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investimentos·por Equipe Endinheirados·17 de julho de 2026·6 min

BDRs: como investir em empresas americanas pela B3

Descubra como funcionam os BDRs, qual a diferença entre eles e as ações internacionais, e como montar uma carteira com empresas dos EUA direto da B3.

A shimmering golden Bitcoin coin standing upright on a reflective surface, illuminated by warm light.
Foto: Foto: Ewan Kennedy via Pexels · Unsplash

Quer investir em Tesla, Apple ou Nvidia mas não quer complicação de abrir conta nos EUA? Tem um caminho mais fácil: os BDRs. Esse é um dos termos financeiros que parece mais complexo do que realmente é — e depois que você entende, pode abrir um mundo de possibilidades pra sua carteira.

O que é um BDR, afinal

BDR significa Brazilian Depositary Receipt. Na prática, é um papel que representa uma ação estrangeira, mas que você compra e vende aqui na B3, a bolsa brasileira, usando reais.

Funciona assim: uma instituição financeira deposita ações de uma empresa americana (ou de outro país) num banco no exterior. Em troca, emite certificados aqui no Brasil que representam essas ações. Cada BDR equivale a uma quantidade específica da ação lá fora — pode ser 1 ação, pode ser 5, depende de qual é.

Exemplo concreto: tem um BDR da Tesla na B3. Quando você compra um BDR TSLA, você está comprando uma fração da ação real da Tesla que está depositada nos EUA. O certificado só representa ela, mas você não precisa mexer em dólar, não precisa de conta internacional, não precisa de nada complicado.

BDR vs ação americana: qual a diferença mesmo

Se você abrir uma conta numa corretora americana tipo Interactive Brokers ou Charles Schwab, você compra a ação direto. Se você compra pela B3, você compra o BDR.

Qual a vantagem? Simplicidade, principalmente. Você usa sua corretora brasileira, investe em reais, não se mexe com dólar na hora da compra. Não precisa lidar com documentação de américano, não precisa de visto, não precisa de número de seguro social. Só abre conta num banco ou corretora daqui e pronto.

Qual a desvantagem? Custo. A instituição que emite o BDR cobra uma taxa de custódia (geralmente 0,5% ao ano) pelo trabalho de manter aquela ação depositada lá fora. Além disso, tem o spread, que é a diferença entre o preço de compra e venda — costuma ser um pouco maior que em ações brasileiras normais.

Outro ponto: quando você investe direto nos EUA, seu dinheiro está lá, em dólares. Quando você investe em BDR, o risco cambial existe — se o real cair demais contra o dólar, seu BDR sobe em reais, mas se o dólar cair, ele desce. Então você está exposto tanto ao movimento da ação quanto ao movimento da moeda.

Os tipos de BDR que existem

Tem dois tipos: BDR patrocinado e BDR não patrocinado.

No BDR patrocinado, a própria empresa estrangeira autoriza o banco brasileiro a emitir os certificados. É mais comum, mais seguro, mais líquido. A maioria das grandes empresas que você conhece (Tesla, Apple, Nvidia) tem BDR patrocinado.

No BDR não patrocinado, é o banco que toma a iniciativa sem autorização da empresa. Costuma ser menos líquido, mais difícil de negociar, e tem mais risco envolvido. Se você está começando, foque nos patrocinados.

Como montar uma carteira com BDRs

Primeiro passo: escolha uma corretora que oferece BDRs. Praticamente todas as grandes corretoras no Brasil têm — XP, Nubank, B3, BTG Pactual, Itaú, Bradesco, todas.

Segundo: decida quantos BDRs você quer e quais empresas. Aqui vale o mesmo raciocínio de ações normais: não coloque tudo em uma. Se você tem R$ 5 mil pra investir, coloca R$ 1 mil em cada BDR? Não necessariamente. Depende do seu objetivo, do seu perfil de risco.

Um exemplo prático: você poderia ter 3 BDRs de big tech (Apple, Microsoft, Nvidia), 2 de outros setores (Coca-Cola de consumer goods, Broadcom de semiconductores), e manter uns 20% em dinheiro pra aportes futuros. Não é receita de bolo — é só um jeito de não colocar todos os ovos no mesmo cesto.

Terceiro: saiba que você precisa de pelo menos algumas centenas de reais em cada posição pra fazer sentido. Os BDRs mais caros (tipo Apple e Nvidia) custam mais de R$ 500 cada um. Os mais baratos ficam na faixa de R$ 50 a R$ 200. Se você tem pouco dinheiro, comece com BDRs mais acessíveis.

Imposto de renda e custos que você precisa saber

Assim como em ações brasileiras, você paga imposto de renda em BDR. Se você vende um BDR com ganho, paga 15% de IR sobre o lucro. Se você recebe dividendo (sim, alguns BDRs pagam dividendo, dependendo da empresa), também paga IR.

A declaração no imposto de renda é obrigatória se a carteira inteira de investimentos ficar acima de R$ 40 mil (aqui conta ação, BDR, FII, tudo junto).

Quanto aos custos, tem a taxa de custódia que falei (geralmente 0,5% ao ano, mas varia). Tem a corretagem que você paga pra comprar e vender (cada corretora cobra uma taxa, varia de R$ 10 a R$ 20 por operação, ou pode ser sem corretagem se usar certos pacotes). E tem o spread do banco que emite o BDR, que fica invisível na cotação mas existe.

Quando um BDR faz sentido na sua carteira

Se você quer diversificar pra fora do Brasil, BDR é uma forma simples de fazer isso. Se você quer ter exposição a empresas americanas mas não quer complicação, é o caminho.

Se você investe pouco por mês (menos de R$ 1 mil), BDR pode não fazer tanto sentido porque o custo relativo fica alto. Um ETF que rastreia ações americanas pode ser mais barato nesse caso.

Se você acredita que o real vai desvalorizar muito, BDR te dá proteção cambial. Se você acha que o real vai valorizar, BDR não é a melhor opção porque você perde quando a moeda sobe.

O risco de ficar de fora vs o risco de entrar errado

BDR não é especulação. Você está comprando uma fração real de uma empresa americana — Tesla, Microsoft, Coca-Cola são coisas que existem, que vendem produtos, que têm lucro. O risco é o mesmo de investir em ações americanas: o risco de a empresa ir mal, de o setor desacelerar, do mercado cair.

Não é pra você se animar e colocar tudo em BDR de startups de IA que prometem crescimento absurdo. Comece com empresas que você conhece, que existem faz tempo, que têm modelo de negócio claro.

Se você tem uma carteira com R$ 10 mil, talvez 10% em BDRs seja o suficiente. Se tem R$ 50 mil, talvez 20% a 30% faça sentido. Depende do seu ponto de vista sobre Brasil vs exterior, sobre seu horizonte de investimento, sobre quanto de volatilidade você aguenta.

BDRs não são pra ficar rico rápido. São pra quem quer crescimento no médio e longo prazo, com diversificação geográfica, sem sair do conforto da B3.

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