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notícias·por Equipe Endinheirados·22 de julho de 2026·7 min

Tarifas de 25% dos EUA entram em vigor; Brasil evita retaliação imediata

Tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros começa a valer nesta quarta. Brasil opta por estratégia de reciprocidade medida em vez de reação imediata.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 22 de jul. de 2026, 18:30
Tarifas de 25% dos EUA entram em vigor; Brasil evita retaliação imediata
Foto: Foto: G1 Economia · Unsplash

A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados para lá entrou em vigor nesta quarta-feira (22). A medida afeta bens já no mercado americano, gerando impacto imediato no fluxo de negócios bilaterais. Mas o Brasil está tomando uma abordagem diferente da que muitos imaginavam: em vez de atacar de volta agora, o governo está preparando respostas via reciprocidade quando o momento for estratégico.

Que produtos foram atingidos

A tarifa ainda não abraça todos os setores brasileiros igualmente. O governo americano concentrou-se em determinadas categorias, deixando margem para negociação. O setor agrícola brasileiro — especialmente soja e outros commodities — era esperado como alvo principal dado o histórico de Trump com tarifas agrícolas. A ordem de Lula, segundo reportagem da G1, foi evitar qualquer reação que pudesse dar munição política a Trump e a aliados dele no Brasil na crise tarifária em curso.

O cálculo por trás da não-retaliação

Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, deixou claro o posicionamento: "Precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo". O Brasil não vai responder só pra responder. A ideia é guardar munição pra atingir de forma estratégica. Essa escolha não é passividade — é cálculo político e econômico. Uma retaliação apressada poderia escalar a tensão, dando pretexto pra Trump apertar ainda mais o cerco.

O instrumento existe e já tá pronto: o Congresso Nacional aprovou uma autorização legal pra usar reciprocidade tarifária em situações de represália comercial. Mas usar agora significaria confirmar a escalada, algo que Lula tá evitando mostrar ao mercado.

Quanto disso é estratégia, quanto é realidade econômica

A verdade é que o Brasil tem menos margem de manobra do que parece. Os EUA são o maior comprador de produtos brasileiros — se Trump fechar mais ainda, o custo é muito maior pro país exportador do que pro importador. Uma reciprocidade total poderia virar contra a gente: se o Brasil tarifar produtos americanos, empresas brasileiras que dependem de insumos dos EUA sofrem mais, e pode ser pior que deixar como tá.

Segundo dados do G1, a estratégia também considera o cenário político local. Qualquer movimento agressivo agora seria interpretado como resposta à pressão interna — e Trump adoraria aquele material de campanha.

O que muda na prática

Pra empresas que exportam pros EUA, a nova tarifa aumenta o custo da venda: ou elas absorvem o impacto nos lucros, ou repassam pro importador americano, reduzindo competitividade. Setores como têxtil, calçados e manufaturados em geral são atingidos imediatamente. Pro consumidor brasileiro, o impacto é mais indireto — moedas estrangeiras em compras online podem ficar mais caras se a moeda brasileira desvalorizar por causa da crise comercial.

O que vem agora

O Brasil está montando um pacote de apoio contra o tarifaço, conforme apontou Ana Flor em reportagem da G1. A cobrança será feita por emprego — ou seja, setores mais afetados receberão recursos pra evitar demissões em massa. A resposta tarifária fica na gaveta, pronta pra sair quando o timing político e econômico fizer sentido. Enquanto isso, negociadores trabalham nos bastidores tentando reduzir ou eliminar as tarifas — estratégia mais cara, mas menos arriscada que uma guerra comercial aberta.

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