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investimentos·por Leonam Alves·04 de setembro de 2026·5 min

Shopee vai sair da Arezzo&Co? Entenda o acordo que recria duas gigantes do varejo de moda

Birman e Jatahy fecham acordo que divide a Azzas 2154, recria Arezzo&Co e Soma e mantém a Farm Rio sob controle compartilhado. Entenda o que muda.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 04 de set. de 2026, 10:30· Atualizado em 05 de set. de 2026, 19:36
Detailed view of a stock report displaying a market performance graph with data trends.
Foto: Foto: RDNE Stock project via Pexels · Unsplash
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A Azzas 2154, dona de marcas como Arezzo, Farm Rio e Soma, será dividida entre seus dois principais acionistas. O acordo entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy, anunciado nesta quinta-feira (3), recria a Arezzo&Co e a Soma como empresas independentes e mantém a Farm Rio sob controle compartilhado, segundo a InvestNews.

A negociação encerra uma tensão societária que vinha se arrastando e que mexia com três dos nomes mais conhecidos do varejo de moda brasileiro. Pra quem investe, o ponto prático é simples: o mesmo grupo de lojas que o consumidor encontra no shopping vai passar a responder a dois comandos diferentes.

O que o acordo define na prática

Birman, fundador da Arezzo, assume o controle da marca Arezzo e de toda a operação de calçados e acessórios que ficou conhecida nos shoppings. Jatahy, ligado à H.Stern e outros negócios, fica com a Soma, grupo que reúne marcas como Animale, Farm, Maria Filó e Fábula. A Farm Rio, especificamente, ficará sob controle compartilhado, segundo a mesma reportagem da InvestNews.

Na prática, isso significa que quem acompanha o setor de moda passa a olhar pra dois balanços diferentes em vez de um só conglomerado. Pra quem só compra, pouca coisa muda na loja: as marcas continuam vendendo os mesmos produtos. O que muda é quem manda por trás.

Por que esse tipo de divisão interessa ao investidor

Quando uma holding abriga marcas muito diferentes, o investidor acaba pagando um preço que é uma média de tudo. Tem marca de crescimento rápido misturada com marca mais madura, e isso dificulta saber quanto o negócio realmente vale. Separar costuma destravar valor, porque cada empresa passa a ser avaliada pelo seu próprio mérito.

Esse tipo de operação não é novidade no mercado. Aconteceu na Ambev quando a empresa se reorganizou, aconteceu na J&J quando separou o segmento de consumo do farmacêutico. A lógica é a mesma: quanto mais focado o negócio, mais fácil precificar.

O varejo de moda brasileiro em 2026

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O setor de moda viveu anos turbulentos desde a pandemia. Marcas como Renner e C&A viram a concorrência dos gigantes asiáticos, como Shopee e Shein, apertar as margens. Varejo de moda é um dos que mais sente quando a renda aperta, porque comprar sapato e roupa nova é uma das primeiras coisas que o consumidor corta quando o orçamento aperta.

A Azzas 2154 sempre foi vista como um dos grupos mais bem administrados do setor. Birman construiu a Arezzo com foco em marca e loja física, enquanto a Soma cresceu mais rápido em escala. A separação permite que cada lado siga sua estratégia sem precisar render contas ao outro.

O que vem a seguir

O acordo agora precisa ser formalizado. Depois disso, os papéis negociados em bolsa (como AZZA3) passam por um processo de reorganização que normalmente envolve distribuição de ações aos atuais acionistas. Quem tinha AZZA3 antes do acordo pode acabar recebendo ações das duas novas companhias.

Pra quem investe, vale acompanhar os próximos passos: a aprovação em assembleia, a definição dos percentuais finais e o início da negociação separada dos papéis. Pra quem só gosta de comprar sapato, nada muda: as vitrines de shopping continuam exatamente onde estavam.

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