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notícias·por Leonam Alves·06 de setembro de 2026·6 min

Dívida dos EUA passa de US$ 40 trilhões em 19 meses: por que Trump não freia a alta

Dívida pública americana ultrapassou US$ 40 trilhões em 19 meses do segundo mandato de Trump. Entenda o que isso significa para o mundo.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 06 de set. de 2026, 17:30
Dívida dos EUA passa de US$ 40 trilhões em 19 meses: por que Trump não freia a alta
Foto: Foto: G1 Economia · Unsplash
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A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou a marca de US$ 40 trilhões (cerca de R$ 206 trilhões) nos primeiros 19 meses do segundo mandato de Donald Trump. O número dá a dimensão do ritmo de endividamento da maior economia do planeta: segundo reportagem da G1 Economia, foram US$ 8,3 trilhões adicionados ao estoque total de obrigações do governo federal em menos de dois anos. Pra efeito de comparação, esse valor é maior do que o PIB somado de quase todos os países da América Latina.

Por que a dívida cresce nesse ritmo

A alta tem três motores principais. O primeiro é o déficit fiscal: o governo federal americano gasta mais do que arrecada, e a diferença é financiada com a emissão de títulos do Tesouro. O segundo é o custo da própria dívida: como os juros subiram nos últimos anos, o governo paga cada vez mais só pra rolar (renovar) os títulos que vencem. O terceiro são os gastos obrigatórios com previdência (Social Security) e saúde (Medicare e Medicaid), que crescem automaticamente com o envelhecimento da população.

Trump defende a política econômica e migratória como motor de crescimento. A tese oficial é que cortes de impostos e deportações em massa liberam recursos e dinamizam o mercado de trabalho. Críticos, porém, apontam que o déficit continua elevado justamente porque as receitas não acompanharam o ritmo das despesas.

O que acontece quando uma dívida fica grande assim

Um país só não quebra enquanto os investidores topam financiar sua dívida. No caso dos EUA, existe um benefício: o dólar é a moeda de reserva global (a mais usada no comércio internacional e nos bancos centrais), e os títulos do Tesouro americano são considerados o ativo mais seguro do mundo. Isso faz com que mesmo dívidas enormes encontrem compradores.

Mas essa blindagem não é infinita. Quando a dívida cresce mais rápido que a economia, surgem três riscos:

  • ✓Juros mais altos no longo prazo, porque investidores pedem mais retorno pra emprestar ao governo.
  • ✓Inflação persistente, se o Banco Central (o Fed, equivalente ao Banco Central americano) for pressionado a monetizar a dívida (comprar títulos pra ajudar o governo).
  • ✓Perda de confiança gradual no dólar, processo lento mas sem volta óbvia.
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Nenhum desses cenários é imediato. Mas o tamanho da dívida muda o ponto de partida de qualquer crise futura.

O que muda pra quem tá no Brasil

A dívida americana não é problema só dos EUA. Os títulos do Tesouro servem de referência pros juros no mundo inteiro: quando o rendimento desses papéis sobe, investidores tendem a tirar dinheiro de países emergentes (incluindo o Brasil) pra comprar a dívida americana, considerada mais segura. Foi exatamente o que ocorreu em diversos momentos do governo Lula.

Na prática, isso pressiona o dólar pra cima e a Selic (a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central) tende a ficar mais alta. Pro brasileiro comum, significa crédito mais caro, contas em dólar mais salgadas (viagens, streaming, compras internacionais) e pressão adicional sobre a inflação.

O que observar daqui pra frente

O Congresso americano discute periodicamente o teto da dívida (um limite legal pro endividamento do governo). Nas próximas negociações, o foco deve ser em cortes de gastos obrigatórios e aumento de receitas. Mas reforma estrutural da previdência americana é politicamente difícil há décadas. Enquanto o impasse continuar, a tendência é a curva continuar subindo. O próximo grande teste de mercado virá com a próxima decisão do Fed sobre juros e com qualquer sinal de rebaixamento de nota de crédito dos EUA pelas agências de classificação de risco.

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