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educação financeira·por Leonam Alves·25 de julho de 2026·5 min

BC compara cartão brasileiro a fruta exclusiva; entenda a crítica

Presidente do Banco Central diz que sistema de cartão brasileiro é único no mundo, mas questiona se isso é realmente bom. Veja por quê.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 25 de jul. de 2026, 09:30
BC compara cartão brasileiro a fruta exclusiva; entenda a crítica
Foto: Foto: G1 Economia · Unsplash
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Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, comparou o sistema de cartão de crédito brasileiro a uma jabuticaba: é uma fruta legal, mas tem coisa que você não quer ser o único a ter. A frase, dita na quinta-feira durante uma sessão no Congresso, aponta para um problema silencioso que poucos brasileiros percebem: a gente desenvolveu uma forma de usar cartão de crédito que nenhum outro país do mundo copia.

O que exatamente torna o cartão brasileiro único

O sistema de cartão de crédito do Brasil é bem particular. Desde o modelo de parcelamento até o jeito como os juros funcionam, passando pela forma como as bandeiras e bancos se relacionam, tudo foi desenhado de um jeito que só funciona por aqui. É tipo aquele aplicativo que você só consegue baixar no Brasil — tecnicamente funcionaria em qualquer lugar, mas ninguém mais usa porque desenvolveu uma solução diferente.

A questão que Galípolo levanta é essa: se o cartão brasileiro é tão bom, por que as maiores economias do planeta não adotaram o mesmo modelo? Se fosse realmente eficiente, não deveria estar em todo lugar?

Por que isso importa pro seu bolso

Quando um sistema é único, significa que há menos competição externa forçando mudanças. Os bancos brasileiros desenvolveram práticas dentro dessa bolha que talvez não sobrevivessem a uma comparação direta com modelos testados e aprovados globalmente. Alguns exemplos práticos: as taxas de juros do rotativo de cartão chegam a 13% ao mês em alguns casos e parecem normais por aqui porque é o que todo mundo cobra. Mas em outros países, essas taxas seriam consideradas predatórias.

Além disso, o acesso ao crédito via cartão define muito do comportamento de consumo brasileiro. Diferente de países onde o cartão é principalmente uma ferramenta de conveniência, por aqui ele é uma fonte real de crédito de curto prazo pra quem não tem alternativa.

A ironia da observação do BC

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É irônico que o próprio presidente do Banco Central, a instituição que supervisiona esse sistema, aponte o dedo pra ele como algo que talvez não devesse ser único. Isso sugere que há uma preocupação real: ou o sistema é bom demais e não foi adotado por ignorância global (improvável), ou é bom pro Brasil em um contexto específico mas traz riscos que precisam de atenção.

Galípolo não foi específico sobre qual seria a solução ou o risco exato. Mas a comparação com a jabuticaba diz bastante: é boa, mas estranha pra quem está de fora. Estranheza, no jargão de mercado, geralmente significa risco que ainda não foi completamente mapeado.

O que pode mudar

A fala do presidente do BC é um sinal de que pode haver mudanças nos próximos anos. Quando alguém no topo da hierarquia financeira questiona a singularidade de um sistema dessa forma, geralmente vem regulação ou pressão por reforma. A pergunta agora é: será que o Brasil vai se aproximar de padrões globais de cartão de crédito, ou vai continuar seguindo seu próprio caminho e refiná-lo?

Por enquanto, quem usa cartão no Brasil segue navegando pelo mesmo sistema que sempre navegou. Mas falas como a de Galípolo indicam que as pessoas responsáveis estão olhando pra trás e se perguntando se tudo que parece normal é realmente o melhor.

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