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educação financeira·por Leonam Alves·02 de outubro de 2026·5 min

Como sair das dívidas com o método de Tiago Brunet

Entenda a lógica de Tiago Brunet para zerar pendências financeiras tratando a raiz emocional dos gastos e reorganizando sua rotina.

Elegant pink-themed workspace featuring a laptop, cupcakes with candles, and coffee mug.
Foto: Foto: Jilly Noble via Pexels · Unsplash
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O problema quase nunca e a calculadora

Se sair das dívidas dependesse apenas de somar e subtrair, quase ninguém estaria com o nome sujo no Serasa. O educador e escritor Tiago Brunet costuma bater nessa tecla com frequência: a raiz do endividamento raramente é matemática, quase sempre é emocional. Você não estoura o limite do cartão Nubank porque esqueceu quanto ganha, mas porque tentou compensar cansaço com compras ou sustentar um padrão de vida feito apenas para impressionar colegas.

Tratar as pendências apenas cortando o cafezinho costuma falhar porque ignora o motivo que fez você contrair o débito em primeiro lugar. Brunet propõe um caminho em etapas que começa na cabeça e só depois desce para a planilha. Vamos olhar como essa lógica funciona e como aplicar na prática no seu dia a dia.

Reconhecer o estilo de vida artificial

O primeiro passo defendido por Brunet é o choque de realidade. Muita gente vive num degrau acima da sua renda real porque tem medo de parecer que ficou para trás. Isso envolve manter assinaturas que nem usa, bancar saídas caras todo fim de semana e trocar de celular sem necessidade real.

Para romper esse ciclo, você precisa topar descer um ou dois degraus voluntariamente por um período. Isso significa abrir mão de aparências e alinhar seus custos ao que realmente sobra na conta corrente, sem contar com cheque especial ou limite rotativo do cartão de crédito. Se o seu salário mal cobre o básico, o rolê caro precisa esperar.

A faxina emocional antes dos boletos

Brunet divide os gastos impulsivos em três gatilhos principais: carência, status e falta de propósito. Quando uma pessoa se sente frustrada com a rotina de trabalho, é muito comum que ela use compras no shopping ou pedidos diários no iFood como recompensa imediata.

A proposta aqui é monitorar o sentimento que precede a compra. Se a vontade de gastar surge logo após um dia estressante ou depois de rolar o feed do Instagram vendo a viagem de alguém, o problema não é consumo, é fuga. Identificar esse padrão ajuda a frear a mão antes de parcelar mais uma aquisição em dez vezes.

Mapear o estrago sem fingir que ele não existe

Depois de ajustar a mentalidade, chega o momento prático. Tiago Brunet recomenda encarar os credores de frente. Fugir das ligações de cobrança só alimenta a ansiedade e faz os juros acumularem feito bola de neve.

Coloque todas as pendências no papel, separando cada uma pelo valor original, pelo total com juros e pelo custo efetivo total, que representa a soma de taxas, encargos e seguros cobrados na operação. Priorize as dívidas que cobram os juros mais pesados, como rotativo do cartão e cheque especial, pois essas devoram qualquer tentativa de guardar dinheiro.

Na hora de renegociar, adote uma postura firme. Bancos e financeiras costumam oferecer descontos agressivos para pagamentos à vista ou parcelamentos realistas quando percebem que o devedor tem intenção real de pagar, mas dentro das suas condições reais. Nunca aceite um acordo cuja parcela você sabe que não cabe no orçamento do mês seguinte.

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Ativar novas fontes de renda

Cortar gastos tem um limite físico, afinal você ainda precisa comer, pagar aluguel e se locomover. É por isso que o método Brunet enfatiza tanto o aumento de receita. Em vez de focar apenas na escassez, a ideia é olhar para habilidades que você já possui e transformá-las em dinheiro extra.

Isso pode significar prestar serviços como freelancer, vender itens parados em casa, dar aulas particulares ou atuar em trabalhos temporários aos fins de semana. Todo o dinheiro gerado por essa renda complementar não deve ser incorporado aos seus gastos normais: ele precisa ir direto para abater as dívidas mapeadas.

Mudar o ambiente e as companhias

Outro ponto central nos ensinamentos de Tiago Brunet é o poder do ambiente. Se você convive diariamente com pessoas que só pensam em ostentar, gastar sem freio e viver de aparências, a probabilidade de você recair nos velhos hábitos é enorme.

Buscar círculos de amizade que compartilhem metas de crescimento, disciplina e responsabilidade faz toda a diferença para manter a consistência. Mudar de postura financeira exige conversas honestas com amigos e família sobre o momento atual e sobre o que você pode ou não bancar agora.

Grab bag

Dica prática: Tiago Brunet costuma afirmar que quem não governa as próprias emoções acaba escravo do próprio dinheiro. Vale a pena ler o livro Dinheiro é Emocional para aprofundar essa conexão entre mente e bolso.

Números para lembrar: as taxas do rotativo de cartão de crédito no Brasil frequentemente ultrapassam 400 por cento ao ano. Trocar essa pendência por um acordo com parcelas fixas ou liquidar o saldo usando renda extra economiza milhares de reais ao longo dos meses.

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