PF aponta que Banco Master usou empresa de R$ 100 para simular R$ 7 bi
Investigação da PF revela que instituição financeira utilizou firma sem funcionários para simular carteira bilionária de consignados.

A Polícia Federal apontou que o Banco Master utilizou uma empresa registrada com capital social de apenas R$ 100 para simular operações que somam R$ 7,15 bilhões em crédito consignado, conforme relatório anexado a um inquérito no Supremo Tribunal Federal. O caso ganhou tração após o ministro Edson Fachin dar prazo de 24 horas para que o colega André Mendonça libere o sigilo de documentos ligados ao processo.
A engrenagem montada com uma nota de cem reais
Segundo o relatório da corporação, a pessoa jurídica em questão não possuía funcionários registrados, não contava com instalações físicas compatíveis e apresentava movimentação bancária cotidiana praticamente nula. Ainda assim, a firma figurava no papel como compradora ou intermediária de carteiras bilionárias de empréstimos consignados, modalidade em que as parcelas da dívida são descontadas diretamente da folha de pagamento ou do benefício do INSS.
Para a Polícia Federal, a estrutura serviu como fachada contábil.
A suspeita central é de que os contratos tenham sido forjados ou artificialmente inflados para embelezar o balanço financeiro da instituição, fazendo o banco parecer detentor de ativos muito mais robustos e seguros do que realmente eram.
A disputa judicial pelo sigilo no STF
O caso subiu a temperatura no Supremo Tribunal Federal por causa de divergências sobre o acesso aos autos. O ministro Edson Fachin determinou que o relator da apuração, André Mendonça, preste informações e abra o sigilo de dados pedidos pelos investigadores e pela Procuradoria-Geral da República.
A decisão de Fachin busca dar celeridade ao processo e evitar que provas coletadas permaneçam bloqueadas, enquanto as defesas contestam o teor dos relatórios policiais.
Os pontos centrais levantados pela investigação
O documento da Polícia Federal detalha inconformidades que chamaram a atenção dos peritos contábeis ao analisar as transações:
- ✓A disparidade extrema entre o patrimônio formal da empresa intermediária, fixado em meros R$ 100, e a movimentação bilionária atribuída a ela
- ✓A ausência total de equipe administrativa ou de infraestrutura de cobrança necessária para gerenciar milhares de contratos de crédito
- ✓A velocidade atípica com que créditos supostamente problemáticos eram repassados e reconhecidos nos livros contábeis do banco
Na prática bancária, carteiras de crédito compõem a maior parte do patrimônio de uma instituição financeira. Se um banco declara ter bilhões a receber de servidores e aposentados, o mercado e as agências de risco presumem que o negócio é rentável e sólido.
O impacto direto para quem investe
O Banco Master ganhou enorme visibilidade no mercado financeiro brasileiro nos últimos anos por oferecer taxas de rentabilidade bem acima da média dos concorrentes. Em plataformas de corretoras, era comum encontrar Certificados de Depósito Bancário (CDBs, títulos de renda fixa emitidos por bancos para captar dinheiro de clientes) da instituição pagando prêmios generosos.
Milhares de investidores pessoas físicas aplicaram recursos no banco atraídos por esse rendimento, ancorados na proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC, entidade privada mantida pelos próprios bancos que cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição caso ela quebre).
Embora o FGC sirva como rede de segurança para o pequeno poupador dentro do limite legal, acusações que atingem a idoneidade contábil de um banco tendem a secar suas fontes de captação e pressionar os custos de liquidez. O avanço da apuração da Polícia Federal e o julgamento dos documentos no STF ditarão os próximos passos da instituição e a reação dos reguladores do sistema financeiro.
Leia também
Fim da isenção de IR em LCIs e LCAs volta ao debate no governo
Selic em queda: como mexer na carteira para render mais
Onde investir a longo prazo: compare opções para 5, 10 e 20 anos
Fontes
Termômetro de imparcialidade
Compromisso editorial: notícia sem viés. Como você avalia a cobertura desta matéria?
FERRAMENTA GRATUITA
📈 Calculadora de Investimentos
Simule agora com os dados do seu bolso. Resultado imediato.
Usar calculadora →Guias relacionados
Termos do glossário
Continue lendo
🧰 Mais ferramentas financeiras
Calculadoras gratuitas de investimentos, dívidas e muito mais.
Comentários
Seja o primeiro a comentar.
