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investimentos·por Leonam Alves·04 de setembro de 2026·6 min

Nestlé anuncia R$ 7 bilhões no Brasil até 2028, com fábrica de fórmula infantil em MG

Multinacional suíça quer ser autossuficiente em fórmulas infantis no país. Nova fábrica em Ituiutaba (MG) começa a ser erguida em 2027.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 04 de set. de 2026, 12:56
Nestlé anuncia nova fábrica no Brasil para fórmulas infantis e promete  investir R$ 2 bilhões até 2028
Foto: Foto: Página 3 · Unsplash
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A Nestlé vai despejar R$ 7 bilhões no Brasil até 2028, dos quais R$ 2 bilhões vão direto pra uma divisão nova, batizada de Nutrição e Saúde, que junta os negócios de nutrição infantil, adulta e médica. O anúncio foi feito pelo CEO Brasil, Marcelo Melchior, em entrevista à Forbes na sede da companhia em São Paulo.

O carro-chefe é uma fábrica de fórmula infantil em Minas Gerais

O projeto mais robusto do pacote é a construção de uma fábrica de fórmulas infantis em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, com aporte de R$ 600 milhões e capacidade pra produzir 40 mil toneladas por ano. A unidade começa a ser erguida em 2027 e deve entrar em operação em 2028, gerando cerca de 700 empregos durante as obras e 100 postos diretos depois da inauguração. Vai ocupar 11 mil metros quadrados ao lado do maior complexo de lácteos da Nestlé na América Latina, onde hoje saem produtos das linhas Ninho e Molico. Segundo o vice-presidente de Nutrição e Saúde, Marcelo Citrângulo, a ideia é que a estrutura permita à multinacional fabricar no país tudo o que vende no segmento, eliminando a dependência de importados.

O Brasil é o terceiro maior mercado da Nestlé no mundo

Esse ponto ajuda a explicar o tamanho do cheque. Em 2025, a Nestlé faturou US$ 115,8 bilhões globalmente, e o Brasil aparece entre os três principais destinos da companhia, atrás de Estados Unidos e de outro mercado que a empresa não detalha publicamente. Hoje, 95% de tudo o que a Nestlé vende por aqui já é fabricado localmente, mas ainda existe uma fatia de fórmulas infantis que vem do exterior. Segundo Melchior, a fatia importada é pequena hoje, mas tende a crescer junto com o mercado, e a alternativa escolhida foi investir em capacidade interna.

  • ✓Ituiutaba: nova fábrica de fórmulas infantis, R$ 600 milhões, operação em 2028.
    - Araçatuba (SP): aumento de capacidade em fórmulas, nutrição médica e alimentação adulta.
    - Carazinho (RS): produção de soro de leite, matéria-prima usada nas fórmulas.
    - Demais aportes: divididos entre tecnologia, eficiência industrial e marketing.

O outro alvo é o público 50+, a chamada economia prateada

A divisão de Nutrição e Saúde não cobre só bebês. Ela vai do nascimento ao público idoso, e aí entra uma conta que ajuda a entender por que o canal farmácia ganhou peso. Segundo o IBGE, a população acima dos 50 anos soma 62,2 milhões de pessoas, equivalente a 29% dos brasileiros. O hub Data8 estima que essa fatia da população movimenta R$ 1,8 trilhão por ano em consumo privado, ou 24% do total, com projeção de chegar a R$ 3,8 trilhões anuais até 2044. Pra chegar nesse consumidor, a Nestlé sabe que precisa estar nas farmácias com a mesma força com que está nos supermercados.

E os R$ 5 bilhões que sobram?

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Melchior foi direto quando perguntado se a aposta em saúde significa menos recurso pra café, chocolates e Petfood (linha de rações pra animais de estimação). Não significa. Os outros R$ 5 bilhões seguem distribuídos entre essas áreas, com ênfase em cafés especiais, chocolates e na linha Purina. A divisão de Nutrição e Saúde é uma das quatro prioridades globais da matriz suíça, junto com café, Petfood e Snacks (salgadinhos). Cada uma tem dinâmica própria e exige nível de investimento diferente, segundo o executivo.

Um passo atrás

O anúncio acontece num momento em que o setor de alimentação vive duas pressões opostas. De um lado, cresce a procura por produtos ricos em proteína e fibra, e o uso de medicamentos como os agonistas de GLP-1, popularmente chamados de canetas emagrecedoras, mudou a forma como parte dos consumidores se relaciona com comida, o que reduz a demanda por algumas categorias e abre espaço em outras. De outro, a Nestlé vem fazendo movimentos pra enxugar o portfólio global, como a recente venda de participação em negócios de água engarrafada. No agregado, a estratégia parece ser a mesma: cortar onde o crescimento é fraco e concentrar capital onde a tendência é favorável.

O que observar nos próximos meses

A primeira prova de fogo vai ser a licença ambiental e o cronograma de obras em Ituiutaba, já que a construção começa em 2027. Também vale ficar de olho em dois sinais. O primeiro é se a Nestlé confirma que a fábrica mineira vai exportar pra outros países da América Latina, Citrângulo disse que a capacidade permite, mas os mercados ainda não foram divulgados. O segundo é se a companhia divulga em quanto anda hoje a fatia importada de fórmulas infantis, número que Melchior se recusou a abrir e que vai ser a régua pra medir se o investimento de fato eliminou a dependência externa.

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