reviravolta rápida nos planos de quem vive do agro — e o mercado norte-americano, que era prioridade, agora fica em segundo plano.

Quando a certeza vira incerteza em horas

Até poucos dias atrás, os EUA representavam um destino previsível e rentável para o agronegócio brasileiro. O país é o maior comprador de várias commodities nacionais: café, açúcar, carne, soja e suco de laranja estão entre os produtos mais exportados. Mas a chegada das novas tarifas transformou a equação.

Segundo estimativas da consultoria Safras & Mercado, o impacto dessa tarifa pode chegar a 36,5% no agronegócio brasileiro como um todo. Não é um número que se possa ignorar: estamos falando de dezenas de bilhões em receita em risco. Quando a margem de lucro já tá apertada no setor, um custo de entrada que sobe de forma abrupta num mercado-chave deixa a situação bem mais complicada ainda.

A mudança que já está acontecendo

Produtores como Rodrigo Pamponet, que cultiva uvas no Vale do São Francisco, já colocaram em ação o plano B. Em vez de trabalhar pra agradar ao consumidor americano, ele busca agora fortalecer as vendas pra outros mercados. Esse não é um caso isolado: é o que tá virando regra.

O que impressiona é a velocidade. Não é um processo de meses, é de dias. Contatos comerciais que estavam frios esquentam outra vez com China, Índia, países da América Latina e até do Oriente Médio. Alguns dos maiores traders de soja e café do Brasil já reposicionaram equipes pra negociar em outras moedas e fusos horários.

Tem um porém: nem todos os mercados absorvem a mesma quantidade que os EUA. Uma safra de soja que foi planejada pra sair pros EUA num cabe facinho toda em outro lugar. Isso quer dizer que parte da produção pode ficar sem destino certo, o que pressiona os preços internos e reduz a receita de quem já plantou.

O tamanho do estrago

O Brasil é o maior produtor e exportador de soja do mundo. Colhe também quantidades volumosas de café, açúcar e carne. Boa parte disso ia pros EUA — agora tem que ir pra canto. A consultoria Safras & Mercado estima que em 2026/27 o Brasil terá uma safra recorde de soja, com 180,1 milhões de toneladas. Mas se o maior mercado fechou as portas com tarifa pesada, essa safra recorde vira um problema, não uma celebração.

Outros setores já sentiam pressão antes: frigoríficos, produtores de etanol e máquinas agrícolas (como a WEG) já estavam na mira das tarifas americanas. O agro é agora o último grande dominó a cair — ou a tentar se equilibrar.

O que vem a seguir

Dois cenários estão sendo discutidos agora. O primeiro: o Brasil negocia com os EUA pra reduzir a tarifa, talvez oferecendo concessões comerciais ou políticas. O segundo: empresas e governo aceitam que o mercado americano foi perdido (ou perdido em parte) e reorganizam toda a cadeia em torno de novos parceiros.

Enquanto isso, produtores que já plantaram pra próxima safra esperam que o Palácio do Planalto encontre uma saída antes que a colheita chegue. Se não conseguir, quem perde não é só quem planta: é toda a economia que depende de dólares vindos do agro. E esse número é bem grande mesmo.

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