💰
Endinheirados
investimentos·por Leonam Alves·06 de setembro de 2026·6 min

60% dos investidores seniores preferem FIIs — e o motivo surpreende

Parcela de investidores com mais de 60 anos que aplica em fundos imobiliários saltou em 6 anos, mesmo com juros altos no mercado.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 06 de set. de 2026, 22:30
Parcela de seniores investindo em FIIs salta para 60% em 6 anos, mostra  pesquisa
Foto: Foto: InfoMoney · Unsplash
Publicidade

Sessenta por cento dos investidores brasileiros com mais de 60 anos hoje têm algum dinheiro aplicado em fundos imobiliários (FIIs). Há seis anos, essa fatia era bem menor: ficava em torno de 40%, segundo dados levantados pela Money Times a partir de pesquisas de perfil do investidor brasileiro. O número mostra uma virada silenciosa num canto do mercado que muita gente ainda trata como coisa de tiozão que compra imóvel na planta.

A surpresa não é só o tamanho, é quem está puxando

FIIs são fundos de investimento que compram e gerenciam imóveis comerciais, como shoppings, lajes corporativas e galpões logísticos, e distribuem a renda dos aluguéis todo mês aos cotistas, geralmente por meio de dividendos (parcelas do lucro repassadas aos investidores). Muita gente associa esse tipo de investimento a um público jovem, antenado em aplicativo de corretora, mas o dado da Money Times aponta o contrário: o crescimento nos últimos seis anos foi puxado justamente por quem já passou dos 60.

E o detalhe contraintuitivo: isso aconteceu mesmo num cenário de juros altos, quando a renda fixa paga bem mais do que pagava na década passada. Em tese, o investidor sênior deveria estar confortável na renda fixa e sem motivo pra arriscar em FIIs. Só que não foi o que aconteceu.

Por que o sênior migrou mesmo com Selic nas alturas

A explicação mais provável está numa combinação de fatores. Primeiro, o investidor sênior de hoje não é o mesmo de duas décadas atrás: tem mais acesso a informação, corretora no celular e costume de pesquisar antes de aplicar. Segundo, os FIIs se profissionalizaram, e hoje há fundos de papel (que investem em títulos de renda ligados ao setor imobiliário), fundos de tijolo com gestão ativa e produtos com volatilidade menor do que a de uma ação. Pra quem está construindo renda pra complementar o INSS (o benefício de aposentadoria pago pelo governo), os dividendos mensais funcionam como um aluguel sem ter que lidar com inquilino.

E tem um terceiro ponto, mais pragmático: a renda fixa no Brasil passou a pagar bem, mas paga menos do que pagou no auge do ciclo de aperto. Quem entrou em FII há dois ou três anos travou yield (rentabilidade anualizada) de dois dígitos, e agora resiste a sair mesmo com a Selic (taxa básica de juros definida pelo Banco Central) em queda. Sair do fundo significaria abrir mão de um fluxo mensal já consolidado.

O que isso diz sobre o mercado

O movimento mostra que o investidor brasileiro amadureceu de forma desigual: o jovem entrou de cabeça em ações, criptomoedas e ETFs (fundos que replicam índices, como o Ibovespa), enquanto o sênior encontrou nos FIIs um caminho de renda passiva mais palatável do que a renda fixa tradicional. A leitura prática é que o mercado de fundos imobiliários tem uma base de cotistas mais resiliente do que muitos relatórios de corretora costumam admitir.

Publicidade

Mas tem ressalva. A pesquisa não separa quem comprou FIIs bons de quem comprou FIIs ruins. Nos últimos anos, fundos endividados, com vacância alta (muitos imóveis vazios sem inquilino) ou exposição a obras atrasadas fizeram muita gente queimar o dedo. Então a preferência do sênior pelo produto é um sinal de maturidade do comportamento, não um atestado de qualidade do que está na prateleira.

O que observar daqui pra frente

Dois pontos vão definir se esse público continua crescendo ou se estabiliza. O primeiro é a Selic: com a taxa básica em trajetória de queda, o diferencial de rendimento entre FIIs e renda fixa tende a apertar, o que pode esfriar parte da entrada nova. O segundo é a saúde do setor imobiliário corporativo, já que a vacância em lajes corporativas ainda preocupa e os galpões logísticos dependem do ritmo do e-commerce.

Pra quem está começando a olhar pra FIIs agora, o básico continua valendo: olhar o dividend yield (rentabilidade em dividendos em relação ao preço da cota), a vacância do fundo e o nível de endividamento. Sênior ou não, FII bom é FII bem examinado.

Quer entender mais sobre fundos imobiliários? Tem um guia no blog que explica do zero como funcionam.

Leia também

Opep+ mantém produção de petróleo e mercado fica de olho no Irã

CVM foi a Nyse, Nasdaq, SEC e Coinbase pra acelerar tokenização no Brasil

Marcação a mercado: por que seu investimento oscila todo dia (e quando isso te prejudica)

Fontes

Termômetro de imparcialidade

Compromisso editorial: notícia sem viés. Como você avalia a cobertura desta matéria?

Publicidade

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário

Sem cadastro. Comentários são moderados; respeite os outros leitores.