Agro muda de jogo: produtores trocam EUA por novos mercados após tarifa de 36,5%
Com tarifa de 25% dos EUA atingindo mais de um terço das exportações, produtores brasileiros como os do Vale do São Francisco reposicionam estratégia de vendas.

O produtor de uva Rodrigo Pamponet, que trabalha no Vale do São Francisco, tirou os Estados Unidos da mira. Não porque deixou de acreditar no mercado americano, mas porque a tarifa de 25% que Donald Trump colocou em produtos brasileiros virou um custo insustentável. Agora, ele busca alternativas em outros países. O caso dele não é isolado: produtores do agronegócio em todo o Brasil estão fazendo contas parecidas, e a conclusão é que redirecionar esforços faz mais sentido que bater cabeça contra uma porta fechada.
A conta não fecha mais com os EUA
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estimou que cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos serão atingidas pela nova tarifa. Não é um percentual qualquer: significa que mais de um terço do que o Brasil exporta pra lá vai ficar significativamente mais caro pro comprador americano. Na prática, produtos como soja, café, carnes e sucos que saem daqui com preço competitivo de repente viram caros demais.
O agronegócio é responsável por cerca de 27% do PIB brasileiro e gera bilhões em exportação todo ano. Os EUA historicamente foram um dos principais mercados, mas quando uma tarifa dessa magnitude entra em jogo, a lógica comercial muda rápido. Quem pagava 100 dólares por tonelada passa a pagar 125, e o lucro encolhe ou desaparece.
Pra onde o agro está olhando
Sem ter clareza sobre como ou quando a tarifa pode ser negociada, produtores começam a bater porta em mercados alternativos. China, Vietnã, Índia e países europeus viram potenciais novos destinos. Alguns já iniciaram conversas, testando preços e logística. A vantagem é que esses mercados, historicamente menores pra produtos brasileiros, oferecem demanda real e crescente.
O desafio é que não é mudança de um mês. Estabelecer relacionamento comercial, cumprir normas sanitárias e logísticas de novos países leva tempo. Enquanto isso, os produtores rodam em dois mundos: ainda precisam vender pro mercado que existe hoje, mas investem em canais que darão retorno depois.
O Brasil tenta se mexer na negociação
O governo brasileiro respondeu à tarifa com classificações como absurda e sinalizou possibilidade de retaliação via Lei da Reciprocidade, que permitiria tarifar produtos americanos em representação. Mas enquanto diplomacia anda lenta, quem produz aqui segue sentindo o aperto real no bolso.
A realidade pra o produtor é que, independente do resultado das negociações entre governos, o mercado não espera: quem tiver produto de qualidade a bom preço em outro lugar vai vender. E o Brasil tem isso. O que tá em questão agora é se consegue redirecionar quantidade suficiente antes que a rentabilidade caia tanto que pequenos e médios produtores não resistam.
O que vem a seguir
Se a tarifa se mantiver pelos próximos meses, o impacto será visível: exportações podem cair pra os EUA, preços podem sofrer pressão em outros mercados porque o agro brasileiro vai procurar alternativa em massa, e a safra recorde que o Brasil projeta pra 2026/27 pode não render o que o setor esperava. Produtores que conseguirem diversificar mercado tendem a sair menos prejudicados. Quem ficar preso à aposta americana corre risco real.
O agronegócio brasileiro sempre se reinventou, e ele tá fazendo isso agora. A questão é se consegue fazer rápido o suficiente e se tem volume pra abastecer novos clientes enquanto mantém a produção em dia. Os números indicam que é possível, mas o tempo tá virando o fator crítico.
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