Quem não cuida do que ganha hoje vira refém do que deve amanhã.
Estatais no vermelho, Desenrola e eleições: o que move o mercado
Domingo de convenção partidária, contas públicas no vermelho e mercados globais ainda digerindo uma semana agitada. O café ainda tá quente, mas o mercado já decidiu o que vai importar nos próximos dias. Você está em boa companhia.
Estatais federais batem recorde de déficit no semestre
Tem um buraco nas contas públicas que passou quase despercebido — e ele é enorme.

R$ 7,8 bilhões
Déficit recorde das estatais federais no primeiro semestre, o maior da história.
As empresas estatais federais acumularam déficit de R$ 7,8 bilhões no primeiro semestre, o maior resultado negativo da história. O Banco Central divulgou os números e eles mostram que o peso das estatais sobre as finanças públicas está crescendo num ritmo que chama atenção. Não é um tropeço isolado: é uma tendência que se aprofunda mesmo num período em que o governo promete ajuste fiscal.
Estatais deficitárias são um problema que chega no bolso de todo mundo de forma indireta: pressionam o gasto público, complicam a meta fiscal e, quando o governo precisa cobrir o rombo, a conta pode vir na forma de mais impostos ou mais dívida, que depois aparece nos juros que você paga no cartão e no financiamento.
Desenrola do Fies cria dilema entre quem pagou e quem não pagou
Ser bom pagador nunca foi tão chato assim.

O Desenrola Brasil chegou ao Fies oferecendo descontos generosos para quem está inadimplente com o financiamento estudantil. O problema é que os estudantes que continuaram honrando as parcelas em dia agora cobram no Congresso o mesmo tratamento. É um dilema clássico de qualquer programa de renegociação: quem se sacrificou pra pagar se sente punido quando o devedor recebe o desconto que ele não teve. O governo, por sua vez, ampliou a participação da União nos fundos de garantia FGI e FGO justamente para bancar a extensão do programa.
Se você tem Fies ou conhece alguém que tem, vale acompanhar de perto os desdobramentos no Congresso. A pressão dos bons pagadores pode gerar algum benefício retroativo, mas historicamente esses programas acabam mesmo favorecendo quem não quitou.
Dado em destaque
Ampliação dos fundos FGI e FGO publicada em Diário Oficial
A tendência é que o Desenrola se expanda ainda mais, e o precedente de beneficiar inadimplentes vai continuar criando pressão política por parte de quem está em dia, o que pode forçar novas rodadas de renegociação.
Todo programa de perdão de dívida resolve um problema e cria outro: o problema de quem nunca deixou de pagar.
Santander dispara 13,4% e praticamente anula o prêmio da OPA espanhola
A matriz espanhola fez uma oferta pra recomprar as ações brasileiras com um prêmio atraente. O mercado respondeu subindo tanto que o prêmio quase evaporou.

As ações do Santander Brasil subiram 13,4% num único pregão, um movimento tão forte que praticamente zerou o desconto que tornava a OPA da matriz espanhola vantajosa para os acionistas minoritários. Quando uma oferta pública de aquisição é anunciada, o preço da ação tende a se aproximar do valor ofertado. Mas quando a alta é dessa magnitude em tão pouco tempo, o investidor precisa recalcular se ainda faz sentido aceitar a oferta ou se já realizou o ganho no mercado.
Quem tinha Santander Brasil na carteira viu uma valorização expressiva em curtíssimo prazo. Agora a dúvida é clássica: embolsa o lucro agora ou espera o desfecho da OPA? A resposta depende do quanto o preço atual ainda oferece desconto em relação ao valor da oferta.
PT lança Lula e o cenário eleitoral começa a se desenhar de vez

O PT realiza neste domingo sua convenção nacional para oficializar a candidatura de Lula à Presidência. Flávio Bolsonaro já confirmou a candidatura pelo seu partido, e Renan Santos entrou na disputa pelo Missão com um documento chamado 'Livro Amarelo' como plataforma. As pesquisas apontam a menor diferença entre Lula e seu principal adversário nas eleições em que ele já disputou. Do ponto de vista do mercado, o que importa é que as plataformas econômicas estão no centro do debate: Flávio promete o maior corte de carga tributária da história, enquanto o PT defende a agenda atual de gastos sociais.
Eleição acirrada significa incerteza mais prolongada. Mercado não gosta de incerteza: quanto mais indefinido o resultado, mais o câmbio e os juros longos ficam nervosos com o risco de mudança de política fiscal. Esse vai ser o tema dominante até outubro.
Tesouro Direto bate recorde com IPCA+ na liderança

