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ganhar dinheiro·por Equipe Endinheirados·04 de julho de 2026·6 min

Como ganhar dinheiro alugando um quarto: a conta real

Descubra quanto rende alugar um quarto extra por temporada. Custos reais, quanto você fica na mão e se vale a pena.

A man gazes at a stunning sunset from his bedroom window, overlooking a cityscape.
Foto: Foto: Jan Vee via Pexels · Unsplash

Você tem um quarto que não tá usando? Uma pessoa conhece outra que conhece outra que ganhou grana boa alugando um quarto no Airbnb. A história é tentadora, mas a realidade do dinheiro que sobra na sua conta é bem diferente do que pareça à primeira vista.

A gente vai conversar sobre os números de verdade aqui. Quanto dá pra ganhar, quanto você gasta com isso e se a conta fecha pra valer na sua vida.

O quarto que promete renda

Alugar um quarto por temporada virou comum porque soa fácil: você tem o espaço parado, arruma, coloca lá no Airbnb e pronto. Pessoas vêm, pagam, você ganha. Só que entre essa ideia e o dinheiro que cai na conta há vários passos que ninguém destaca quando tá contando aquela história de sucesso.

Primeiro, deixa a gente ser honesto: Airbnb é a plataforma mais usada pra isso no Brasil, mas não é a única. Tem Booking, Hospedagem.com e até grupos locais no Facebook. A escolha importa porque cada uma cobra uma taxa diferente.

Quanto as plataformas tiram da sua grana

No Airbnb, você paga uma taxa que fica entre 3% a 5% do valor de cada reserva, dependendo da categoria do seu anúncio. Parece pouco, mas quando você soma, sai caro. Se você cobra R$ 150 a noite e tem 20 noites alugadas por mês, são R$ 3 mil de faturamento bruto. A taxa consome entre R$ 90 e R$ 150 disso.

Booking costuma cobrar entre 15% a 25% do valor final. É bem mais. Hospedagem.com sai em torno de 18% a 20%. Quando você coloca o quarto em várias plataformas ao mesmo tempo, que é o jeito mais seguro de otimizar a ocupação, você tem que gerenciar essas comissões todas.

Além disso, tem o custo de processamento de pagamento. Se o hóspede paga com cartão internacional, você perde mais um percentual. Se usa PIX ou transferência, os riscos de fraude aumentam.

Os gastos que comem o lucro

Agora vem o que ninguém fala: os custos que transformam o faturamento em lucro de verdade.

Limpeza é o maior deles. Se você aluga pra pessoas diferentes toda semana, precisa limpar entre cada hóspede. Pode fazer sozinho se tiver disposição, mas no começo a maioria contrata alguém. A limpeza profissional sai entre R$ 80 a R$ 150 por hóspede. Se você tem 5 hóspedes diferentes por mês, são R$ 400 a R$ 750 só nisso.

Água, luz e internet aumentam quando tem gente morando lá, mesmo que seja temporário. Você pode embutir isso na diária, mas a maioria dos anfitriões tem que absorver. Soma uns R$ 30 a R$ 50 por noite se a ocupação for alta.

Toalhas de banho usam bastante. Se você não quer lavar, compra toalhas novas com frequência. Papel higiênico, sabonete, shampoo, café da manhã se oferecer: tudo soma. Dá pra controlar comprando no atacado, mas é custo mensal.

Manutenção do imóvel. Pintura descasca, torneira vazando, vidro quebrado. Se você depende de renda de aluguel, não pode deixar o quarto com problema. Manutenção preventiva é caro, mas emergência é mais.

Seguro. Muitas seguradoras não cobrem aluguel por temporada com a mesma apólice de moradia. Você pode perder a cobertura ou ter que pagar mais. Lê a letra pequena do seu seguro.

Taxas de administração se você contratar uma empresa pra gerenciar (foto, anúncio, comunicação, check-in). Isso sai entre 15% a 20% da renda bruta.

Quanto sobra de verdade

Vamos fazer a conta com um exemplo concreto. Digamos que você tenha um quarto legal em uma cidade com bom movimento turístico. Consegue cobrar R$ 150 por noite e aluga 20 noites por mês (ocupação de 66%, que é bem realista).

Faturamento bruto: R$ 3 mil.

Menos comissão da plataforma (4%): R$ 120.

Menos limpeza entre hóspedes (R$ 100 por hóspede, 5 trocas): R$ 500.

Menos extras (água, luz, internet, produtos de higiene): R$ 150.

Menos manutenção preventiva mensal: R$ 100.

Sobram R$ 2.130 de receita líquida.

Só que tem um detalhe: esse é um mês OK. Se ocupação cair pra 50% (12 noites) porque é baixa temporada, faturamento vira R$ 1.800 bruto e depois das despesas fixas você fica com uns R$ 900. Pior ainda: se precisar fazer manutenção maior (vazamento, problema elétrico), um mês pode virar prejuízo.

Quem realmente ganha com isso

O modelo funciona bem pra quem tem algumas coisas alinhadas: um quarto em local com demanda turística real (não basta ser interior, precisa ter movimento); capital inicial pra arrumar o quarto direito (móvel bom, fotos profissionais, ótima internet); disposição pra gerenciar hóspedes (responder mensagem, resolver problema); ou grana pra pagar alguém que faça isso.

Se você tem um quarto num bairro central de São Paulo, Rio ou Brasília, durante a alta temporada, com fotos bonitas e avaliações boas, consegue ocupação alta e cobra mais. Aí muda a equação.

Quem tem um imóvel maior e aluga vários quartos também consegue diluir custos fixos. Você limpeza, internet e manutenção entre mais fontes de renda.

Quem tem paciência de gerenciar tudo sozinho economiza a comissão de administrador.

Vale a pena mesmo?

Depende do que você espera. Se quer grana rápida e fácil, não vale. Se pensa em ganhar R$ 2 mil mensais sem fazer nada, é ilusão.

Se você tem espaço que tá vazio mesmo, relativamente bem localizado, e consegue estruturar direito, dá pra virar uma renda extra decente de uns R$ 1.500 a R$ 2 mil por mês. Mas exige trabalho inicial, tempo pra gerenciar e absorção de risco.

Tem gente que fez isso funcionar bem. Tem gente que começou e desistiu porque saturação local, hóspedes ruins ou cansaço de gerenciar. A história de sucesso depende muito menos da plataforma e muito mais da sua realidade local e disposição.

Se tá pensando nisso, comece pequeno. Aluga por algumas semanas e vê na prática qual é o fluxo de trabalho, os custos reais e se aquele dinheiro que sobra compensa o incômodo.

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