Quem não se prepara para a volatilidade paga a conta de quem se preparou.
IPCA-15 surpreende, debate esquenta e dólar sobe: o que esperar do 2º turno
Sábado de véspera de eleição e o mercado já fez a conta: inflação veio mais comportada, o dólar resolveu subir e o último debate deixou mais ruído que sinal. O brasileiro acorda hoje com a calculadora na mão e a incerteza no bolso.
IPCA-15 de outubro vem 0,32% e alivia pressão sobre o Copom
A prévia da inflação desacelerou mais que o consenso e deu um respiro pro BC.

0,32%
Variação mensal do IPCA-15, 0,12 ponto percentual abaixo do consenso
O IPCA-15 subiu 0,32% em outubro, bem abaixo da mediana de 0,44% esperada pelo mercado. No acumulado de 12 meses, o índice recuou para 4,12%, ante 4,35% na leitura anterior. Serviços subiram 0,46% no mês, ainda acima da média histórica, mas a difusão — medida de quão espalhada está a alta de preços — caiu de 62% para 58%, sinalizando que o repasse de custos perdeu fôlego.
Com inflação de serviços ainda resistente, o Copom mantém viés de alta, mas o dado reduz a chance de um movimento mais agressivo em dezembro. Quem tem prefixado ou atrelado à inflação ganha margem de segurança no curto prazo.
Último debate troca propostas por ataques e Eurasia corta chance de Flávio para 60%
Foi mais ringue que debate: acusações de patrimônio, Master, Vorcaro e '9 dedos' dominaram a noite.

No quarto e último encontro antes do segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro priorizaram o confronto direto em vez de propostas. Temas como endividamento das famílias, juros, SUS e infraestrutura apareceram, mas ficaram em segundo plano diante de trocas de farpas sobre investigações, parentes e sinalizações a eleitores indecisos. A consultoria Eurasia reduziu a probabilidade de vitória de Flávio de 70% para 60%, citando melhora de Lula nas pesquisas recentes e menor rejeição ao petista no Sudeste.
Mercado já precifica cenário acirrado: investidores aumentaram hedge via opções de EWZ em Nova York e reduziram exposição direta a bancos estatais. A volatilidade implícita do real subiu ao maior nível em dois meses.
Dado em destaque
10 pontos percentuais
A disputa aberta mantém o prêmio de risco eleitoral no câmbio e na curva de juros até a apuração.
Quando o debate vira briga de quintal, o eleitor indeciso fica sem bússola — e o mercado, sem precificação clara.
Dólar fecha a semana acima de R$ 5,60 com geopolítica e eleição no radar
Tensão no Oriente Médio e incerteza local empurraram a moeda para o maior nível em três semanas.

O dólar à vista encerrou sexta a R$ 5,62, alta de 0,8% no dia e 1,4% na semana. Dois vetores: escalada retórica entre Irã e EUA, que elevou o prêmio de risco global, e a reta final da eleição brasileira com pesquisas apertadas. Lá fora, o índice DXY subiu 0,4% com investidores buscando refúgio antes da reunião do Fed na próxima semana, onde a expectativa majoritária é de manutenção dos juros, mas com sinalização de corte em dezembro.
Importados, viagens e dívidas em moeda estrangeira ficam mais caros. Quem tem receita em dólar ou posições cambiais ganha; quem precisa comprar moeda para compromissos futuros vê o custo subir.
Oncoclínicas avança na reestruturação de R$ 5,7 bi e ação reage
Depois de meses de idas e vindas, a empresa protocolou novo plano que agrada credores.

A Oncoclínicas (ONCO3) apresentou versão atualizada do plano de recuperação extrajudicial, prevendo alongamento de dívidas, carência de juros e conversão de parte do passivo em equity. Os principais credores — bancos e fundos — já sinalizaram adesão acima do threshold de 60% necessário para homologação judicial. A ação fechou sexta com alta de 8,3%, embora ainda acumule queda de 42% no ano.
Se aprovado, o plano remove o overhang de insolvência que travava a ação e permite foco na operação — a rede segue com ocupação acima de 80% e pipeline de expansão. Para o acionista minoritário, a diluição virá, mas a alternativa era risco de falência.
Embraer bate recorde: carteira de pedidos atinge US$ 35,7 bi no 3T26
A fabricante tem fila de espera que inveja qualquer setor — e aviação comercial puxa o bonde.

A carteira de pedidos firmes da Embraer (EMBR3) cresceu 14% em um ano, impulsionada por 96 jatos comerciais vendidos no trimestre, maior volume desde 2014. A aviação executiva também acelerou, com 45 entregas no período. A ação subiu 3,1% na sexta e acumula alta de 29% em 2026.
Backlog recorde dá visibilidade de receita por anos e protege margens contra ciclos. Quem comprou no início do ano viu o investimento virar case de turnaround bem executado.
BC aprova regras para bloquear ofertas de crédito indesejadas e exige transparência
Seu telefone vai parar de tocar com 'crédito pré-aprovado' — ou ao menos vai ter botão pra calar.

O Banco Central aprovou norma que obriga instituições financeiras a oferecer canal claro e gratuito para o consumidor bloquear ligações, mensagens e e-mails de oferta ativa de crédito. Também exige que o Custo Efetivo Total (CET) seja informado de forma padronizada antes da contratação, incluindo seguros e tarifas embutidas. As regras entram em vigor em 180 dias.
Reduz assédio comercial e obriga clareza no custo real do empréstimo — quem compara CET evita armadilhas de 'taxa zero' que escondem seguro caro na parcela.
Supermercado segue vilão do orçamento: 59% dizem que alimentação mais pesa no bolso
Não é percepção, é dado: a comida come a maior fatia da renda do brasileiro médio.

Pesquisa da Serasa com 5 mil respondentes mostra que 59% colocam alimentação no topo dos gastos que mais comprometem o orçamento, à frente de aluguel (18%), transporte (12%) e saúde (7%). No recorte de renda até 2 salários mínimos, o percentual sobe para 71%.
Inflação de alimentos acumula 6,8% em 12 meses, bem acima da meta. Enquanto o IPCA-15 alivia no agregado, o item que mais dói no dia a dia segue pressionado — e não há medida de curto prazo que reverta isso.
Termômetro do mercado
Dólar
R$ 4,97
▼ 1.73%
Euro
R$ 5,56
▼ 1.86%
Bitcoin
R$ 401.774
▼ 2.65%
Ibovespa
205.082,56
▲ 0.47%
💡 Curiosidade do dia
O primeiro 'boleto' da história surgiu na Holanda do século XVII: comerciantes de Amsterdam usavam 'wissels' — letras de câmbio padronizadas — para liquidar dívidas entre cidades sem mover moedas físicas. O sistema reduziu roubos em estradas e criou o primeiro mercado de crédito interurbano da Europa. O conceito de 'título à ordem' que você paga no app do banco nasceu para proteger carregadores de ouro de bandidos.
📚 Palavra do dia
Satisficing
Estratégia de decisão onde se escolhe a primeira opção que atende ao critério mínimo aceitável, em vez de buscar a alternativa ótima. Cunhado por Herbert Simon, combina 'satisfy' e 'suffice'.
Na hora de escolher um fundo ou ação, defina seus critérios — liquidez, risco, prazo — e compre o primeiro que os atenda. Buscar o 'melhor absoluto' paralisa e costuma gerar arrependimento. Decisão boa e feita vale mais que decisão perfeita e adiada.
Domingo as urnas falam, segunda o mercado precifica — e a vida real segue cobrando boleto.
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