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notícias·por Equipe Endinheirados·24 de julho de 2026·7 min

Brasil ativa reciprocidade contra tarifas de Trump; primeiro teste de força

Governo brasileiro autoriza resposta comercial aos EUA após tarifas anunciadas. Ministro avisa: 'Precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo'.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 24 de jul. de 2026, 00:30
Brasil ativa reciprocidade contra tarifas de Trump; primeiro teste de força
Foto: Foto: G1 Economia · Unsplash

O governo brasileiro está autorizado a usar a lei da reciprocidade comercial contra os Estados Unidos em resposta às novas tarifas anunciadas nesta quinta-feira (23). É a primeira vez que Brasília articula essa resposta de forma mais contundente desde o início do conflito, sinalizando que vai além da retórica.

O que aconteceu: a nova onda de tarifas dos EUA

Os EUA anunciaram tarifas que afetam produtos brasileiros. Segundo o governo, a decisão é injustificada e unilateral. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, deixou claro em comunicado nesta quarta-feira (22) que o Brasil não vai ficar quieto apenas se queixando.

A reciprocidade: a arma guardada na manga

A lei da reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, permite ao Brasil impor tarifas de retaliação sobre produtos americanos de forma equivalente. Márcio Elias Rosa foi direto ao ponto: "Precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo". Isso não é ameaça vaga. É aviso de que Brasília está se movimentando pra usar o instrumento.

A diferença agora é que o governo deixou claro que vai usar essa ferramenta quando necessário. Não é mais só conversa sobre possibilidades. A mensagem é clara: temos as cartas, sabemos como jogar, e estamos prontos.

Quem fica de fora (por enquanto)

  • Café brasileiro permanece fora da tarifa de 12,5% dos EUA
    - Carne bovina também foi poupada neste primeiro movimento
    - Outros produtos brasileiros foram atingidos pela tarifa de 25%

A exclusão do café e da carne é estratégica. São produtos que geram empregos, exportação e renda real no Brasil. Sugerem que Trump reconhece a importância desses setores e talvez também queira manter margens de negociação abertas.

O contexto: por que agora?

As tarifas de Trump entraram em vigor recentemente, e o Brasil já tinha preparado um pacote de resposta de R$ 18,5 bilhões em crédito para setores afetados. Mas usar a reciprocidade é diferente: é atacar de volta, não apenas aliviar os danos internos. O que muda agora é o tom. O governo sinalizou que conhece as regras do jogo comercial e não vai brigar com as mãos amarradas. Se os EUA ferirem, o Brasil ferirá também.

O que vem a seguir

Tudo depende de como Trump responde. Se recuar ou negociar, a reciprocidade pode não ser usada. Se elevar ainda mais as tarifas, Brasília tem o argumento pra retaliar sem parecer agressiva. É xadrez comercial em tempo real, e o Brasil acabou de mover uma peça significativa.

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