Quem não age quando o jogo muda, paga quando ele termina.
Tarifaço sobe a 37,5%, petróleo dispara e dólar a R$ 5,11
O mercado não gosta de fim de semana: ele deixa as bombas prontas na sexta e as detona na segunda. Desta vez, a lista é generosa — guerra comercial esquentando, Oriente Médio pegando fogo literal, e petróleo subindo 16% numa semana. Você chega no sábado já sabendo o que esperar quando a sirene abrir.
Trump ameaça 37,5% e Brasil tira o chicote da Lei da Reciprocidade
Nunca foi tão caro exportar suco de laranja pro país que inventou o suco de laranja no café da manhã.

O governo americano avisou que pode elevar a tarifa sobre produtos brasileiros de 25% para 37,5% até o fim de julho, adicionando 12,5% como punição pela falha do Brasil em combater trabalho forçado em sua cadeia de exportações. A tarifa de 25% já vigente atinge 2.375 itens nacionais, respondendo por US$ 7,2 bilhões em vendas anuais — com São Paulo e Santa Catarina como os estados mais afetados. Em resposta, Lula assinou o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade, criando um arsenal legal para o Brasil retaliar com tarifas próprias sobre produtos americanos. O Planalto, porém, adota tom cauteloso na prática: o governo quer consultar os setores afetados antes de acionar o mecanismo, com medo de que qualquer retaliação precipitada provoque uma nova escalada de Trump. Alckmin garantiu que o Brasil não saiu da mesa de negociação.
Na prática, o brasileiro exportador — especialmente pequenas e médias empresas — precisa avaliar agora se ainda faz sentido depender do mercado americano ou se diversificar destinos virou urgência, não opção.
Dado em destaque
US$ 7,2 bilhões
Se a tarifa chegar a 37,5%, o Brasil perde competitividade imediata em produtos industriais e agrícolas, e a pressão pra encontrar novos parceiros comerciais — Europa, Ásia, América do Sul — deixa de ser plano B e vira plano A.
Ter lei de retaliação é ótimo. Saber a hora certa de usá-la é o que separa estratégia de teatro.
Petróleo explode 16% na semana com Oriente Médio em espiral
Quando os EUA e o Irã começam a atacar infraestrutura um do outro, o posto de gasolina já sabe antes da bolsa.

Os Estados Unidos retomaram ataques ao Irã, desta vez mirando pontes e estruturas estratégicas. Teerã respondeu atacando uma usina de energia e dessalinização no Kuwait, além de alvos no Catar — ampliando o conflito para infraestrutura civil de países que não são parte direta da disputa. O risco de fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, voltou às manchetes com força. O Brent, referência global, avançou mais de 4% só na sexta-feira e acumulou alta de 16% na semana. Nos mercados, o movimento gerou aversão a risco: Wall Street tomou 1% na semana, o Nasdaq liderou as perdas e o dólar subiu a R$ 5,11.
Petróleo mais caro significa gasolina mais cara, frete mais caro e pressão de volta na inflação — exatamente quando o Brasil estava comemorando um IGP-10 que caiu 1,13% em julho por causa da queda anterior do petróleo. O alívio pode ter vida curta.
Dado em destaque
16%
Se o conflito se estender e o Estreito de Ormuz for efetivamente ameaçado, o choque de preços de energia pode ser o fator que muda o comportamento dos bancos centrais ao redor do mundo nos próximos meses.
Conflito no Oriente Médio sempre foi risco de cauda. Virou risco de manual.
Wall Street cai com chips em derretimento e Apple destrona Nvidia
Semana passada, a Nvidia era a empresa mais valiosa do mundo. Essa semana, a Apple lembrou que ainda existe.

O setor de semicondutores liderou as perdas em Wall Street na sexta-feira, puxando o Nasdaq pra baixo e fazendo os índices americanos encerrarem a semana no vermelho. O Dow Jones recuou 0,77% no dia e 1% na semana. No meio do sell-off de chips, a Apple aproveitou pra destronar a Nvidia e reassumir o posto de empresa mais valiosa do planeta. Do outro lado, uma startup chinesa chamada Moonshot apresentou um modelo de linguagem que, segundo avaliações independentes, alcança o desempenho dos melhores LLMs americanos — o que acende nova dúvida sobre os valuations absurdos de algumas Big Techs que apostaram tudo em IA.
Quem tem BDRs de empresas de tecnologia americana sentiu o movimento na carteira. E o debate sobre se o mercado está pagando caro demais por promessas de IA ficou mais vivo do que nunca.
UnitedHealth surpreende cortando custo com IA; Netflix decepciona

