Bauducco negocia entrada de sócio; Mondelez quer mais que isso
Empresa familiar contrata assessor e atrai 10 interessados, mas americana quer o controle. Família resiste e preço pode ser estratosférico.
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A Bauducco abriu conversas para trazer um sócio minoritário e contratou a BR Partners como assessor financeiro. Ao menos 10 players entre fundos e empresas de alimentos já sinalizaram interesse. Mas quem realmente quer mexer na estrutura é a Mondelez, a gigante americana fabricante de Bis, Oreo e Lacta, que busca levar o controle da operação. O problema: a família Bauducco não está disposta a abrir mão do comando.
Uma empresa cobiçada há décadas
A Bauducco é o tipo de companhia que todo fundo de investimento sonha em ter na carteira. Familiar, rentável, com marcas consolidadas como panetone e chocolate. Nos últimos anos, bancos de investimento tentaram levá-la para bolsa algumas vezes. Fundos como KKR e GIC chegaram a se interessar em 2012 por uma fatia minoritária, mas o processo foi abandonado. Dessa vez, o movimento é parecido, mas com uma diferença importante: tem gente com apetite bem maior.
De acordo com estimativas de mercado, a Bauducco vale entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões. Isso corresponde a um múltiplo de 12 a 14 vezes o Ebitda (basicamente, o que a empresa ganha em lucro operacional antes de descontar impostos e juros). Para dimensionar: a companhia deve fechar 2026 com faturamento de R$ 5,8 bilhões, Ebitda de R$ 700 milhões, e não é endividada, com alavancagem de apenas 0,5 vez Ebitda.
Números saudáveis.
Por que a Mondelez quer mais do que os outros
Enquanto GIC, Itaúsa, Hershey's e Mars olham para uma participação minoritária, a Mondelez tem outro jogo em mente. A americana, que é dona de marcas bilionárias como Cadbury, buscaria o controle total da operação. Ela está sendo assessorada pelo UBS BB nesse processo.
Mas aqui entra o obstáculo de verdade: a Bauducco é uma companhia familiar. O controle está na Pandurata Alimentos, que pertence aos próprios Bauducco. E segundo pessoas próximas ao assunto, a família simplesmente não tem interesse em vender o comando. Se isso acontecesse, o preço teria de ser estratosférico para fazer sentido aos olhos dos atuais donos.
A BR Partners, por sua vez, deixou aberto no mandato que o processo pode incluir venda primária (ações novas que fortalecem o caixa da empresa) ou secundária (participantes atuais vendendo suas cotas), ou uma mistura dos dois. Isso dá flexibilidade, mas também sinaliza que as negociações ainda estão no começo.
O ceticismo de quem já viu isso antes
Nem todo mundo aposta nesse processo. Gente que acompanha o mercado aponta um histórico: em 2012, a Bauducco fez outro movimento parecido e desistiu. Agora, mesmo com engajamento geral dos interessados numa fatia minoritária, tem quem veja a coisa com desconfiança. A lógica é simples: se a família não quer abrir mão do controle e a Mondelez não se contenta com menos, onde está o meio termo?
A expansão internacional como tabuleiro
Um detalhe muda a conversa: a Bauducco está expandindo pra fora do Brasil. No mês passado, inaugurou sua primeira fábrica de panettones e chocolates nos Estados Unidos, no interior da Flórida, com investimento de US$ 200 milhões. A unidade já produz pra exportação. O grupo também é dono das marcas Casa Bauducco, Visconti, Tommy e Ellece Logística, além de outras operações nos EUA.
Essa movimentação pode ser tanto um argumento pra a Mondelez entrar (expandir é caro, e ela tem dinheiro pra isso) quanto pra a família manter o controle (a empresa está em um momento de crescimento e quer desfrutar dele).
O que vem agora
As conversas estão em andamento, mas nada está fechado. A Bauducco disse que não iria se manifestar sobre o tema. A Mondelez disse que não comenta especulações. O UBS BB negou envolvimento. Isso é o script padrão quando há sensibilidade, então não significa muito. O que importa é observar: se a Mondelez persistir, ela vai precisar apresentar uma oferta tão atraente que mude a mente de quem controla a empresa. Ou aceitará uma parceria minoritária. Nenhum dos cenários é simples.
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