Multiplan vende terrenos ao lado de shoppings para projetos multiuso
A Multiplan (MULT3) anuncia venda de três terrenos no RJ e RS localizados junto a shoppings para desenvolvimento de projetos multiuso.

A Multiplan (MULT3) anunciou nesta quinta-feira a venda de três terrenos estrategicamente localizados junto a seus shoppings: ParkJacarepaguá e ParkShopping CampoGrande, ambos no Rio de Janeiro, e ParkShopping Canoas, no Rio Grande do Sul. Os espaços serão convertidos em projetos de uso misto, combinando moradia, comércio e serviços.
Por que uma dona de shopping vende terrenos ao lado do próprio negócio?
A resposta está em uma mudança na estratégia da empresa. Historicamente, empresas de varejo tentam controlar toda a área ao redor de suas propriedades. Mas nos últimos anos, a Multiplan percebeu que há mais dinheiro em explorar terrenos ociosos através de parcerias de desenvolvimento do que em mantê-los parados. Projetos multiuso trazem mais gente ao redor dos shoppings, o que pode beneficiar o negócio principal mesmo sem a Multiplan ter controle direto daquela área.
Essa estratégia não é nova lá fora. Shoppings internacionais funcionam há tempos como âncoras de complexos maiores, onde convivem escritórios, residências e áreas de lazer. No Brasil, ainda é um movimento em construção, mas tá ganhando força conforme varejistas percebem que a receita por aluguel de terreno pode rivalizar com a que vem de operação interna.
O que muda para os acionistas
A venda gera caixa imediato, sempre bem-vindo quando há pressão por resultados. Terrenos que antes só consumiam custo de manutenção viram receita palpável. Mas tem um lado: a Multiplan tá, de certa forma, abrindo mão do controle futuro daquela área. Se o projeto multiuso ficar gigante, o valor agregado ao shopping não será totalmente capturado por ela.
- ✓Caixa entra agora, de uma só vez
- ✓Receita recorrente futura (se houver acordo de compartilhamento) costuma ser menor que operação própria
- ✓Controle urbano e planejamento em torno da propriedade passa pra terceiros
Analistas do varejo veem esse movimento como sensato. Terrenos parados em shoppings não puxavam retorno algum. Vender pra desenvolvedoras especializadas em projetos mistos transforma um ativo inerte em capital que pode ser reinvestido na operação principal ou devolvido aos acionistas.
Contexto do mercado imobiliário
Projetos multiuso explodiram em demanda nos últimos anos, especialmente em grandes centros. Investidores correm atrás de diversificação em propriedades que combinem usos diferentes. Pra isso, precisam de terrenos bem localizados perto de âncoras — tipo shoppings. A Multiplan, dona de propriedades em pontos estratégicos, virou fornecedora natural desses ativos.
A decisão também chega num momento de pressão regulatória e fiscal sobre o varejo tradicional. Vender terrenos pode ser um jeito de gerar retorno sem investimento adicional em expansão física, que exigiria capex pesado e enfrentaria um mercado de consumo mais desconfiado.
O mercado aguarda detalhes sobre o valor das operações e se haverá fluxo de receita compartilhada com os novos proprietários. Informações desse tipo podem reforçar uma tendência em andamento: varejistas de grande porte virando também gestoras de portfólios imobiliários diversificados.
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