Viridis obtém R$ 77,5 milhões do BNDES para terras raras em Minas Gerais
A mineradora Viridis garantiu crédito de R$ 77,5 milhões com o BNDES para acelerar o projeto Colossus e mira fatia acionária do banco estatal.

A mineradora australiana Viridis Mining and Minerals acabou de fechar um financiamento de R$ 77,5 milhões com o BNDES pra bancar etapas decisivas do projeto Colossus, em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais. O empréstimo tem prazo de pagamento de 16 anos e vai direto pra construção de um centro de pesquisas e operação de uma planta piloto focada na extração de terras raras.
O movimento faz parte de uma ofensiva clara pra colocar o Brasil no mapa das maiores reservas desses minerais fora do território chinês, aproveitando um momento em que potências ocidentais correm pra cortar a dependência quase cega de Pequim.
A disputa silenciosa pelos minerais do futuro
Quando se fala em transição energética, quase todo mundo lembra logo de lítio e baterias de carros elétricos. Só que as terras raras são a engrenagem que faz o resto funcionar: trata-se de um grupo de dezessete elementos químicos usados pra fabricar desde ímãs superpotentes de turbinas eólicas até motores de caças militares e componentes de celulares.
Hoje a China domina com folga toda a cadeia de refino desses materiais. Por conta dessa concentração pesada, governos da Europa e dos Estados Unidos começaram a abrir os cofres pra financiar projetos alternativos. Foi nessa esteira que o projeto Colossus entrou na lista do plano de R$ 5 bilhões estruturado pelo BNDES e pela Finep pra desenvolver fornecedores locais de minerais estratégicos.
A matemática do projeto Colossus
Erguer uma estrutura desse porte do zero custa caro. A previsão de investimento total da Viridis pra colocar a operação comercial de pé gira em torno de 449 milhões de dólares, o que passa dos 2 bilhões de reais na cotação atual.
Pra cobrir essa cifra sem estrangular o caixa, a empresa desenhou uma captação em várias frentes:
- ✓Levantou 75 milhões de dólares em capital próprio com a gestora One Investment Management, fundada pelo ex-executivo do SoftBank Rajeev Misra, superando a meta de 30% de recursos próprios exigida pro negócio.
- ✓Garantiu cerca de 15 milhões de dólares na linha de crédito de longo prazo aprovada pelo BNDES, com 16 anos pra amortização.
- ✓Reduziu a fatia que ainda precisa levantar via dívida pra perto de 280 milhões de dólares pra colocar a usina de pé.
Com esse arranjo, a mineradora ganha fôlego pra tocar os testes técnicos enquanto busca o restante do dinheiro no exterior com credores na Europa, na Austrália e no Canadá.
Próximos passos e a presença estatal
Pelas contas do CEO da Viridis, Rafael Moreno, a meta da companhia é amarrar todo o pacote financeiro que falta num intervalo de até seis semanas. Além de buscar crédito bancário tradicional, a mineradora conversa diretamente com a BNDESPar pra que o braço de participações do banco estatal compre uma fatia acionária no negócio.
Se o cronograma andar sem travas de licenciamento ou gargalos na montagem da estrutura pesada, a expectativa é que a usina comece a produzir comercialmente no segundo semestre de 2028.
Pra quem acompanha o setor de matérias-primas, o avanço da Viridis mostra uma mudança de rota: o esforço pra tirar o Brasil da posição de mero exportador de minério de ferro bruto e colocá-lo na cadeia de refino de minerais com valor agregado muito mais alto.
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