Quem espera o momento perfeito perde todos os momentos.
Tarifaço dos EUA, petróleo a US$100 e Selic sem corte à vista
O mercado chegou nesta sexta com aquele clima de quem não dormiu bem: petróleo acima de US$ 100, bolsas asiáticas em queda livre, dólar pressionado e o Brasil na berlinda de uma guerra comercial com os EUA. Não é exagero dizer que tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, e tudo isso vai aparecer no bolso mais cedo do que parece. Você já acordou sabendo o que o mercado ainda tá tentando digerir.
Brasil na mira do tarifaço americano: o que muda agora
O Brasil vai dar o troco, mas ninguém sabe exatamente quando nem como.

Os EUA confirmaram uma tarifa adicional de até 12,5% sobre produtos brasileiros, justificada por falhas na fiscalização de trabalho forçado na cadeia produtiva. Somada às sobretaxas que já estavam em vigor, a carga total chega a 37,5% para boa parte dos produtos exportados. O governo brasileiro chamou as tarifas de arbitrárias, anunciou que vai acionar a Lei de Reciprocidade e abrir contestação na OMC. O ministro responsável deixou claro o tom: 'precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo'. As instituições do setor produtivo pediram, na contramão, que a diplomacia seja ampliada antes de qualquer retaliação.
Exportadores brasileiros de carne, aço e produtos industrializados são os primeiros a sentir. Mas o efeito câmbio chega pra todo mundo: real mais pressionado significa importados mais caros, gasolina mais cara e inflação resistindo mais do que o esperado.
Dado em destaque
37,5% de tarifa total sobre produtos brasileiros nos EUA
Se o Brasil retaliar de forma agressiva, o risco é escalar um conflito que já prejudica exportações e pressiona ainda mais o câmbio num momento em que a Selic não tem espaço pra cair.
Guerra comercial não tem vencedor rápido, mas tem perdedor imediato, e ele costuma ser o consumidor do lado mais fraco da balança.
Petróleo passa de US$100, juros sobem e a Selic esquece de cair
Quando o petróleo rompe US$ 100, tudo fica mais caro, de um jeito ou de outro.

A escalada das tensões no Oriente Médio levou o petróleo a superar US$ 100 o barril, sacudindo os mercados globais. As bolsas asiáticas despencaram, com o KOSPI sul-coreano caindo 6% puxado por fabricantes de chips e pelo peso das tarifas americanas. O Ibovespa fechou a sessão de quinta com queda de 0,46%, e o dólar subiu para R$ 5,08. No cenário de juros, o mercado zerou as apostas de corte da Selic em setembro: com os juros globais em alta, reduzir os juros brasileiros agora seria como abrir a janela no meio de uma tempestade. Janet Yellen, ex-chefe do Fed e do Tesouro americano, foi além: sinalizou que o banco central dos EUA pode voltar a subir os juros se as tensões no Oriente Médio continuarem pressionando a inflação.
Selic parada em 14,25% ao ano por mais tempo significa crédito mais caro, financiamento de carro e imóvel mais pesado, e a famosa renda fixa continuando bem atraente por enquanto, mesmo que o CEO da XP ache que você tá viciado nela.
Dado em destaque
US$ 100 por barril de petróleo
Com a inflação americana ameaçando voltar, o Fed pode interromper qualquer ciclo de afrouxamento, o que mantém o dólar forte globalmente e o real sob pressão constante.
Juro alto lá fora não é problema de quem mora nos EUA, é problema de quem tem dívida, salário ou investimento no Brasil.
Governo prorroga subsídio da gasolina por mais 30 dias
Um real e quarenta e quatro centavos a menos no litro não aparecem do nada.

R$ 0,44 por litro
Subsídio da gasolina prorrogado por mais 30 dias pelo governo federal
Com o petróleo ultrapassando US$ 100 e as tensões no Oriente Médio mostrando que não vão se resolver rápido, o governo prorrogou por mais 30 dias o subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina. A medida estava vigente desde maio e vencia neste fim de semana. Sem ela, o preço no posto subiria imediatamente.
O subsídio segura o preço no curto prazo, mas custa dinheiro público. Com o fiscal já pressionado e especialistas falando em juros de 45% se o ajuste não vier, cada prorrogação é uma conta que aparece em outro lugar depois.
Bolsa em baixa, gestores veem oportunidade no pessimismo
Ibovespa caiu 11% desde o pico histórico. Gestores grandes estão comprando enquanto a maioria foge.

