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notícias·por Equipe Endinheirados·21 de julho de 2026·7 min

Trump quer tarifar o Pix e economistas brasileiros risonhos

EUA impõe 25% de tarifa citando Pix como prática desleal. Mas economistas do Itaú dizem que o efeito será menor que o esperado.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 21 de jul. de 2026, 22:30
Nobel de Economia defende o Pix e diz que tarifas de Trump ao Brasil não  terão o efeito desejado - Estadão
Foto: Foto: Estadão · Unsplash

O governo Trump impôs tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e decidiu citar uma coisa bem específica na justificativa: o Pix. Sim, aquele sistema de pagamentos instantâneo que você usa pra mandar grana pro colega no boteco. De acordo com a InvestNews, os EUA mencionaram o Pix como uma das supostas práticas comerciais desleais do Brasil. A acusação deixa claro que o governo americano vê o sistema de pagamentos como um problema de competitividade — embora a lógica não seja óbvia pra quem só quer fazer uma TED em cinco segundos.

Por que Trump está com raiva do Pix

A acusação não tem base em como o Pix funciona tecnicamente. O que Trump provavelmente quer dizer é que um sistema de pagamentos eficiente e barato reduz a margem de lucro de empresas americanas de cartão de crédito e transferências internacionais. O Pix brasileiro é rápido, custa praticamente nada e funciona 24 horas por dia, 365 dias por ano. Pra comparação: nos EUA, uma transferência interbancária tradicional pode levar dias e cobra taxa. É tipo reclamar que o seu concorrente faz um produto melhor e mais barato que o seu.

A situação é tão inusitada que os próprios economistas brasileiros tiveram que parar pra entender o que estava acontecendo. Segundo a análise do Itaú, as tarifas de 25% sobre produtos brasileiros devem ter um efeito menor que o esperado na economia. Não porque Trump está errado, mas porque o Brasil não é tão dependente dos EUA quanto era antes.

O que Itaú acha disso tudo

Os economistas do Itaú acreditam que o impacto direto será limitado. A razão é simples: a economia brasileira já não é tão focada em exportar pra Estados Unidos quanto era há dez anos. Além disso, o dólar já havia se apreciado bastante antes dessa nova onda de tarifas, então parte do ajuste de preço já tinha acontecido. Mas o Itaú mantém uma ressalva importante: os EUA ainda podem trazer neblina pro cenário. Ou seja, o problema não é essa tarifa específica, e sim o que ela sinaliza — mais incerteza, mais risco de outras medidas, mais desconfiança nos mercados.

Enquanto isso, a economia brasileira continua de pé. Os números mostram que setores como máquinas e equipamentos estão preocupados o suficiente pra se reunir com Alckmin, vice-presidente, e pedir que o Brasil não entre numa guerra de retaliação. A lógica deles faz sentido: se o Brasil bate de volta com tarifas ainda maiores, os EUA retaliam novamente, e aí escalou de um jeito que ninguém sai ganhando.

A ironia de Trump e o Pix

O curioso é que Trump escolheu o Pix como vilão numa lista de supostas desvantagens comerciais. O sistema não tem nada a ver com a balança comercial Brasil-EUA. É como se você reclamasse que o vizinho tem uma geladeira muito boa e por isso está prejudicando seus negócios. O Pix não faz com que empresas brasileiras exportem mais ou melhor — ele só facilita como os brasileiros transferem dinheiro entre si. Mas pra um governo que vê qualquer vantagem competitiva como um ataque pessoal, o Pix virou um símbolo.

A situação mostra algo mais amplo: Trump quer usar tarifas pra pressionar o Brasil em negociações maiores. O Pix é só o gancho. A verdadeira questão é se o Brasil vai aceitar ter sua política de inovação em pagamentos questionada por um presidente que vê tudo através de lentes protecionistas.

O que muda na prática

Pra você que vive no Brasil, pouca coisa muda agora. O Pix continua funcionando igual — rápido, barato e disponível 24 horas. As tarifas de 25% vão fazer produtos importados dos EUA ficar mais caros nas lojas, mas esse efeito leva tempo pra chegar até o consumidor final. Produtos como máquinas agrícolas, peças automotivas e eletrônicos podem ficar mais caros. Mas segundo o Itaú, a economia brasileira tem pulmão suficiente pra absorver isso sem crise.

O risco real é se a situação escalar. Se Trump impuser mais tarifas e o Brasil retaliar, aí sim o dólar sobe de verdade, importações ficam caras mesmo, e inflação aumenta. Por enquanto, os dados indicam que a gente está longe desse ponto. Mas é bom ficar atento nos próximos meses pra ver se as negociações evoluem ou se Trump esqueceu do Pix e passou pro outro alvo.

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