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ganhar dinheiro·por Equipe Endinheirados·04 de julho de 2026·7 min

MEI vs PJ: qual dá mais dinheiro na sua mão

Comparação honesta entre MEI e PJ: impostos, custos, quanto você realmente recebe. Saiba qual vale a pena pro seu perfil.

Woman's hand holding coffee on a vibrant desk with crochet container and Lenovo laptop.
Foto: Foto: Joanna Areal via Pexels · Unsplash

Tá na hora de sair do escuro e formalizar aquele bico? Aí bate a dúvida que todo mundo tem: abro MEI ou viro PJ? A resposta óbvia seria 'depende', mas isso não resolve nada. Então vamos pra conta real, aquela que importa: quanto sobra de verdade no seu bolso em cada situação.

O que muda na prática entre MEI e PJ

Antes de comparar números, precisa entender que MEI e PJ são duas coisas bem diferentes juridicamente, e isso muda tudo na sua vida de freelancer ou empreendedor.

MEI é Microempreendedor Individual. Você fica formalizado como pessoa jurídica, mas com regras bem simples. PJ é você como Pessoa Jurídica mesmo, com CNPJ, e aqui as responsabilidades são maiores.

Pensa assim: MEI é como se você pedisse permissão pro governo pra trabalhar por conta própria de um jeito leve. PJ é você montando um negócio de verdade, com mais liberdade mas também mais prestação de contas.

O custo mensal: onde o dinheiro vai embora

No MEI, você paga uma taxa mensal única chamada DAS. Essa taxa é pequena e varia pouco: sai em torno de R$ 60 a R$ 80 por mês, dependendo da sua atividade. É basicamente a taxa pra estar legalizado.

Se você ganha R$ 5 mil por mês como MEI, passa R$ 60 pra o governo e sobram R$ 4.940.

No PJ, não tem essa taxa fixa. O que você paga é imposto de renda e contribuição social sobre seus lucros. E aqui varia muito conforme quanto você ganha.

Se você ganha R$ 5 mil como PJ, dependendo de como se registra, pode sair uns R$ 800 a R$ 1.200 de impostos. Sobram R$ 3.800 a R$ 4.200.

Parece que MEI sai ganhando? Pois é, mas tem mais detalhes.

Os limites do MEI: onde tudo muda

Aqui tá o problema real do MEI. Você só pode ganhar até R$ 30 mil por mês em receita bruta. Se passar disso, precisa sair do MEI e virar PJ ou abrir uma empresa de verdade.

Na prática, se você tá faturando R$ 50 mil, não consegue ficar como MEI. Aí é obrigado a ser PJ.

Além disso, como MEI você não pode ter funcionário. Se você quer contratar alguém ajudando em seus serviços, aí complica. Precisa virar algo maior.

PJ não tem limite de faturamento. Você pode ganhar R$ 100 mil por mês sem problema. A desvantagem é que quanto mais você ganha, mais imposto paga.

Imposto: a conta que importa mesmo

Aqui é onde as pessoas se perdem. No MEI, você paga aquele DAS fixo todo mês. Mas tem um detalhe importante: você ainda precisa fazer a declaração de imposto de renda como pessoa física. Se você ganhar acima de certo valor, tem que declarar.

No MEI, se você ganhar até cerca de R$ 1.903 por mês (valor de 2026), não precisa pagar imposto de renda. Acima disso, paga como todo trabalhador.

No PJ, a coisa é mais direta. Você abre uma empresa, fatura, e tem que pagar imposto sobre o lucro. Dependendo de como se registra como PJ, pode usar regime de lucro real, lucro presumido ou simples. Cada um tem uma alíquota diferente.

Lucro presumido é o mais comum pra PJ pequeno. Ali você paga imposto em cima de um percentual estimado do que fatura, não do que realmente lucra. Sai em torno de 15% a 20% da receita em impostos federais, mais contribuições estaduais e municipais.

Comparando: MEI com faturamento de R$ 15 mil mensais sai gastando uns R$ 60 em DAS mais o imposto de renda. PJ no mesmo faturamento sai uns R$ 2.500 a R$ 3 mil de impostos.

Mas se o MEI ultrapassa R$ 30 mil, aí fica irregular. Se a PJ ganha R$ 100 mil, paga mais imposto, é verdade, mas tá tudo legal.

Quanto sobra efetivamente no seu bolso

Vamos pegar exemplos reais pra isso ficar claro.

Cenário 1: você ganha R$ 10 mil por mês como freelancer.

Se for MEI: paga R$ 70 em DAS mais imposto de renda progressivo. Sai umas 100 reais de IR se já trabalha com isso há tempo. Total de impostos: R$ 170. Sobram R$ 9.830.

Se for PJ no lucro presumido: paga uns R$ 1.700 de impostos federais. Se tiver gastos comprovados (equipamento, internet, cliente em outro estado), pode deduzir. Sobram R$ 8.300, mais ou menos.

Nesse patamar, MEI vale muito mais. Você economiza uns R$ 1.500 por mês.

Cenário 2: você ganha R$ 40 mil por mês.

Como MEI: não pode. Passa do limite de R$ 30 mil.

Como PJ: paga uns R$ 8 mil em impostos federais e estaduais. Se deduzir custos legítimos, reduz pra uns R$ 6 mil. Sobram R$ 34 mil.

Aí a questão não é mais economizar em impostos. É que você TEM que ser PJ pra ganhar nesse nível.

Outras diferenças que mexem com o dinheiro

Ter CNPJ como PJ abre portas que MEI não abre. Você consegue faturas com empresa maior, acesso a crédito pro negócio, e pode até terceirizar despesas legítimas que reduzem imposto.

Como MEI, você pega menos clientes grandes porque muita empresa não quer faturar com MEI. Elas querem PJ mesmo.

Se você quer escalar e pegar clientes corporativos, PJ abre mais chance. Se você tá começando e tem poucos clientes, MEI poupa dinheiro.

Outro ponto: contribuição ao INSS. Como MEI, você contribui como autônomo, o que é mais barato. Como PJ, você precisa contribuir ao INSS se quiser ter benefícios de aposentadoria, e sai mais caro.

A decisão honesta

Se você ganha até R$ 20 mil por mês e não precisa de CNPJ pra pegar cliente, MEI sai muito mais barato. A diferença é de R$ 1 mil a R$ 2 mil por mês que você poupa.

Se você ganha mais de R$ 30 mil, ou trabalha com cliente corporativo, precisa ser PJ. Não tem escolha legal.

Se tá entre R$ 20 mil e R$ 30 mil, aí precisa olhar pra sua situação: quantos clientes você perderia se não fosse PJ? Se a resposta for 'nenhum', fica MEI mesmo. Se for 'vários', vale pagar mais imposto pra ter CNPJ.

O maior erro é achar que tem uma resposta universal. Tem não. Depende do seu faturamento real, do tipo de cliente que você pega, e do quanto quer crescer.

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