Desde abril, o Ibovespa recuou cerca de 11% do seu recorde histórico, perto de 199 mil pontos. O tombo criou uma leva de ações que os gestores da Ibiúna, Encore e Guepardo classificam como baratas com alto potencial de retorno. A tese deles é direta: ações brasileiras estão entregando retorno equivalente a IPCA+14% ao ano, contra IPCA+8% do Tesouro. Ou seja, pra quem aguenta a volatilidade, a bolsa tá pagando quase o dobro da renda fixa mais popular.
Não é pra largar o Tesouro IPCA+ amanhã. Mas ignorar a bolsa porque ela caiu é o mesmo raciocínio de evitar o mercado porque ficou mais barato. A pergunta certa não é se vai cair mais, é quanto tempo você tem pra esperar.
CNPJ sai do ar no fim de semana: o que você precisa saber

A Receita Federal paralisa o sistema de CNPJ neste fim de semana para implantar o novo modelo alfanumérico, que mistura letras e números no lugar dos 14 dígitos atuais. Enquanto o sistema estiver fora, consultas, cadastros e alterações ficam indisponíveis até segunda-feira. Quem precisava fazer qualquer movimentação cadastral emergencial vai ter que esperar.
Se você tem empresa ou MEI, planeje o fim de semana sem depender do CNPJ. A mudança em si não afeta operações em andamento, mas qualquer processo novo terá que aguardar a reabertura do sistema.
Intel sobe mais de 5% e Travis Kalanick levanta US$ 1,7 bi para nova startup

A Intel divulgou previsão de lucro e receita acima das estimativas do mercado e as ações dispararam mais de 5% no after-hours. É o tipo de resultado que respira um pouco de vida numa semana em que Tesla caiu 15% e o entusiasmo com IA começou a ser testado por resultados concretos. Em paralelo, Travis Kalanick, o fundador do Uber que saiu pela porta dos fundos, levantou US$ 1,7 bilhão entre equity e dívida para a Atoms, startup de automação industrial com apoio da a16z.
Leilão da Régis Bittencourt tem deságio de 22,5% no pedágio
A rodovia mais temida de São Paulo acaba de mudar de mãos, com promessa de pedágio mais barato.

A EPR venceu o leilão da concessão da Régis Bittencourt, trecho entre São Paulo e o Paraná, com um deságio de 22,5% nas tarifas de pedágio em relação ao valor de referência. Bateu propostas da Motiva e da Arteris, atual operadora. A Régis é uma das rodovias com maior volume de acidentes e problemas operacionais do país, e a concessão abre espaço para investimentos pesados em manutenção e duplicação.
Pedágio mais barato e rodovia mais segura é impacto direto pra quem usa o trecho, especialmente transportadoras, que repassam custo logístico pro preço final de tudo que você compra.
Termômetro do mercado
Dólar
R$ 5,08
▼ 0.29%
Euro
R$ 5,78
▼ 0.26%
Bitcoin
R$ 332.388
▼ 0.07%
Ibovespa
176.723,62
▼ 0.46%
💡 Curiosidade do dia
O nome 'dollar' vem do termo tcheco 'tolar', abreviação de Joachimsthaler, que era uma moeda de prata cunhada na cidade de Joachimsthal, na Boêmia, no século XVI. Ou seja, a moeda mais poderosa do mundo tem origem num nome de cidade de mineração no interior da Europa Central. A próxima vez que o dólar subir, você pode culpar uma mina de prata tcheca de 500 anos atrás.
📚 Palavra do dia
Catexia
Conceito da psicanálise que descreve o investimento de energia psíquica em um objeto, pessoa ou ideia. Em termos práticos, é o quanto de atenção emocional e mental você deposita em algo, às vezes sem perceber.
Quando você fica checando o preço de uma ação dez vezes por dia, não é análise financeira, é catexia. O problema é que quanto mais energia você investe emocionalmente num ativo, mais difícil fica tomar decisões racionais sobre ele. Reconhecer onde sua catexia está é o primeiro passo pra separar o que você quer que aconteça do que os dados mostram.
🍿 Recomendação de sexta
Se você ainda não assistiu Succession, a série da HBO, o fim de semana é uma boa desculpa pra começar. É sobre uma família de bilionários brigando pelo controle de um império de mídia, mas o que ela realmente mostra é como dinheiro e poder corrompem decisões, relacionamentos e até a noção de quem você é. Quatro temporadas, e cada episódio parece um masterclass de psicologia corporativa disfarçado de drama familiar.
O que os próximos dias vão revelar é se o Brasil vai negociar saída ou escalar conflito, e essa resposta vai aparecer antes no câmbio do que em qualquer comunicado oficial.
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