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investimentos·por Leonam Alves·17 de outubro de 2026·5 min

Debêntures da Sabesp passam a render mais que Tesouro IPCA+, diz BTG

Relatório do BTG Pactual mostra que títulos isentos de IR da Sabesp voltaram a pagar retorno líquido superior aos papéis públicos.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 17 de out. de 2026, 15:30
Vale trocar um Tesouro IPCA+ por uma debênture da Sabesp? Títulos isentos  passam a pagar mais que os públicos, mostra BTG - Seu Dinheiro
Foto: Foto: Seu Dinheiro · Unsplash
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Um relatório recente do BTG Pactual apontou uma virada daquelas no mercado de renda fixa: títulos de dívida privada com isenção de Imposto de Renda, a exemplo das debêntures da Sabesp, começaram a entregar um rendimento líquido maior do que os papéis atrelados à inflação no Tesouro Direto.

A conta do imposto que virou a mesa

Durante um bom tempo, quem queria rentabilidade real acima da inflação batia no teto do Tesouro IPCA+. O governo pagava taxas altas demais e ainda oferecia o menor risco de crédito de todo o país, então quase ninguém via motivo pra assumir risco de empresa privada se o papel soberano já resolvia a vida com folga.

Só que o jogo começou a virar com o ajuste recente nas taxas dos títulos públicos e a procura firme por debêntures incentivadas. Pra quem não lembra, a debênture funciona como um empréstimo que o investidor faz direto pra uma empresa bancar projetos específicos. No caso das obras de infraestrutura, como saneamento básico, a legislação zera o Imposto de Renda pra pessoa física justamente pra incentivar que essas melhorias saiam do papel.

Sem a mordida do leão na jogada, o dinheiro que cai limpo na conta dá um salto visível na comparação final.

A comparação direta entre Sabesp e Tesouro

No Tesouro IPCA+, todo rendimento passa pela tabela regressiva do Imposto de Renda. A mordida começa em 22,5% pra resgates em até seis meses e cai no máximo até 15% pra aplicações que passam de dois anos. Quando você desconta essa fatia do governo, o retorno que parecia imbatível encolhe um bocado.

Pelos cálculos do BTG Pactual, botando lado a lado os papéis do governo e as debêntures da Sabesp com prazos parecidos, o ganho líquido da companhia de saneamento paulista supera o do Tesouro Direto. Isso acontece por causa do spread de crédito, aquela taxa extra que a empresa precisa pagar pra convencer o investidor a trocar a segurança do governo federal pelo risco corporativo.

Pra quem mira rentabilidade real no longo prazo, colocar a matemática no papel voltou a dar vantagem pros títulos de infraestrutura.

Os pontos de atenção antes de fazer a troca

Claro que, antes de tirar o dinheiro do Tesouro pra correr atrás desse retorno líquido maior, vale lembrar alguns detalhes bem particulares da renda fixa privada:

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  • ✓Risco do emissor: o título público tem como lastro a capacidade de arrecadação da própria União, enquanto a debênture fica amarrada à saúde financeira e à capacidade de pagamento da Sabesp ao longo dos próximos anos.
  • ✓Sem proteção do FGC: diferentemente de um CDB de banco, a debênture não tem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos caso a empresa enfrente problemas e não pague o que deve.
  • ✓Liquidez no mercado secundário: se você precisar se desfazer do título antes do vencimento, vai ter que vender o papel pra outro investidor no mercado, correndo o risco de aceitar um deságio considerável se a procura estiver fraca no dia.

Nada disso anula a atratividade da operação, mas deixa claro que essa fatia de crédito privado precisa respeitar o estômago e o planejamento de cada carteira.

O que observar a partir de agora

A leitura do BTG Pactual mostra que as grandes companhias de utilidade pública voltaram a disputar dinheiro de igual pra igual com a dívida pública. Pra quem já tem a reserva de emergência garantida em aplicações de liquidez imediata e pretende segurar o papel até o vencimento, as debêntures do setor de saneamento voltam a ser uma alternativa tática bem interessante.

O rumo dessa disputa daqui pra frente vai depender do comportamento da curva de juros e do ritmo de novas emissões no mercado de capitais, fatores determinantes pra definir se esse prêmio extra vai continuar valendo a pena ao longo dos próximos meses.

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