Dólar sobe a R$ 5,11 com trégua no Oriente Médio; Ibovespa ganha
Moeda americana avança 0,60% em dia de redução de tensões geopolíticas. Real tem pior desempenho entre emergentes enquanto bolsa brasileira sobe 0,83%.
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O dólar fechou segunda-feira em alta de 0,60%, cotado a R$ 5,1116, enquanto o Ibovespa (o principal índice da bolsa brasileira) subiu 0,83%, aos 175.495 pontos. O movimento aconteceu em um contexto de redução das tensões no Oriente Médio, após o Irã anunciar que interromperá seus próprios ataques desde que os Estados Unidos façam o mesmo.
Por que o dólar subiu numa notícia de trégua?
Parece contraditório. Quando há menos conflito geopolítico, em tese, investidores se sentem mais seguros e buscam moedas de risco, como o real. Mas o que aconteceu foi o inverso, e a culpa é do petróleo. Com a redução das tensões no Oriente Médio, o preço do barril caiu no mercado internacional. Isso normalmente seria bom pra economia brasileira (menos custos de importação), mas o mercado reagiu diferente: o real se viu como a moeda emergente mais fraca neste período.
Segundo a InfoMoney, o real teve o pior desempenho entre as moedas emergentes em relação ao dólar. Enquanto o real se desvalorizava, outras moedas de países em desenvolvimento se comportavam melhor. É como se o Brasil estivesse fora de sintonia com o resto do mercado emergente.
O que explica a queda do petróleo
O conflito entre EUA e Irã sempre mexe com o preço do barril de petróleo. Quando há risco de escalada, o preço sobe porque o mercado teme que a oferta seja prejudicada. Quando há sinais de trégua, o preço cai. Desta vez, a notícia do Irã pausando seus ataques foi interpretada como alívio de tensão, e os preços caíram mesmo assim.
A Money Times apontou algo interessante: o dólar avançou sem suporte do petróleo. Ou seja, mesmo com a queda dos preços internacionais (que em tese deveriam fortalecer o real e os emergentes), a moeda americana continuou subindo. Isso indica que há fatores adicionais em jogo, possivelmente relacionados ao fluxo de capital global e ao apetite por risco em geral.
Por que a bolsa subiu mesmo com o dólar?
Essa é uma dinâmica bem comum nos mercados emergentes. Quando há menos medo no mundo, investidores buscam ativos de risco. Ações de empresas brasileiras entram nessa categoria porque o Brasil é país emergente. Então enquanto o real sofre pressão pela dinâmica global de câmbio, a bolsa se beneficia da melhora no apetite por risco. O Ibovespa subindo 0,83% simultâneo ao dólar em alta mostra exatamente isso: menos medo geopolítico, mais disposição em comprar ações.
O que vem a seguir
O mercado segue atento a qualquer sinal novo do conflito EUA-Irã. Se a trégua se confirmar nos próximos dias e semanas, a pressão no dólar pode aumentar, o que beneficiaria quem precisa comprar em reais. Mas se houver nova escalada, a dinâmica se inverte. Além disso, investidores continuam de olho nas decisões do Federal Reserve (banco central americano) sobre juros, que costumam mexer o câmbio global com bastante força.
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