Como calcular juros da Tabela Price no Excel passo a passo
Aprenda as fórmulas exatas no Excel para simular parcelas, juros e amortização da Tabela Price sem cair em pegadinhas do banco.

O que está por trás da parcela fixa
Se você já simulou o financiamento de um carro ou contratou um empréstimo pessoal, com certeza esbarrou na Tabela Price. Ela é aquele modelo clássico em que todas as parcelas têm rigorosamente o mesmo valor do primeiro ao último mês, daquele jeito que cabe certinho no orçamento mensal sem surpresas.
Acontece que, por dentro dessa parcela igualzinha, a mágica é um pouco indigesta. No começo do contrato, quase tudo o que você paga vai direto pro bolso do banco em forma de juros. Quase nada vai pra abater a sua dívida real, que chamamos de amortização. Conforme os meses passam, a conta inverte: os juros caem e a amortização sobe.
Aprender a colocar isso numa planilha do Excel não serve só pra quem ama matemática. Serve pra você saber exatamente quanto da sua parcela de mil reais é dinheiro jogado no ralo e quanto realmente está pagando o bem financiado.
As três fórmulas que você precisa conhecer
O Excel já tem funções prontas pra calcular tudo isso sem você precisar quebrar a cabeça com fórmulas gigantes de matemática financeira. São três comandos básicos que você digita em português mesmo.
A primeira função é a PGTO. Ela descobre o valor da parcela total. A estrutura dela pede três dados básicos: a taxa de juros mensal, o número total de meses e o valor total financiado com sinal negativo na frente.
A segunda função é a IPGTO, onde esse I vem de juros (interest em inglês). Ela calcula exatamente a fatia de juros contida numa parcela específica. Você passa a taxa, o número do mês que quer consultar, o prazo total e o saldo inicial financiado.
A terceira é a PPGTO, que calcula a amortização pura daquele mês específico. A lógica dos parâmetros é idêntica à da função anterior, só que o resultado mostra quanto da sua dívida original realmente diminuiu com aquele pagamento.
Montando a tabela na prática
Vamos fazer uma simulação real pra você testar aí na sua tela. Imagine um empréstimo de 20 mil reais pra pagar em 24 meses, com uma taxa de juros de 1,5 por cento ao mês.
Abra uma planilha em branco e reserve as primeiras linhas pra colocar esses dados de entrada. Coloque o valor financiado numa célula, o prazo de meses em outra e a taxa de juros mensal logo abaixo. Atenção com a taxa: se o banco te deu uma taxa anual, você precisa converter pra mensal antes de jogar na fórmula.
Agora crie cinco colunas lado a lado: Mês, Parcela, Juros, Amortização e Saldo Devedor. Na linha zero, que é o momento da contratação, o seu saldo devedor é o total financiado, ou seja, 20 mil reais.
Na coluna Parcela do mês 1, digite a fórmula PGTO apontando pra sua taxa, pro prazo e pro valor do empréstimo. Trave as células com o símbolo de cifrão pra poder arrastar a fórmula depois. O resultado vai dar a prestação exata que você vai pagar todo mês.
Na coluna Juros do mês 1, aplique a função IPGTO usando os mesmos dados, lembrando de apontar pro número do mês vigente. Na coluna Amortização, use a fórmula PPGTO seguindo o mesmo raciocínio.
Pra fechar a linha, a coluna Saldo Devedor é uma conta de subtração simples. Pegue o saldo devedor do mês anterior e subtraia a amortização do mês atual. Nunca subtraia o valor da parcela inteira, porque os juros não diminuem a dívida.
Arrastando a conta até o fim
Depois de preencher a primeira linha, basta selecionar as fórmulas de Parcela, Juros, Amortização e Saldo Devedor e arrastar tudo até o mês 24. Se a conta estiver certa, o saldo devedor no último mês tem que zerar perfeitamente.
Olhe com carinho pras primeiras linhas da sua nova tabela. Você vai notar que na primeira prestação você paga uma montanha de juros e abate uma fatia tímida da dívida. Isso explica por que tentar quitar um financiamento Price logo nos primeiros meses muitas vezes dá a sensação de que o saldo não baixou quase nada.
O detalhe que os simuladores escondem
Montar essa planilha te dá uma vantagem estratégica enorme na hora de negociar com qualquer gerente ou correspondente bancário. Porém, fica o alerta: o valor real cobrado no boleto quase sempre fica maior do que a fórmula pura do Excel.
Isso acontece porque os bancos embutem taxas administrativas, seguro obrigatório e o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) dentro do contrato. É o famoso Custo Efetivo Total, ou CET.
Se você quiser que a sua planilha bata centavo por centavo com a realidade do seu carnê, não use a taxa nominal que o banco faz propaganda no anúncio. Use a taxa do CET mensal informada nas letras miúdas do contrato. É ela que manda de verdade no tamanho do seu boleto.
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