2 gigantes, 2 resultados opostos
Uma usa IA pra cortar custo e bate expectativas; a outra esconde dados e decebe — esse é o novo critério pra separar vencedores de perdedores em tech.
A UnitedHealth, maior operadora de saúde dos EUA, reportou resultado do segundo trimestre muito acima do esperado, com sinistralidade controlada e lucro surpreendente — sinalizando que o turnaround da empresa, que vinha de um período difícil, está em curso. A IA entrou como ferramenta de corte de custos operacionais. No mesmo trimestre, a Netflix foi na direção oposta: decepcionou com previsão de lucros menores e ainda avisou que vai reduzir a frequência dos relatórios de engajamento que o mercado usava pra avaliar a plataforma — o que o mercado leu como sinal de que os números futuros podem não ser tão bonitos.
Céu Único sul-americano pode baratear passagens aéreas no Brasil
Passagem de avião de São Paulo pra Buenos Aires custa mais do que São Paulo pra Lisboa. Isso pode estar prestes a mudar.

O Brasil assinou um memorando com Argentina, Chile e Paraguai para avançar no chamado acordo de Céu Único Sul-Americano, uma iniciativa que abriria o espaço aéreo regional à competição entre companhias de diferentes países. Hoje, o mercado aéreo doméstico brasileiro é altamente concentrado, e rotas regionais sul-americanas costumam ser operadas com pouca concorrência e preços desproporcionais. O acordo ainda está no estágio inicial — memorando não é lei — mas é o primeiro passo concreto nessa direção em anos.
Se o acordo avançar de fato, a pressão competitiva pode derrubar preços de voos regionais, que hoje pesam no bolso de quem viaja pra negócios ou turismo na América do Sul.
Copel abre espaço pra mais dividendos e BofA reforça aposta

A Copel anunciou uma nova política de dividendos que, na avaliação do Bank of America, pode gerar um retorno de quase 23% em proventos nos próximos três anos. O BofA reforçou a recomendação de compra, citando combinação de crescimento de lucro, geração de caixa e flexibilidade financeira como diferenciais da elétrica paranaense num cenário de juros ainda altos.
Corrida eleitoral começa na segunda: convenções partidárias abrem temporada 2026

A partir de segunda-feira, partidos e federações têm até 5 de agosto para realizar as convenções que oficializam candidaturas para as eleições de outubro de 2026. Lula escolheu Patrus Ananias como candidato do PT ao governo de Minas Gerais após uma série de negativas de outros nomes. Com novo tarifaço de Trump e pressão fiscal crescente, analistas alertam que o Brasil chega às eleições sem margem de erro na política econômica.
Termômetro do mercado
Dólar
R$ 5,11
▲ 0.17%
Euro
R$ 5,84
▲ 0.10%
Bitcoin
R$ 327.607
▲ 1.09%
Ibovespa
173.714,08
▼ 0.06%
💡 Curiosidade do dia
O Kuwait, que foi alvo de ataques iranianos nesta semana, é um dos países com maior reserva de petróleo per capita do mundo — e ainda assim importa quase toda a sua água potável via dessalinização do mar. Atacar a usina de dessalinização não é só um gesto militar: é uma ameaça direta ao abastecimento de água de toda a população, o que coloca esse tipo de alvo numa categoria de gravidade completamente diferente na lei internacional de conflitos.
📚 Palavra do dia
Anosognosia
Condição neurológica — e também comportamental — em que a pessoa é genuinamente incapaz de perceber sua própria limitação ou falha. Não é negação: ela simplesmente não enxerga o problema.
No mundo financeiro, anosognosia aparece quando alguém insiste que sua estratégia de investimento é sólida mesmo depois de perder consistentemente, sem conseguir identificar o que está errado. Diferente de teimosia consciente, é uma cegueira real — o que torna o problema muito mais difícil de resolver. Reconhecer que você pode não estar vendo algo importante é o primeiro movimento inteligente que qualquer pessoa pode fazer com o próprio dinheiro.
O que une todas essas histórias é simples: o mundo ficou mais caro, mais incerto e mais impaciente — e o Brasil vai ter de se posicionar sem margem pra erro.
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