Starbucks volta a crescer e mostra saída para café ficar caro
Após queda de vendas, Starbucks registra quatro trimestres seguidos de crescimento e CEO vê recuperação da lealdade dos clientes.

A Starbucks voltou a crescer nas vendas em lojas já abertas, fechando o quarto trimestre consecutivo com expansão. O CEO Brian Niccol diz que a rede está ganhando de novo a confiança dos clientes — depois de perder mercado quando os preços subiram demais. Na prática, a pergunta é: conseguir ser caro e ainda crescer é possível?
Por que Starbucks quase quebrou
A rede tinha um problema que qualquer negócio de varejo teme: os clientes estavam indo embora. O preço do café ficou tão alto que virou piada na internet. Uma bebida simples chegou a custar mais de 7 dólares em alguns lugares dos EUA. Quando o consumidor começa a pensar duas vezes antes de entrar na loja, é sinal de alerta mesmo.
Niccol chegou à empresa em 2023com a missão de reverter essa trajetória, e nos números de agora a gente começa a ver se funcionou.
O que mudou
Não são os detalhes específicos que a Starbucks divulgou que importam aqui. O que importa é o movimento que eles sinalizam. Depois de vários trimestres caindo, agora vem quatro seguidos no verde. Isso quer dizer que as iniciativas tomadas (melhorar a experiência na loja, ajustar preços em alguns itens, reforçar marketing) estão tendo tração com o consumidor.
O grande lance é que a rede não precisou fazer promoção agressiva nem descontos significativos pra recuperar clientes. Ficou mais caro ainda, mas menos caro do que se manter sendo evitado.
O dilema da margem vs. volume
Aqui está a ironia que importa: varejistas em geral enfrentam uma escolha cruel. Ou mantêm preços altos e perdem volume de clientes, ou cortam preço, vendem mais, mas ganham menos por unidade. A Starbucks parece ter encontrado um meio termo — o preço segue elevado (ninguém espera pagar 3 reais por um café lá), mas o jeito como a experiência é entregue faz as pessoas acharem que vale a pena voltar.
Quando um varejista consegue isso, investidor normalmente fica mais tranquilo. Significa que a empresa não está a um passo de virar uma promoção ambulante.
O que vem agora
A Starbucks também elevou suas projeções para o ano inteiro, sinalizando confiança de que esse crescimento vai se manter. Mas tem um detalhe: crescimento de 4% trimestral num varejo global é bom, mas não é explosivo. A rede está nadando contra a corrente de um consumidor americano que está desacelerando os gastos com luxo — e sim, um café de 7 dólares é considerado luxo agora.
Se a economia dos EUA desacelerar mais, mesmo essa trajetória positiva pode tropeçar. Mas por enquanto, a notícia é simples: a rede mostrou que consegue ser cara e ainda atrair gente. No mercado varejista, isso é raro o bastante pra merecer atenção.
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