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🗞️ A Edição#23·terça-feira, 30 de junho de 2026

Quem não entende o jogo do dinheiro sempre paga a conta de outro.

iFood cresce 40% e bets ganham novas regras: o que mudou

O último dia de junho chegou com o mercado de olho em duas direções ao mesmo tempo: Wall Street tentando se firmar depois de uma semana de volatilidade, e o Brasil ainda processando quanto as novas regras do jogo interno vão custar a quem ainda não se adaptou. Tem empresa que triplicou o prejuízo, tem empresa que cresceu 40%, e tem o governo colocando o cerco em cima de um setor inteiro. Não é um dia de fim de mês qualquer.

Leitura de 4 min · 5 assuntos

Termômetro do mercado

Dólar

R$ 5,17

0.00%

Euro

R$ 5,9

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Bitcoin

R$ 308.055

0.46%

Ibovespa

173.205,34

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🛵Empresas

EBITDA do iFood cresce 40% para R$ 2,2 bi; novas categorias aceleram

Concorrência maior, crescimento mais forte. Parece contraditório, mas foi exatamente isso que aconteceu.

EBITDA do iFood cresce 40% para R$ 2,2 bi; novas categorias aceleram
Foto: Valor (Brazil Journal)

O iFood encerrou seu ano fiscal com EBITDA de R$ 2,2 bilhões, alta de 40% na comparação com o período anterior. O resultado veio apesar do aumento da concorrência no segmento de entrega, e boa parte da explicação está na diversificação: a empresa vem apostando em novas categorias além de comida, o que dilui a dependência de um único mercado e sustenta as margens mesmo num ambiente mais disputado.

Pra quem investe em empresas de tecnologia listadas ou acompanha o setor, o dado importa: mostra que crescer com margem ainda é possível no Brasil, mesmo em categorias onde a guerra de preços é constante.


🇺🇸Global

Futuros de ações dos EUA estáveis com recuperação de tecnologia e foco nas negociações com o Irã

A man in casual attire checks cryptocurrency prices on his smartphone outdoors.
Foto: Karyna Panchenko via Pexels

Os futuros das bolsas americanas abriram estáveis, com o setor de tecnologia sustentando o humor positivo depois de uma sequência de quedas. Mas o que realmente está no radar dos mercados internacionais é o andamento das negociações com o Irã: qualquer avanço ou recuo no diálogo diplomático afeta diretamente o preço do petróleo, o que contamina desde o câmbio até o custo de produção de empresas no mundo todo.

Petróleo mais barato ou mais caro não fica só no posto de gasolina. Ele entra no frete, no plástico, na energia. Quando essa negociação se move, o efeito chega nos preços do supermercado mais cedo do que parece.


🌿Empresas

Prejuízo da Raízen quase triplica no 4° trimestre da safra 2025/26

Uma das maiores empresas de energia renovável do país fechou o trimestre no vermelho profundo.

A tractor loaded with sugarcane on a rural road in Mehmood Kot, Punjab, Pakistan.
Foto: Saad Majeed via Pexels

A Raízen registrou um prejuízo que quase triplicou no quarto trimestre da safra, num resultado que reflete pressões de custo, condições climáticas adversas e um ambiente de preços desafiador para o etanol. O número chama atenção porque a empresa opera num setor que o Brasil costuma vender como trunfo competitivo global.


🔬Global

Koei Group protocola pedido de IPO na Nasdaq com Roth Capital Partners e SeeQC abre capital para avançar em chips quânticos

A conceptual abstract 3D-rendered landscape with cubic structures and pastel colors.
Foto: Google DeepMind via Pexels

Dois movimentos de abertura de capital chamaram atenção nos mercados americanos. O Koei Group protocolou pedido de IPO na Nasdaq, com a Roth Capital Partners como assessora. Já a SeeQC, empresa focada em computação quântica, deu o passo de abrir capital com o objetivo declarado de acelerar o desenvolvimento de chips quânticos, uma tecnologia que ainda está longe do consumidor final mas que concentra investimento pesado de grandes fundos no momento.

IPOs de empresas de tecnologia profunda, como computação quântica, costumam ser apostas de longo prazo com risco alto. Pra quem investe em ETFs de inovação ou BDRs de tech, vale acompanhar como esses papéis se comportam nas primeiras semanas após abertura.


🎰Regulação

Fazenda impõe novas regras para propagandas de bets na Copa e amplia cerco à publicidade do setor

O governo escolheu a maior vitrine esportiva do ano pra apertar o controle sobre as apostas online.

Fazenda impõe novas regras para propagandas de bets na Copa e amplia cerco à publicidade do setor
Foto: Exame

O Ministério da Fazenda publicou novas regras que restringem como as empresas de apostas esportivas podem anunciar durante a Copa. A medida faz parte de um movimento maior de regulação do setor, que cresceu de forma acelerada nos últimos anos e passou a concentrar uma fatia relevante dos gastos das famílias brasileiras de menor renda. O cerco inclui restrições de horário, de público-alvo e de formato de comunicação.

Quem vai sentir mais no bolso é quem já tá no limite do orçamento. Pesquisas mostram que os maiores usuários de bets no Brasil são pessoas de renda mais baixa, o que torna a publicidade agressiva desse setor um problema que vai além do mercado financeiro.


Para fechar com estilo

📚 Palavra do dia

Efeito Semmelweis

A tendência humana de rejeitar informações novas quando elas contradizem crenças ou práticas já estabelecidas, mesmo diante de evidências sólidas. O nome vem do médico húngaro Ignaz Semmelweis, que descobriu no século XIX que lavar as mãos antes de partos reduzia mortes drasticamente, e foi ignorado pela comunidade médica da época por contrariar o que todos já faziam.

No trabalho, é o que acontece quando você apresenta uma ideia melhor e a resposta é 'sempre fizemos assim'. Nas finanças pessoais, aparece quando alguém continua num investimento ruim só porque ficaria desconfortável admitir que errou. Reconhecer o Efeito Semmelweis em si mesmo é o primeiro passo pra tomar decisões baseadas em fatos, não em orgulho.

💡 Curiosidade do dia

Hoje, 30 de junho, é o último dia do primeiro semestre. Mas essa divisão do ano em dois blocos de seis meses é mais arbitrária do que parece: ela não tem base astronômica, biológica nem econômica. Surgiu de convenções contábeis e fiscais que foram se consolidando ao longo dos séculos, e hoje estrutura desde o fechamento de balanços de empresas até a psicologia das metas pessoais. Em outras palavras, o universo não sabe que é fim de semestre. Quem decidiu isso foi um burocrata, provavelmente há mais de 200 anos.

Junho fecha com o mercado num equilíbrio frágil: crescimento em alguns setores, sangramento em outros, e regulação chegando pra quem achava que ia ficar de fora.

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