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educação financeira·por Equipe Endinheirados·04 de julho de 2026·7 min

Economia cresce, mas brasileiro vira as costas pro emprego

PIB avança 2,3% em 2025, mas confiança no mercado de trabalho desaba. O culpado? Os juros altos que o BC mantém no freio.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 04 de jul. de 2026, 15:30
Black and white image of a protest with signs advocating for equal pay and vocational training support.
Foto: Foto: Rahul Sapra via Pexels · Unsplash

A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025. Números assim costumam vir acompanhados de comemoração nos jornais de economia, previsões otimistas e palpites sobre o próximo semestre. Mas tem um detalhe incômodo: enquanto o PIB subia, o brasileiro estava olhando pra empregos e emprego com desconfiança crescente.

O paradoxo do crescimento sem confiança

Bancos e consultorias alertam há meses que a economia vai desacelerar neste segundo semestre. Não falam em recessão, não. Falam em desaceleração. E mesmo assim, ninguém parece muito animado com isso. A razão está concentrada num lugar: a taxa Selic, que é a taxa básica de juros do Brasil, definida pelo Banco Central.

A Selic continua elevada. Juros altos têm um efeito colateral óbvio que é desacelerar a economia, sim, mas também desacelera a vontade das pessoas de gastar, investir, contratar. É como tentar andar rápido com o carro freado. Você até consegue sair do lugar, mas ninguém quer realmente acelerar.

Por que o medo do emprego agora?

O recado dos bancos é consistente: a economia vai esfriando. Quando a economia esfria, as primeiras vítimas são os empregos. As empresas contratam menos, e às vezes até demitem pra manter a margem de lucro. O brasileiro viu isso acontecer nos últimos anos. Por isso o "pé atrás" agora não é exagero, é experiência acumulada.

Juros altos encarecem o crédito pra empresas, o que reduz a capacidade delas de expandir ou manter os mesmos níveis de contratação. Uma padaria local, um salão de beleza, uma pequena fábrica: todas dependem de crédito barato pra crescer. Com juros altos, não crescem. Sem crescimento, não contratam.

A matemática que não fecha

Aqui mora a ironia: a Selic elevada foi aumentada justamente pra controlar a inflação. Funciona de verdade. Mas o lado B dessa moeda é que enquanto você combate a inflação freando a economia, você também cria desemprego e destrói a confiança das pessoas. No curto prazo, a inflação desacelera. No médio prazo, a economia inteira desacelera junto.

Por isso o crescimento de 2,3% em 2025 não é a mesma coisa que 2,3% de confiança. É um número que olhado isoladamente parece saudável. Mas combinado com a indefinição sobre empregos e a persistência de juros altos, ele conta uma história bem diferente.

O que vem agora

Se a desaceleração que bancos e consultorias preveem realmente acontecer neste segundo semestre de 2026, o desemprego pode acabar subindo. Não é certeza, mas é o cenário que o mercado está precificando. E é por isso que mesmo com economia crescendo, muita gente segue com aquele "pé atrás" na hora de procurar emprego, mudar de empresa ou fazer planos maiores.

O crescimento econômico existe. Mas ele está acontecendo no mesmo ritmo em que a confiança no emprego desaparece. É como crescimento com aspas.

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