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educação financeira·por Equipe Endinheirados·03 de julho de 2026·7 min

Inadimplência bate recorde em maio; endividamento segue alto

Taxa de inadimplência nos bancos atinge 4,7% em maio, recorde histórico, mesmo com lançamento do Desenrola 2.0 para renegociação de dívidas.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 03 de jul. de 2026, 11:30
Inadimplência bate recorde em maio; endividamento segue alto
Foto: Foto: G1 Economia · Unsplash

A taxa de inadimplência média dos bancos brasileiros atingiu 4,7% em maio de 2026, o maior patamar registrado até agora, segundo divulgação do Banco Central nesta quarta-feira. O dado chama atenção porque foi registrado justamente no mês em que o governo lançou o Desenrola 2.0, um programa que permite aos devedores renegociar dívidas em condições mais favoráveis.

O que significa essa taxa de 4,7%

Inadimplência é quando alguém deixa de pagar uma dívida no prazo combinado. Essa taxa de 4,7% quer dizer que, de cada 100 reais emprestados pelos bancos, aproximadamente 4,70 reais estão em atraso. Quanto maior esse número, mais difícil fica pro banco emprestar dinheiro — porque o risco de perder a grana só aumenta.

O fato da inadimplência continuar subindo mesmo com ferramentas de renegociação disponíveis coloca uma questão bem clara na mesa: não é só uma questão de falta de opções, mas de capacidade real de pagamento mesmo. A pessoa tá devendo porque não tá ganhando o suficiente, e aí nenhum programa vai resolver só oferecendo mais tempo ou juros menores.

Por que o Desenrola 2.0 não resolveu tudo

O Desenrola 2.0 permite que pessoas com dívidas em atraso parcelarem o débito em até 12 meses, com redução de juros e multas. Na teoria parece ótimo. Na prática, porém, um programa de renegociação só funciona se o devedor tem renda suficiente pra bancar as parcelas oferecidas.

Se o problema é que a pessoa simplesmente não ganha o bastante pra quitar tudo que deve — nem agora, nem em 12 meses — o Desenrola oferece um respiro, mas não mexe na raiz. É como ganhar uma pausa numa corrida se você está de perna quebrada: adianta um pouco, mas a perna continua quebrada.

Quem mais sofre com essa inadimplência

  • Pessoas em situação de vulnerabilidade financeira, que caem em atraso com cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais
  • Pequenas e médias empresas, que dependem de crédito pra funcionar e enfrentam juros mais altos por causa do risco aumentado
  • O próprio sistema financeiro, que precisa guardar mais dinheiro pra cobrir possíveis perdas com clientes inadimplentes

A mensagem dos números é clara: não tá faltando ferramenta de renegociação. Tá faltando dinheiro de verdade nas mãos de quem está devendo. Quando a renda não cresce na mesma velocidade das dívidas, nenhum programa consegue consertar sozinho.

O que pode vir a seguir

Com essa taxa batendo recorde, o Banco Central e o governo devem enfrentar pressão pra aprofundar políticas de renda — não apenas de crédito. Porque oferecer mais facilidades de empréstimo ou renegociação sem atacar a questão de fundo (a renda das pessoas) é como encher um balde furado.

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