Bank of America eleva ações brasileiras esperando cortes mais fortes na Selic
BofA mudou a recomendação do Brasil para overweight e projeta taxa Selic caindo para 11,25% até 2027, impulsionando a bolsa.

O Bank of America elevou a recomendação pras ações brasileiras de marketweight (exposição neutra) para overweight, que indica compra acima da média do mercado. A instituição americana aposta que o espaço pra cortes mais fortes na taxa básica de juros vai dar fôlego aos preços dos ativos negociados na B3 nos próximos trimestres.
Essa virada de mão veio detalhada num relatório assinado pelo chefe de estratégia pra América Latina, David Beker. Segundo o documento, a combinação entre uma atividade econômica que perde tração e o alívio nas pressões de inflação abre caminho pro Banco Central acelerar o ritmo de corte dos juros por aqui.
O que muda com a recomendação de overweight
No jargão do mercado financeiro, classificar um país ou ativo como overweight significa avisar aos grandes fundos globais que vale a pena colocar mais dinheiro ali do que a média dos índices globais sugere. Até agora, o banco mantinha o Brasil em marketweight, uma posição neutra de quem prefere apenas acompanhar o ritmo geral sem assumir riscos maiores.
A equipe de análise avalia que juros menores devem destravar o valuation das companhias brasileiras, que é a métrica usada pra calcular o valor justo de uma empresa considerando patrimônio e lucros futuros. Hoje, boa parte dessas ações negocia com múltiplos bem abaixo da sua própria média histórica.
Com o crédito ficando mais barato, o alívio financeiro nas contas das empresas tende a compensar eventuais cortes nas projeções de lucros e os ruídos da política local.
A nova trajetória prevista para a taxa Selic
O ponto central da virada de tese do Bank of America está na nova projeção pra Selic. O banco reduziu a estimativa pro juro no fim de 2027 de 12,75% para 11,25% ao ano, descartando pausas no processo e trabalhando com cortes seguidos em todas as reuniões do Copom até lá.
De olho nesse movimento, os analistas reforçaram a fatia da carteira dedicada a empresas que reagem rápido ao custo do crédito e ao consumo interno, mantendo um pé atrás com as exportadoras:
- ✓Aumento da exposição a setores dependentes de juros baixos, como consumo e crédito
- ✓Manutenção de posição neutra em materiais básicos, mantendo foco na Vale
- ✓Postura neutra no setor de petróleo e energia, mantendo a presença via Petrobras
A tese do time é simples: quando o custo do dinheiro cai pro consumidor e alivia o balanço corporativo, as companhias focadas no mercado interno entregam um potencial de valorização bem mais atrativo.
O que o investidor precisa acompanhar
Pra quem opera no dia a dia, a postura de um dos maiores bancos do planeta serve como termômetro direto do fluxo estrangeiro. É o investidor de fora que costuma ditar o ritmo das altas mais consistentes na bolsa paulista, principalmente quando enxerga um cronograma claro de queda nos juros.
Mas a confirmação desse roteiro ainda passa pelo comportamento das contas públicas e pelo controle firme dos índices de preços ao consumidor. Se o Banco Central mantiver o ritmo de afrouxamento previsto pelo banco, a renda variável volta a ganhar força na briga direta com o rendimento da renda fixa.
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