Quem sabe dizer não para si mesmo não vira refém de ninguém.
Lula é reeleito e ativos brasileiros sofrem no exterior
Enquanto o país acordava tentando digerir o resultado das urnas, as mesas de negociação no exterior trabalharam a noite inteira. O termômetro de risco disparou antes mesmo do café da manhã ficar pronto. É o tipo de segunda-feira que define o humor dos próximos meses.
Lula vence disputa acirrada e conquista quarto mandato histórico
Pela primeira vez desde a redemocratização, uma eleição presidencial brasileira teve virada no segundo turno.

Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente da República ao somar 51,78% dos votos válidos, superando Flávio Bolsonaro, que terminou com 48,22%. No discurso de comemoração em São Paulo, o presidente eleito enfatizou a intenção de governar para todos e reconheceu que terá pela frente um Congresso Nacional de perfil mais conservador. Líderes das duas casas legislativas já sinalizaram que a prioridade imediata deve ser a pacificação institucional e o diálogo federativo.
O tom político das próximas semanas vai determinar o ritmo das votações de interesse econômico no parlamento, onde o Palácio do Planalto não terá maioria automática.
Dado em destaque
51,78% dos votos
A margem estreita de votos obriga o governo a negociar espaço com blocos de centro para aprovar qualquer medida estruturante.
Governar um país dividido exige trocar o palanque de campanha pela mesa de negociação pragmática logo no primeiro dia.
Ativos brasileiros sofrem forte correção nos mercados externos

-19%
Queda registrada pelo principal ETF de ações brasileiras negociado no exterior antes da abertura local
A confirmação das urnas provocou uma onda imediata de aversão ao risco nas negociações internacionais antes da abertura dos negócios locais. Na Bolsa de Tóquio, o principal fundo de índice atrelado ao Ibovespa chegou a cair quase 13%, enquanto o mercado futuro do real negociado em Chicago registrou desvalorização superior a 10% frente ao dólar. No pré-mercado de Nova York, papéis de gigantes estatais e exportadoras também abriram sob forte pressão vendedora.
Flávio Bolsonaro contesta apuração e diz que pedirá anulação ao TSE
A contagem de votos terminou no domingo, mas a temperatura política promete continuar fervendo nos tribunais.

O senador Flávio Bolsonaro declarou em pronunciamento que não pretende reconhecer a vitória do adversário e prometeu ingressar com pedido de anulação do pleito junto à Justiça Eleitoral. O parlamentar questiona a prorrogação no horário de encerramento da votação em diversas seções eleitorais pelo Supremo Tribunal Federal. Em resposta às contestações, a presidência da corte eleitoral e analistas de mercado reforçaram que o sistema de apuração possui segurança incontestável e que o processo transcorreu dentro da legalidade.
O prolongamento de disputas jurídicas eleva o prêmio de risco cobrado por investidores, gerando ruído desnecessário no câmbio e na curva de juros até que o tema seja formalmente arquivado.
Gestores colocam o controle dos gastos públicos no centro do radar

Analistas e gestores de investimento apontam que o maior teste para o próximo mandato estará no equilíbrio das contas públicas. Com despesas obrigatórias em alta e a dívida pública em trajetória de expansão, a leitura predominante nas mesas de operação é de que o novo governo precisará apresentar metas críveis de contenção de gastos para evitar nova escalada nos juros futuros. Sem essa sinalização, o espaço para crescimento sustentável da atividade fica comprometido.
Se o governo optar por gastar mais sem fontes claras de receita, o Banco Central é forçado a manter a Selic em níveis elevados por mais tempo, encarecendo crédito imobiliário, financiamentos e dívidas no cartão.
Petróleo alivia pressão internacional com conversas diplomáticas no Irã

As cotações do petróleo bruto recuaram nas negociações asiáticas após atingirem o maior patamar dos últimos seis meses. A descompressão momentânea ocorreu diante de novos esforços diplomáticos e negociações de bastidores voltadas a conter a escalada de tensões geopolíticas envolvendo o Irã. A redução no ritmo dos preços traz alívio temporário para as expectativas globais de custo de energia.
Petróleo mais estável no exterior reduz o risco de repasse imediato nos preços dos combustíveis nas refinarias domésticas, freando a pressão sobre os índices de inflação.
Bitcoin estabiliza perto de US$ 80 mil após ajuste no fim de semana

O Bitcoin encontrou suporte ao redor de 80.400 dólares no início da semana, digerindo as realizações de lucros ocorridas no sábado e domingo. O mercado cripto segue operando com foco na liquidez global e na movimentação de grandes carteiras institucionais, que mantêm posições defensivas diante da semana carregada de eventos macroeconômicos e decisões políticas pelo mundo.
Termômetro do mercado
Dólar
R$ 4,97
▲ 0.00%
Euro
R$ 5,57
▲ 0.19%
Bitcoin
R$ 398.358
▼ 1.07%
Ibovespa
205.082,56
▲ 0.47%
💡 Curiosidade do dia
Durante o pico da hiperinflação na Alemanha em 1923, o valor do dinheiro derretia tão rápido que os trabalhadores recebiam o salário em duas parcelas no mesmo dia. As pessoas corriam imediatamente ao comércio com malas cheias de cédulas para comprar mantimentos antes do almoço. À tarde, o mesmo volume de papel-moeda já não comprava metade do pão.
📚 Palavra do dia
Ataraxia
Conceito filosófico que define um estado de tranquilidade imperturbável da mente, alcançado quando nos desapegamos daquilo que foge inteiramente ao nosso alcance.
Ruídos externos e manchetes alarmistas sempre vão disputar sua atenção ao longo do dia. O segredo consiste em separar o que é dado da realidade daquilo que realmente depende das suas atitudes práticas. Ao focar apenas no que você controla, a mente preserva energia e evita decisões financeiras precipitadas.
Entre discursos inflamados e telas vermelhas de cotação, a única certeza é que a prudência continua sendo o melhor ativo do investidor.
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