Oi vende telefonia por R$ 60 mi; respiro na dívida bilionária
Em recuperação judicial, Oi (OIBR3) formalizou venda da unidade de serviços telefônicos para Método Telecomunicações. Movimento é parte da estratégia de reduzir

A Oi (OIBR3), que está em recuperação judicial desde 2016, vendeu neste sábado sua unidade de serviços telefônicos pra Método Telecomunicações e Comércio. O valor é de R$ 60 milhões, segundo fato relevante divulgado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A estratégia por trás da venda
Isso não acontece isolado. A Oi carrega uma dívida que passou de bilhões, e cada venda de ativo é uma tentativa de aliviar o peso desse rombo. Ao passar a unidade de telefonia pra Método, a operadora corta custos operacionais e consegue gerar caixa pra pagar credores.
Aqui tá a coisa: telefonia fixa é o segmento que menos cresce dentro de uma operadora de telecom nos dias de hoje. Dados móveis, internet de banda larga e serviços em nuvem é que concentram a lucratividade do setor. Pra uma empresa em apuro financeiro, se livrar de uma unidade menos rentável faz sentido do ponto de vista estratégico.
O que muda para o cliente
Quem usa telefone fixo da Oi não acorda segunda-feira com um número diferente. A Método Telecomunicações, a operadora que recebe o serviço, é responsável por manter a continuidade pro cliente. Na prática, é mais uma mudança de guarda-chuva corporativo do que uma quebra na experiência do usuário.
A Oi precisa garantir que os dados, contratos e carteira de clientes sejam passados à nova operadora. Pode rolar alguma disputa por clientes corporativos ou problema de compatibilidade de sistemas no curto prazo, mas tanto os reguladores quanto a Método têm interesse em manter tudo funcionando.
O quadro maior: Oi num processo longo
Desde 2016, a Oi passou por várias rodadas de reestruturação. Vendeu ativos, reduziu operações em certos estados, tentou ficar mais enxuta. A venda da telefonia é mais um degrau nessa escalada.
O que vale agora é a velocidade: conseguir gerar caixa rápido o suficiente pra sair da recuperação com as contas menos destruídas. Credores — bancos, fornecedores — tão acompanhando cada movimento. Se as vendas de ativos não gerarem liquidez adequada, outros segmentos podem virar alvo.
Pra quem tem ação da Oi (OIBR3), a notícia é neutra, talvez um pouco positiva. Num é uma bomba inesperada nem um catalisador mágico de recuperação. É operacional, previsível, parte do jogo. O mercado já tinha precificado a possibilidade de vender ativos — agora um deles ficou concreto.
O que vem pela frente
O próximo capítulo depende de quanto a Oi ainda precisa resolver em dívidas e do interesse de investidores em ativos da operadora. A Método Telecomunicações, por sua vez, ganha a chance de integrar uma base de clientes pronta e testar sua capacidade operacional. As duas empresas saem dessa transação com objetivos bem diferentes — a Oi querendo respirar de novo, a Método querendo crescer.
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