O Tesouro Direto registrou seu melhor resultado desde o início do programa em junho, com vendas líquidas de R$ 10,1 bilhões. O destaque foi o Tesouro IPCA+, que atraiu a maior fatia dos aportes. O movimento reflete o apetite do investidor pessoa física por proteção contra a inflação num cenário de juros ainda elevados.
Iene fraco, Fed dovish e volatilidade: o mundo vai digerir tudo isso junto
Quando o maior banco central do mundo muda de tom e o Japão perdeu o controle da sua moeda ao mesmo tempo, o mercado global precisa parar pra respirar.

O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, chegou a levantar a possibilidade de reduzir o número de reuniões anuais de política monetária, o que seria uma mudança sem precedente na forma como o Fed opera. Além disso, o estrategista Michael Hartnett, do Bank of America, classificou o Fed como 'abertamente dovish' e recomendou reduzir exposição a ativos de risco. Em paralelo, Japão e EUA estudam um anúncio conjunto de intervenção cambial após o colapso do iene, que perdeu força de forma significativa. O Goldman Sachs, por outro lado, avalia que o histórico sugere diminuição da volatilidade rotacional nas próximas semanas.
Um Fed mais dovish significa juros menores nos EUA no horizonte, o que tende a beneficiar emergentes como o Brasil, pois o dólar perde um pouco de força e o fluxo de capital busca rentabilidade em outros mercados. Mas se a volatilidade global persistir, esse efeito positivo pode demorar a chegar.
Dado em destaque
Cinco altas acima de 50% no Nasdaq registradas só em julho
A grande questão dos próximos meses é se o rally de IA nos mercados americanos tem sustentação real ou se está construído sobre expectativa demais e resultado de menos.
Quando todo mundo concorda que é pra comprar, geralmente já passou da hora.
BYD cresce 22% em julho mas ainda está longe da meta anual

A BYD registrou alta de 22% nas vendas em julho, mas o volume ainda fica bem abaixo do ritmo necessário para atingir a meta de 5 milhões de unidades no ano. A montadora chinesa precisaria acelerar muito o ritmo nos próximos meses para fechar o gap. Para o mercado brasileiro, onde a BYD vem ganhando espaço rapidamente, o desempenho global da marca vai influenciar os preços e a estratégia de expansão local.
Termômetro do mercado
Dólar
R$ 5,07
▲ 0.08%
Euro
R$ 5,85
▲ 0.15%
Bitcoin
R$ 322.229
▲ 0.65%
Ibovespa
177.999
▲ 0.47%
💡 Curiosidade do dia
O Canal do Panamá movimenta cerca de 5% de todo o comércio marítimo mundial, mas foi construído em condições tão extremas que matar um trabalhador por quilômetro de escavação era quase esperado: estima-se que mais de 5.600 pessoas morreram durante a construção americana, entre 1904 e 1914. Hoje ele é um dos ativos estratégicos mais disputados geopoliticamente no planeta, como o Panamá está descobrindo da forma mais difícil possível depois de ceder terreno para os EUA na disputa com a China.
📚 Palavra do dia
Atavismo
O reaparecimento de comportamentos, traços ou padrões de um passado distante que pareciam superados. Na biologia é um fenômeno físico, mas na psicologia e na sociologia descreve quando indivíduos ou grupos voltam a agir por instintos primitivos mesmo em contextos modernos.
Numa reunião de trabalho, quem bate no peito e grita mais alto para parecer dominante está em pleno atavismo corporativo. Quando o medo de uma queda de bolsa faz você vender tudo em pânico, é o cérebro primitivo sobrepondo a lógica do investidor. Reconhecer o padrão atávico em si mesmo é o primeiro passo para não agir por reflexo e sim por raciocínio.
🌅 Reflexão de domingo
Domingo é o único dia em que o mercado não te cobra nada. Não existe cotação, não existe pregão, não existe vencimento. Talvez por isso seja o melhor dia pra você cobrar de si mesmo o que realmente quer com o dinheiro que ainda vai ganhar.
Enquanto o Brasil oficializa candidaturas e empurra dívidas, o mercado vai fazendo as contas que os políticos preferem ignorar.
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