Quem ignora o que muda no mercado paga mais caro por isso.
Ibovespa cai, Warren vendida e gasolina em revisão: o que muda
O mercado abriu julho com o pé esquerdo: juros lá fora pressionando, bolsa doméstica hesitante e um governo que ainda não decidiu o que fazer com o subsidio da gasolina. Não é uma crise, mas também não é calma. É aquele estado de suspense em que cada notícia pode virar o humor do dia. Você já está por dentro antes de todo mundo.
Termômetro do mercado
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Ibovespa começa julho em queda com juros e eleição no radar
Empatou com o CDI no semestre passado. Agora vem a parte difícil.

O Ibovespa encerrou o primeiro semestre empatando com o CDI, o que soa bonito até você lembrar que o CDI está na casa dos 13% ao ano. Em julho, o índice começa pressionado pela alta dos rendimentos dos Treasuries americanos — que sobem com a expectativa de que o Federal Reserve ainda vai apertar os juros — e pela incerteza do ciclo eleitoral brasileiro. As taxas dos DIs fecharam em alta no mesmo movimento. O Goldman Sachs, por outro lado, mantém recomendação 'overweight' para o Brasil entre os emergentes, argumentando que as ações brasileiras estão baratas. A XP mira 200 mil pontos para o Ibovespa até o fim do ano.
Juro americano subindo significa que o dinheiro gringo prefere ficar nos EUA, em vez de correr risco em emergentes como o Brasil. Isso pressiona câmbio e bolsa ao mesmo tempo — dois termômetros que aparecem direto na sua conta, seja no supermercado, seja na carteira de investimentos.
Governo vai revisar subvenção de R$ 0,44 por litro na gasolina
Aquele desconto silencioso que você recebe no posto pode estar com os dias contados.

O ministro Gustavo Durigan anunciou que o governo vai revisar a subvenção de 44 centavos por litro aplicada à gasolina. O anúncio de qualquer mudança está previsto para a semana que vem. Não foi dito se o subsidio será cortado, reduzido ou mantido — mas o fato de estar sendo revisado já é um sinal de que algo muda.
Se a subvenção cair, o preço na bomba sobe. Direto e reto. Quem depende de carro para trabalhar sente no bolso antes de qualquer indicador econômico aparecer nos jornais.
Brasil diz aos EUA que tarifaço é remédio errado e defende o Pix

O governo brasileiro entregou ao governo americano um documento formal, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, argumentando contra a taxação de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA. O texto classifica as tarifas como um 'remédio inapropriado' e inclui, de forma incomum, uma defesa explícita do Pix como sistema de pagamentos — possivelmente em resposta a críticas americanas sobre práticas comerciais digitais do Brasil. A negociação ainda está em aberto.
Se as tarifas forem mantidas, exportadores brasileiros ficam mais caros no mercado americano. Menos competitividade lá fora significa menos dólares entrando no Brasil, o que pressiona o câmbio e, em cascata, a inflação aqui dentro.
Warren é vendida para fintech argentina Cocos Capital
A corretora fundada por ex-sócios da XP chega ao fim como empresa independente.

A Warren, corretora criada em 2017 por dissidentes da XP, fechou a venda da maior parte de seus ativos para o grupo argentino Cocos Capital. A negociação durou quase um ano. A Cocos, fintech de investimentos da Argentina, usa a aquisição como porta de entrada no mercado brasileiro. Para a Warren, encerra um ciclo: nasceu querendo ser a XP do futuro e termina sendo comprada por um player estrangeiro.
BTG vê Embraer pronta para nova decolagem e projeta alta de 57%
Mesmo depois de subir muito, o avião parece que ainda não pousou.

O BTG Pactual reiterou recomendação de compra para os ADRs da Embraer negociados em Nova York, com potencial de alta de 57% em relação ao preço atual. O banco projeta crescimento de receita relevante nos próximos dois anos, puxado pela carteira de pedidos aquecida e pelo avanço nos segmentos de aviação executiva e defesa. A tese vai na contramão de quem acha que a ação já subiu demais.
Gigantes do ovo nos EUA admitem conluio para inflacionar preços
O ovo americano não ficou caro só pela gripe aviária — havia mãos humanas nisso também.

Três das maiores produtoras de ovos dos Estados Unidos fecharam acordo com o Departamento de Justiça para encerrar um processo por manipulação de mercado. As empresas são Cal-Maine Foods, Versova e Hickman's Egg Ranch, esta última adquirida pela JBS e pela Mantiqueira brasileira. O conluio teria mantido preços artificialmente elevados, prejudicando consumidores no período em que os ovos já eram notícia por inflação nos EUA.
Para o brasileiro, o detalhe mais relevante é a presença de JBS e Mantiqueira no imbróglio. Qualquer consequência regulatória ou reputacional para esses grupos pode respingar nas operações e nos papéis dessas empresas por aqui.
BC aperta regulação de exchanges e brasileiros declararam R$ 1 trilhão em stablecoins
O mercado cripto brasileiro é enorme — e o regulador finalmente está prestando atenção.

O Banco Central publicou novas regras para prestadoras de serviços de ativos virtuais, buscando mais solidez e menos risco sistêmico no setor. O timing não é coincidência: brasileiros declararam R$ 1 trilhão em stablecoins nos últimos seis anos, com a USDT, pareada ao dólar, representando 88,7% de todo o volume. É dinheiro demais circulando fora do radar regulatório de forma confortável.
Regulação mais apertada pode significar mais burocracia para quem usa exchanges locais, mas também mais segurança para quem mantém recursos em plataformas menores. O movimento de apertar o cerco é global — o Brasil está seguindo a tendência.
Para fechar com estilo
📚 Palavra do dia
Pareidolia
É a tendência do cérebro humano de encontrar padrões reconhecíveis, como rostos ou formas, em estímulos aleatórios ou ambíguos. O exemplo clássico é ver uma face nas nuvens ou na casca de uma árvore.
No mercado financeiro, pareidolia aparece quando o investidor 'enxerga' tendências em gráficos que são, na prática, ruído aleatório. A mente busca ordem onde não há, e isso leva a decisões baseadas em padrões que não existem de verdade. Reconhecer esse impulso não elimina o instinto, mas cria um segundo antes da decisão, e esse segundo pode valer dinheiro.
💡 Curiosidade do dia
A primeira emissão de papel-moeda da história não aconteceu na Europa e sim na China, durante a Dinastia Tang, por volta do século VII. Os comerciantes depositavam moedas de metal pesadas com mercadores de confiança e recebiam em troca um certificado de papel representando aquele valor. O sistema funcionou por séculos antes de qualquer governo ocidental imaginar que tinta sobre papel poderia substituir metal.
O segundo semestre começou com o mercado pedindo clareza sobre juros, fiscal e eleições — e o brasileiro, de novo, no meio do cruzamento esperando o sinal abrir.
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