EasyJet troca Castlelake por Apollo em giro de 180º; entenda o jogo
Quatro dias após aceitar oferta de US$ 6,7 bi, companhia aérea britânica muda de ideia e fecha deal com Apollo por US$ 7,6 bi. O que mudou?

A EasyJet mudou de comprador em menos de uma semana. Depois de aceitar a proposta da gestora americana Castlelake por 6,90 libras esterlinas por ação num deal de US$ 6,7 bilhões, a companhia aérea britânica anunciou uma oferta melhor da concorrente Apollo: US$ 7,6 bilhões, ou US$ 900 milhões a mais. O resultado é aquele que ninguém esperava: a Castlelake, que tinha insistido semanas para conquistar a EasyJet, saiu do jogo em menos de 96 horas.
O preço mudou, mas será que a história é simples assim?
A coisa toda vai bem além de números, apesar de US$ 900 milhões serem uma diferença nada desprezível. O que importa mesmo aqui é entender como funcionam essas guerras de aquisição no mercado financeiro. Quando uma companhia recebe ofertas simultâneas de grandes fundos de investimento, o conselho administrativo fica espremido de todos os lados: acionistas querendo extrair o máximo valor, reguladores analisando qual cenário é melhor pro setor, e fundos de private equity competindo ferozmente pela presa.
A Castlelake tinha apresentado sua proposta como firme e final. Mas quando a Apollo entrou com um lance mais alto, a conta mudou completamente. Isso levanta uma pergunta que fica na cabeça: quanto daquela "insistência" inicial era realmente convicção e quanto era blefe?
O que isso significa para quem investe em companhias aéreas
Para os acionistas da EasyJet, é positivo no curto prazo, sem discussão. Uma oferta mais alta sempre bate uma mais baixa, é matemática mesmo. Mas tem uns detalhes que importam bastante: deals maiores costumam sofrer mais escrutínio regulatório na Europa. A Apollo, com sua carteira gigantesca de ativos, provavelmente tem mais poder pra lidar com objeções de autoridades concorrenciais do que a Castlelake teria.
Pro mercado de companhias aéreas no geral, o movimento fala volumes. Grandes fundos de PE estão de olho sério nesse setor. Isso pode ser positivo (mais capital chegando) ou preocupante (consolidação acelerada demais), tudo depende de quem você pergunta.
Agora a bola é regulatória. A União Europeia e o Reino Unido (que saiu da UE, mas segue com autoridades de concorrência atuantes) vão revirar cada detalhe da aquisição pra ver se a Apollo ganha poder demais no mercado europeu de aviação low-cost. A Castlelake provavelmente enfrentaria bem menos resistência por ser menor e não ter tanto peso integrado em outros mercados.
O que vem agora
O acordo ainda precisa passar pela aprovação dos reguladores. Se tudo der certo, a EasyJet vira propriedade da Apollo, que já controla ou tem fatias em dezenas de empresas mundo afora. A Castlelake, por sua vez, volta a procurar outra target pra comprar. Em mercados quentes pra M&A, isso geralmente quer dizer que ela aparece fechando outro negócio importante em pouco tempo. Quem tem capital na mesa e poder de fogo nunca fica fora do jogo por muito tempo.
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